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Dora Maria Ricardo
Fonseca Saraiva
Mestre em Gestão de Unidades
de Saúde | Especialista em
Enfermagem Médico-Cirúrgica
Enfermeira no Centro Hospitalar
Cova da Beira
A problemática do risco
em Saúde e a necessidade
de promover a segurança
do doente
INTRODUÇÃO de governação clínica (Ministério da A prestação de cuidados de saúde é uma
O acesso a cuidados de saúde de qua- Saúde, 2010). atividade complexa, incerta no resultado
lidade é um dos principais direitos do Em Portugal não é conhecida a verdadei- e com potencial de causar danos e, por-
Homem reconhecido e valorizado pelas ra dimensão desta problemática, nem as tanto, uma atividade de risco (Ministério
instituições de saúde e pelos cidadãos consequências associadas às falhas na da Saúde, 2009). Trata-se de um sector
da União Europeia (UE), pelo que devem segurança dos doentes, pois predomina onde o risco é inerente, mesmo existindo
ser desenvolvidos todos os esforços de uma cultura de subnotificação e cul- um cumprimento rigoroso das leges artis
modo a garantir a segurança dos doentes pabilização dos erros/eventos adversos e das normas de segurança (Faria, 2010).
enquanto utilizadores dos serviços de em detrimento de uma cultura de aná- O ambiente hospitalar apresenta inúme-
saúde (Declaração de Luxemburgo sobre lise e aprendizagem a partir dos mesmos ros riscos à saúde dos doentes (Fassini
a Segurança dos Doentes, 2005). (Sousa, 2006; Ministério da Saúde, 2010; & Hahn, 2012). De acordo com a OMS
Os estudos internacionais realizados nas Monteiro, 2010; Costa, 2013), sendo ne- (2009), os vários tipos de risco relacio-
últimas décadas confirmam que, em cessário uma mudança de paradigma. nam-se com: processos de gestão clínica,
média, 10% dos doentes internados são documentação, equipamentos ou dispo-
vítimas de eventos adversos (EA), sen- O RISCO NA ÁREA DA SAÚDE sitivos médicos, utilização de fármacos,
do estes reconhecidos universalmente Os sucessivos avanços científicos e tec- administração de hemoderivados, nutri-
como um dos problemas dos sistemas de nológicos na área da Saúde, a progressiva ção, comportamento dos colaboradores,
saúde (Fragata, 2009; Fernandes, 2012). evolução nos procedimentos e complexi- oxigenioterapia, gases ou vapores, in-
A segurança do doente tem-se tornado dade dos equipamentos de diagnóstico e fraestruturas/construção, infeções asso-
uma questão global a nível mundial no tratamento, assim como o desenvolvi- ciadas à prestação de cuidados e lesões
contexto da gestão em saúde, investiga- mento farmacológico, estão associados a dos doentes (úlceras de pressão, quedas,
ção e prática clínica (Carneiro, 2010; Fra- uma maior e melhor oferta de cuidados entre outros).
gata, 2010; Gomes, 2012; Costa, 2013; assistenciais. Porém, a crescente utiliza- As organizações de saúde, enquanto
Reis, 2013; Sousa, Uva & Serranheira, ção destes recursos, introduz nas organi- sistemas de alta complexidade devem
2013), sendo considerada um desafio zações hospitalares fatores acrescidos de ter como objetivo tornar-se resilien-
para as organizações hospitalares e para risco para doentes/utentes, familiares e tes, robustas e praticáveis face a situa-
os profissionais, que a assumem como profissionais da saúde de natureza diver- ções que envolvem riscos humanos e
uma prioridade estruturante do sistema sa (Ministério da Saúde, 2010). operacionais e, por consequência, à
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