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“Cirurgias Seguras Salvam Vidas” im-                                se manifestar (Inchauspe et al., 2013).
           plementados  em  Portugal  em  2008  e                              No  segundo  grupo,  destacam-se  os  sis-
           2009 respetivamente (Ramos & Trinda-                                temas de notificação de EA, que permi-
           de, 2011) e as atividades relacionadas                              tem  identificar  causas  desencadeantes,
                                                Uma vez que as
           com a prevenção de erros relacionados                               desenvolver indicadores e metas, iden-
                                                organizações
           com a medicação (rotulagem de medica-                               tificar  tendências  e  estabelecer  inter-
           mentos com aspeto semelhante, alertas   prestadorasde               venções prioritárias; e a monitorização
           associados a medicamentos com nomes                                 contínua  de  indicadores  ao  nível  dos
                                                cuidados de saúde
           semelhantes), a identificação do doente                             resultados (quedas, úlceras de pressão,
           com  dois  descritores,  a  checklist  cirúr-  proporcionam         análise de mortalidade, acidentes anes-
           gica durante o time-out, a reconciliação   múltiplas situações      tésicos e infeções associadas aos cuida-
           terapêutica, o controlo de eletrólitos hi-                          dos  de  saúde).  Incluem-se,  também,  a
                                                potencialmente
           pertónicos e drogas potencialmente pe-                              classificação do risco e a priorização de
           rigosas, entre outros, como os definidos   geradoras de erros,      atividades através da análise de proba-
           pelas metas internacionais de segurança   torna-se imperativo       bilidade e de impacto dos EA, atuando
           da Joint Commission International (JCI,                             principalmente onde o risco é elevado e
                                                saber lidar com os
           2013). Para cada uma destas metas, as                               existe potencial de prevenção (priorida-
           instituições definem normas, que envol-  riscos inerentes,          des para o plano de melhoria contínua)
           vem todo o sistema e cuja efetividade é                             (Pablo et al., 2012).
                                                prevenindo e
           medida a partir de indicadores de quali-                            Em termos de domínios, a Gestão de
                                                minimizando as
           dade (Peralta, 2012). Este grupo engloba                            Risco deve focalizar-se: na atribuição
           ainda, a monitorização de indicadores-  suas consequências          pessoal, na engenharia e na organiza-
           -chave que permitem identificar onde as                             ção. No primeiro é dado ênfase aos atos
           falhas acontecem com maior incidência,                              individuais em que o risco depende ab-
           desenhando alertas e possibilitando a                               solutamente  da  pessoa.  No  modelo  de
           identificação da causa antes do acidente                            engenharia, a segurança é encarada com



                                                                  REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20  39
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