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o máximo de detalhe e fiabilidade e tem                             livres de retaliação ou punição por ter
              que ser quantificada. Por fim, no âmbi-                             notificado);  analisado  por  especialis-
              to da organização o erro é percecionado                             tas  (as  notificações  são  avaliadas  por
              como uma consequência e focaliza-se   É necessário investir         especialistas nos aspetos clínicos e no
              nas medidas proativas (Reason 2004 ci-                              reconhecimento dos riscos inerentes),
                                                   na Gestão do Risco
              tado por Fragata & Martins 2005).                                   agilidade (as notificações são analisadas
              Ramos & Trindade (2011) sistematizam   e na aprendizagem            rapidamente e as recomendações são
              todo este processo, o qual deve ser su-  apartir das situações      prontamente divulgadas), foco no sis-
              portado por um programa de formação                                 tema (as recomendações incidem sobre
                                                   em que ocorram
              estruturado  para  todos  os  profissionais                         as mudanças no sistema, processos ou
              da unidade de saúde, operacionalizado   EA e possibilitar o         produtos e não no indivíduo) e sensibi-
              com base em quatro pilares proativos:   desenvolvimento             lidade (ao receber as recomendações a
              Sistema de Relato de Incidentes (SRI),                              organização de saúde compromete-se e
                                                   de soluções
              identificação  e  avaliação  do  risco,  mo-                        implementá-las) (WHO, 2005).
              nitorização de indicadores de segurança   inovadoras com            Em Portugal, apesar do interesse cres-
              do doente e auditoria como instrumento   vista à fiabilidade        cente pela segurança do doente, alguns
              de melhoria contínua. O envolvimento                                pontos são frágeis na consciencialização
                                                   e excelência dos
              das chefias e administrações associado a                            do problema. “A cultura da análise do
              uma política de gestão de risco baseada   serviços prestados        erro é entre nós de verdadeira culpabi-
              na transparência e não culpabilização do                            lização,  o  que  faz  com  que  o  seu  regis-
              profissional é um aspeto fulcral e deter-                           to, e eventual divulgação pública sejam
              minante para o sucesso do sistema (Ra-                              muito difíceis”, salientando-se que uma
              mos & Trindade, 2013).                                              cultura  de  “culpabilização e repressão
              Para uma adequada Gestão de Risco, a                                sistemática leva possivelmente a uma
              OMS lançou vários desafios, entre eles,                             melhoria transitória, mas não remove as
              a criação e implementação de um SRI   real ou potencial, se venham a repetir   causas individuais e sobretudo as causas
              com  a  finalidade  de  partilha  e  apren-  na mesma instituição (DGS, 2013; Ra-  devidas ao sistema, pelo que perpetua o
              dizagem com os erros de forma a en-  mos & Trindade, 2013; Sousa, 2013). Os   chamado ciclo de erro” (Fragata & Mar-
              contrar soluções para a sua prevenção   eventos devem ser analisados, melhora-  tins, 2004, p. 20).
              (Ramos & Trindade, 2013; Urbaneto &   dos e estruturados, de forma a construir   Neste contexto, preconiza-se que uma
              Gerhardt, 2013). Uma das medidas a   processos seguros e com bons níveis de   cultura de culpa, onde os erros são en-
              ser implementada foi um sistema na-  qualidade (Pablo et al., 2012; DGS, 2013;   carados apenas como fracassos pessoais,
              cional, de caráter voluntário, de notifi-  Inchauspe et al., 2013) com vista à cor-  seja substituída por uma cultura em que
              cação de EA. A Dinamarca, Suécia, No-  reção das fragilidades identificadas e à   os erros sejam considerados como opor-
              ruega, República Checa e Holanda são   prevenção da sua recorrência (Ramos &   tunidades para melhorar todo o siste-
              países em que esta iniciativa se destaca    Trindade, 2011).        ma de saúde (Ramos & Trindade, 2011;
              (Reis et al., 2013).              Um programa baseado no SRI permite   Abreu, 2012; Paese & Sasso, 2013), uma
              Em Portugal, tendo por base a reco-  obter  informações  relevantes  acerca   cultura  aberta,  justa  (imparcial)  e  de
              mendação 2009/C 151/01 do Conselho   da estrutura, processo e resultados   aprendizagem a partir do erro e da adver-
              da União Europeia sobre a segurança   em saúde, pois os profissionais que   sidade (Fernandes, 2012; Sousa, 2013).
              dos  doentes,  a  DGS  disponibilizou  aos   prestam assistência direta e que co-  Como já referido anteriormente, a análi-
              profissionais  de  saúde  e  aos  cidadãos,   nhecem  a  situação  clínica  dos  doen-  se das causas não deve estar centrada no
              através da Orientação n.º 025/2012, de   tes facilitam a identificação de riscos   profissional que erra, mas sim nos meca-
              19  de  dezembro,  o  Sistema  Nacional   e incidentes que afetam a segurança   nismos dos erros, nos fatores contributi-
              de Notificação de Incidentes e Eventos   em  ambiente  hospitalar  aumentando   vos e nas falhas do sistema susceptíveis
              Adversos (SNNIEA), cuja plataforma,   a eficiência da organização na pro-  de melhoria (Lage, 2010).
              anónima,  confidencial  e  não  punitiva,   moção da segurança e da melhoria da   Para tal, todos os componentes que inte-
              possibilita a gestão de incidentes e EA   qualidade (Whachter, 2010).  ragem no sistema devem ser conjugados,
              ocorridos nas unidades prestadoras de   Para que sejam efetivos, os SRI devem   avaliados,  auditados  e  monitorizados
              cuidados  do  SNS.  A  notificação  de  in-  possuir as seguintes caraterísticas: con-  numa intervenção que se deseja total,
              cidentes ou EA torna obrigatória a de-  fidencialidade (a identificação do notifi-  global e partilhada, o que requer inevi-
              corrente  implementação  de medidas   cador nunca é revelada), independente   tavelmente  mudança,  vontade,  esforço,
              corretoras sistémicas por parte da ad-  (o sistema de notificação é independen-  persistência, implicações concretas na
              ministração da instituição, de forma a   te de qualquer autoridade com poder   prática clínica e um compromisso dura-
              evitar que situações geradoras de dano,   para punir), não punitivos (notificadores   doiro que deve evoluir ao longo dos anos.



               40  REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20
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