Page 8 - Anticoagulantes Orais Diretos
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EMERGÊNCIA DOS AOD

tunidade única de difundir conhe-         de fase III: dabigatrano (Pradaxa®),  Miguel Viana Baptista
cimentos, de forma a utilizar cada        rivaroxabano (Xarelto®), apixabano    Professor Auxiliar de Neurologia
vez mais e melhor a anticoagulação        (Eliquis®) e, mais recentemente,      Faculdade de Ciências Médicas da
e reduzindo o número de AVC”. O           edoxabano (Lixiana®).                 Universidade Nova de Lisboa
professor auxiliar de Neurologia da       Conforme sugere Pedro Marques         CEDOC – Centro de Estudos de
Faculdade de Ciências Médicas da          da Silva “é pouco relevante que se    Doenças Crónicas
Universidade Nova de Lisboa refere        discuta qual dos AOD é mais efi-      Diretor do Serviço de Neurologia,
ainda que, na prevenção secundária        caz. Na realidade, há espaço para     Hospital Egas Moniz, Centro
(doentes com fibrilhação auricular        todos, bem como para os ACO           Hospitalar de Lisboa Ocidental
que sofreram um AVC) “os dados            convencionais. Preocupante é que
sugerem que o benefício absoluto          haja doentes que não estão a rece-    “Na prevenção secundária, isto
da utilização dos AOD seja maior,         ber tratamento, ou que os que são     é, nos doentes com fibrilhação
face ao seu risco. Paralelamente, os      tratados apresentem níveis subte-     auricular que sofreram um
novos ACO parecem mostrar uma             rapêuticos, ou ainda doentes com      acidente vascular cerebral, os
mais-valia importante em relação          nível hemorrágico negligenciado”.     dados sugerem que o benefício
às complicações hemorrágicas,             Neste contexto, o especialista deixa  absoluto da utilização destes
com uma vantagem estatistica-             uma mensagem final aos profissio-     fármacos seja maior, face ao
mente significativa em comparação         nais de saúde: “Os médicos deve-      seu risco ainda mais elevado.
com a varfarina, no que respeita à        rão optar pela molécula que mais      Paralelamente, e também no
hemorragia intracerebral, uma das         segurança lhes oferece, procuran-     seu conjunto, os novos anticoa-
complicações mais temidas da tera-        do responder às necessidades in-      gulantes orais parecem mos-
pêutica anticoagulante”.                  dividuais do doente que têm à sua     trar uma mais-valia importante
Destes novos ACO, quatro estão            frente, percebendo a importância      em relação às complicações
já aprovados em indicações tera-          de avaliar a função renal e promo-    hemorrágicas, nomeadamente
pêuticas específicas, com base em         vendo a aderência do doente à tera-   com uma vantagem estatistica-
alargados ensaios clínicos estudos        pêutica”, afirma.                     mente significativa, por compa-
                                          Espera-se, no fundo, que esta clas-   ração com a varfarina, no que
  António Oliveira e Silva                se terapêutica contribua para me-     respeita à hemorragia intrace-
  Diretor do Serviço de Medicina Interna  lhorar o tratamento e prevenção das   rebral, uma das complicações
  do Hospital de Braga                    doenças tromboembólicas e que         mais temidas da terapêutica
                                          ajude a reduzir o encargo associado   anticoagulante”.
  “A minha experiência com os             ao tratamento crónico. Isto porque,
  novos anticoagulantes, quer em          apesar de o preço poder ser consi-
  situações de troamboembolis-            derado um entrave, todas as análi-
  mo arterial, quer em situações          ses recentes de custo-efetividade
  de tromboembolismo venoso,              – considerando custos diretos e in-
  é bastante boa, ou seja, os re-         diretos, bem como os custos asso-
  sultados na minha prática clíni-        ciados aos doentes não controlados
  ca regular são pelo menos tão           com terapêutica convencional – de-
  bons como aqueles obtidos em            monstraram que os ACO são custo-
  ambiente de ensaio clínico.”            -efetivos, como aliás também já
                                          havia sido demonstrado pelo NICE.
                                          Neste guia prático, é sumariamen-
                                          te apresentada a farmacologia dos
                                          AOD, procurando-se uma linhagem
                                          comum, num esforço de fundamen-
                                          tação das melhores opções tera-
                                          pêuticas no contexto específico da
                                          prática clínica dos especialistas em
                                          Medicina Geral e Familiar (MGF).
                                          Uma nota final para a expectativa
                                          de avanços inovadores nesta área,
                                          configurados pelos agentes de re-
                                          versão específicos (antídotos) da
                                          atividade anticoagulante dos AOD,
                                          que prometem voltar a alterar o pa-
                                          radigma da hipocoagulação.

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