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GESTÃO DO RISCO
                                                Uma vez que as organizações prestado-
                                                ras de cuidados de saúde (complexas e
                Gestão do Risco                 altamente diferenciadas) proporcionam
                                                múltiplas  situações  potencialmente
                é “o processo de
                                                geradoras de erros, torna-se imperati-
                identificação,                  vo saber lidar com os riscos inerentes,
                avaliação, análise e            prevenindo e minimizando as suas con-
                                                sequências (Ministério da Saúde, 2010;
                gestão de todos os
                                                Urbaneto & Gerhardt, 2013).
                riscos e incidentes             Neste contexto, surge o conceito de
                de cada nível                   Gestão do Risco (“Risk  Management”),
                                                representando uma área emergente nas
                da organização                  organizações de saúde que tem evoluí-
                e a reunião dos                 do sobretudo nos últimos anos. Inicial-
                resultados a um nível           mente vocacionada para uma vertente
                                                defensiva (décadas de 70-80), a Gestão
                corporativo, que                do Risco passou, mais recentemente, à
                facilita e melhora a            perspetiva preventiva e proativa apoiada
                tomada de decisões              pelo crescente movimento da segurança
                                                do doente (Lobo, 2008).
                e o estabelecimento             Por definição, a Gestão do Risco é “o pro-
                de prioridades para             cesso de identificação, avaliação, análise
                                                e gestão de todos os riscos e incidentes
                conseguir o equilíbrio
                                                de cada nível da organização e a reunião
                ótimo entre risco,              dos resultados a um nível corporativo,
                benefício e custo”              que facilita e melhora a tomada de deci-
                                                sões e o estabelecimento de prioridades
                                                para conseguir o equilíbrio ótimo entre
                                                risco,  benefício  e  custo” (DGS, 2011, p.   Ÿ Atividades ligadas à prevenção de EA:
              IMPACTO/PROBLEMÁTICA DO RISCO     123). Diz respeito a um conjunto de me-  promovem a segurança do doente,
              A existência de EA tem impacto na   didas destinadas a otimizar a segurança   constituindo barreiras ativas aos EA.
              vertente  individual,  profissional  e  or-  mediante a identificação prospetiva das   Fundamentam-se na evidência cientí-
              ganizacional. Contribui para danos ir-  circunstâncias que colocam os doentes   fica e na análise dos “near miss” (qua-
              reversíveis nos doentes e familías (Reis   em risco, incluíndo a atuação destinada   se-evento:  incidente que não alcançou
              et al., 2013), para a perda de confiança   a prever e a controlar esses mesmos ris-  o doente).
              nas  organizações  e  nos  seus  profissio-  cos. Este conceito tem, assim, um duplo   Ÿ Atividades de reação aos EA identifica
              nais,  para  o  aumento  significativo  dos   objetivo, limitar a ocorrência de EA (pre-  dos: possibilitam um diagnóstico da si-
              custos sociais e económicos e para a   vendo) e minimizar os danos que provo-  tuação, permitem analisar tendências,
              diminuição  dos  resultados  (outcomes)   cam (recuperando) (Fragata, 2009). Trata-  determinam necessidades de melhoria
              esperados/desejados, para além de con-  -se de uma ferramenta essencial nas   contínua, dando origem a processos
              sequências  diretas  na  qualidade  e  na   instituições de saúde, permitindo gerir o   ou procedimentos que irão constituir
              satisfação dos utilizadores dos cuidados   grau de exposição ao risco, implementar   atividades de prevenção de futuros EA
              de saúde (Monteiro, 2010; Departamen-  metodologias para eliminar ou reduzir   (Pablo et al., 2012).
              to da Qualidade em Saúde, 2011; Abreu,   esses riscos, tanto ao nível dos doentes,   No  primeiro  grupo,  inclui-se  a  análise
              2012).  As  implicações  legais  e  penais,   como dos profissionais, como da própria   do risco do doente em áreas específicas,
              no caso de existirem processos judiciais   estrutura da organização (Hinrichsen et   como o risco de infeção, queda ou de úl-
              associados,  são  também  significativas,   al., 2011; Lima, 2011).  cera de pressão, de modo a estabelecer
              assim como, os “efeitos  devastadores   Desta forma, a metodologia da Gestão do   protocolos de atuação com níveis de
              para os profissionais de saúde, gerando   Risco, na perspetiva do doente, pode ser   segurança diferenciados e a implemen-
              sentimentos de culpa, medo, angústia,   sistematizada em duas grandes áreas que   tação de processos seguros validados
              vergonha, existindo a possibilidade de   englobam um conjunto de atividades   pela  investigação  científica.  Salientam-
              ser conotado como incompetente, quer   (políticas, processos, procedimentos e   -se o programa da Campanha Nacional
              pelo doente quer pelos próprios pares”   orientações técnicas), promotoras da se-  da Higiene das Mãos “Medidas Simples
              (Alves, 2009, p.19).              gurança nas organizações hospitalares:  Salvam Vidas” e o Projeto Nacional



               38  REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20
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