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ocorrência do erro. A premissa é de que   profissionais: documentação incompleta   (o resultado de uma intervenção, tra-
           os seres humanos cometem falhas, e   no processo do doente, falta de conhe-  tamento ou tarefa, do mais simples ao
           que, portanto, erros são esperados. Os   cimento dos profissionais na realização   mais complexo, não é totalmente previ-
           erros são consequências, e não causas.   dos processos ou procedimentos); pro-  sível, existirá um fator que não é contro-
           E  embora  não  se  possa  mudar  a  con-  blemas relacionados com o doente (iden-  lado e se designa acaso) (Fragata, 2009;
           dição humana, podem modificar-se as   tificação  incorreta  do  doente,  avaliação   Sousa, 2013).
           condições sobre as quais os seres hu-  incompleta, ausência de consentimento   As atividades mediadas pelo indivíduo
           manos trabalham,  criando defesas no   informado, inadequado ensino ao doen-  são responsáveis por cerca de 60% dos
           sistema (Reason, 2000).           te); transferência de conhecimento or-  erros e as mediadas por mecanismos or-
                                             ganizacional (modo como a organização   ganizacionais por 40% dos casos. Entre
           CAUSAS/DETERMINANTES              integra  os  seus  profissionais,  ineficiên-  ambas as componentes existem, ainda,
           DO RISCO                          cias na educação, treino e formação dos   os fatores da equipa e uma dose de in-
           Na maioria das vezes, a fonte do proble-  prestadores de cuidados, alocação de co-  certeza ou “fator acaso” (Fragata, 2006).
           ma é desencadeada por múltiplos fato-  laboradores temporários); condições de   Desta forma, é fulcral que tanto os fato-
           res, podendo resultar de deficiências ou   trabalho (situações condicionantes do   res humanos como os organizacionais
           falhas na estrutura e/ou processo, as   desempenho, supervisão inadequada);   que condicionam a segurança do doente
           quais podem ser consideradas ativas ou   falhas técnicas (falhas de dispositivos ou   sejam constantemente monitorizados e
           latentes (Sousa, 2006; Ministério da Saú-                           observados como garantia da qualidade
           de, 2010). As falhas ativas são considera-                          dos cuidados, devendo a sua abordagem
           das atos inseguros ou omissões cometi-                              ser holística e nunca individualizada (Al-
           dos pelos profissionais de saúde, podem                             ves, 2009; Wachter, 2010).
           acontecer devido a um erro, à quebra de                             Para finalizar, referir que existem atual-
           regras ou pela assunção de riscos cujas                             mente uma série de fatores que indiciam
                                                Em Portugal
           consequências têm um EA imediato para                               maiores riscos agregados para a pessoa e
                                                não é conhecida
           o doente. Por sua vez, as falhas latentes                           tendência para EA, assim como, para um
           resultam de caraterísticas existentes no   a verdadeira             crescimento de ações legais em tribunal
           sistema (estrutura e processo) as quais                             por danos causados em unidades de saú-
                                                dimensão desta
           permanecem ocultas até que num even-                                de. A destacar: o aumento crescente do
           to ou acidente ocorra e sejam expostas.   problemática, nem         número de doentes e de atos médicos,
           Em ambiente hospitalar, essas condi-  as consequências              devido à evolução previsível da pirâmi-
           ções podem relacionar-se ao ambiente                                de  demográfica  e  consequente  enve-
                                                associadas às falhas
           de trabalho, à supervisão inadequada,                               lhecimento da população; a existência
           falta  de  treino  ou  formação  deficiente,   na segurança         permanente de tecnologias e medica-
           stress, sobrecarga de trabalho e sistemas   dos doentes             mentos novos e muito diferenciados,
           de comunicação inadequados (Reason,                                 com efeitos por vezes não previsíveis ou
           2000; Abreu, 2012; Reis, Martins & La-                              com elevados riscos; o número de inter-
           guardia, 2013).                                                     venientes no processo e as interfaces
           Pelo  exposto,  dificilmente  se  consegue   equipamentos); políticas e procedimen-  humanas com equipamentos complexos
           estabelecer uma tipologia de causas pois   tos inadequados (Pablo, Palos & Mesqui-  (Fragata, 2009).
           os fatores envolvidos interagem entre si.   ta, 2012).              A atual conjuntura de contenção de
           No entanto, por ordem de grandeza, e   Sistematizando, nos sistemas de saúde,   despesas pode igualmente implicar
           tendo em conta vários estudos, a AHRQ   os determinantes do risco envolvem a   fatores de aumento de EA nas unida-
           propõe a seguinte estruturação: proble-  complexidade das situações tratadas, o   des de saúde provenientes dos cortes
           mas de comunicação (incluem falhas na   tipo  de  intervenção  técnica  e  terapêu-  em recursos humanos e materiais, para
           comunicação verbal ou escrita, podem   tica e o desempenho (performance) in-  além de criar mais stress e menos mo-
           envolver todos os membros da equipa   dividual  e organizacional,  pelo  que  em   tivação nos profissionais, e o crescente
           e  ser  identificadas  entre  os  diferentes   determinado contexto interagem fatores   poder reivindicativo e de exigência dos
           níveis de cuidados, mudanças de equi-  humanos relacionados com o indivíduo   doentes, fruto não só de uma maior
           pas, comunicação de exames, prescri-  (incluindo perceção da situação pelo co-  educação nestas áreas, mas também,
           ção  de  medicamentos  ou  na  realização   nhecimento e experiência, a capacidade   pela enorme mediatização que os ca-
           de  procedimentos);  fluxos  inadequados   de tomar decisões e de recuperação do   sos de “eventos adversos danosos” têm,
           de  informação  (insuficiente  informação   erro, a fadiga e o  stress), com a equi-  funcionando a comunicação social
           crítica no processo de tomada de deci-  pa, fatores organizacionais (cultura de   como  um  veículo  de  defesa  imediato
           são clínica, transferência de cuidados);   segurança, liderança e comunicação),   das  vítimas  deste  tipo  de  ocorrências
           fatores humanos (relacionados com os   com o ambiente de trabalho e o acaso   (Faria, 2010).



                                                                  REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20  37
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