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André Caetano
              Oliveira
              Aluno do 6.º ano do Mestrado
              Integrado em Medicina da
              Faculdade de Ciências Médicas
              da Universidade Nova de Lisboa





                              Satisfação com o internamento em Pediatria
                          Modelo explicativo



                    e desenvolvimento do




               instrumento de medição










            A Pediatria tem muitas especificidades,   Pretende-se, com este instrumento, que   Quando nos referimos aos cuidados de
            nomeadamente a dificuldade em avaliar   os serviços ganhem recursos na tomada   saúde em Pediatria, a maioria da comu-
            a satisfação com os cuidados, por envol-  de decisão; medir o impacto dos proje-  nicação é entre os profissionais e os pais.
            ver diferentes pessoas com diferentes   tos que vão desenvolvendo na melho-  Desta forma, os pais são as pessoas mais
            perspetivas. Desta forma, há necessidade   ria dos cuidados; assinalar os aspetos   capazes de avaliar a maioria dos aspetos
            de compreender como se pode avaliar a   suscetíveis  de  melhoramento;  tornar   da qualidade dos cuidados na perspetiva
            satisfação com os cuidados em Pediatria.   mais eficaz a intervenção e melhorar o   de “consumidores”. 3,7,9
            Neste artigo exploram-se os modelos ex-  poder competitivo e a sensibilidade para   No entanto, é consensual que os pais/
            plicativos e os instrumentos que permi-  as necessidades das famílias que os ser-  cuidadores  não  são  capazes  de  avaliar
            tem avaliar esta dimensão. Apresenta-se   viços recebem. De uma forma genérica,   todos os aspetos do cuidar; a sua pers-
            o modelo explicativo da satisfação para   o objetivo é criar um instrumento que   petiva  contribui  de  forma  eficaz  para
            compreender as discrepâncias entre as   permita, por um lado, dar voz aos pais/  compreender os aspetos da relação in-
            diferentes  perspetivas.  A  performance   cuidadores, por outro, criar estratégias e   terpessoal,  comunicação,  informação  e
            experienciada tem uma influência direta   comprovar os ganhos da implementação   organização dos cuidados de saúde, mas
            na satisfação; as prioridades e as discre-  de investimentos.       não é suficiente. 3,4,10
            pâncias entre as expectativas e a perfor-                           A maioria das investigações revelou pro-
            mance  experienciada  também  influen-  A IMPORTÂNCIA DE MEDIR      blemas na qualidade dos cuidados rela-
            ciam a satisfação.                Nos últimos anos tem-se assistido a inú-  cionados com as falhas de comunicação
            Realizou-se pesquisa em bases de dados   meras  reformas  dos  sistemas  de  Saúde,   com os pais. A comunicação entre os
            sobre questionários validados sobre sa-  com uma orientação económica precisa   utentes  e  os  profissionais  tem  um  im-
            tisfação em Pediatria e da sua análise   para a necessidade crescente de justifica-  pacto importante na experiência como
            elaborou-se uma proposta de questioná-  ção de custos e a otimização dos recursos.  utente. Em Pediatria está provado que os
            rio que avalia 12 dimensões.      Tem sido prática comum o envolvimen-  pais se sentem mais insatisfeitos se a co-
            Pretende-se,  no  final,  a  criação  de  um   to dos utilizadores dos serviços (sejam   municação com os profissionais não de-
            instrumento para medir a satisfação   de  saúde, ou  outros), na  avaliação  do   correr de encontro às suas expetativas,
            com  o  internamento,  que  permita  de-  desempenho e da qualidade. Os questio-  onde  expetativas  são  definidas  como  o
            terminar os pontos fortes das equipas   nários aos utentes têm-se tornado um   conhecimento sobre os acontecimentos/
            – que têm de ser valorizados – e os pon-  instrumento crítico na medição da quali-  decisões clínicas futuras. 1,10
            tos fracos dos serviços – que têm de ser   dade dos cuidados que são prestados nas   O modelo mais comum para compreender
            alvo de intervenção.              instituições de saúde. 1,2,3      estas discrepâncias é o que esquematiza



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