Page 4 - Anticoagulantes Orais Diretos
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EMERGÊNCIA DOS AOD

Tratamento das doenças tromboembólicas

As mudanças de paradigma
na anticoagulação oral

O panorama da terapêutica anti-       mentares, resistência à varfarina       Pedro Monteiro
coagulante oral tem vindo a so-       e polimorfismos genéticos que           Cardiologista do Serviço
frer mudanças nos últimos anos,       influenciam a resposta ao fárma-        de Cardiologia A do CHUC
decorrentes do desenvolvimento        co, necessitando de monitorização       Responsável pela Unidade
farmacológico dos anticoagulantes     por rotina frequente para ajuste de     de Investigação Clínica em
orais diretos (AOD) – também de-      doses. Além disso, o facto da sua       Cardiologia do CHUC
signados por não-antagonistas da      ação anticoagulante ter um início e
vitamina K (NAVK).                    fim de ação lentos, dificulta muitas    “Desde o seu lançamento, os
Durante décadas, os antagonistas      vezes a abordagem do doente hi-         AOD revolucionaram a minha
da vitamina K (AVK) – muito em        pocoagulado quando este necessi-        prática clínica quanto à pre-
particular a varfarina – mantive-     ta de suspender a terapêutica por       venção do AVC no contexto de
ram-se como os únicos anticoa-        hemorragia ou para ser submetido        fibrilhação auricular. Anticoa-
gulantes orais (ACO) disponíveis      a manobras invasivas”, esclarece.       gular um doente é agora mui-
para o tratamento e prevenção de      Numa perspetiva macro, António          to mais fácil, seguro e eficaz,
eventos trombóticos, pese embora      Oliveira e Silva, diretor do Serviço    permitindo uma maior adesão
muitas das limitações à sua utiliza-  de Medicina Interna do Hospital de      à terapêutica e melhores resul-
ção, entre as quais se destacam a     Braga, acrescenta que “se conside-      tados para o médico, para a so-
necessidade de monitorização la-      rarmos o universo dos doentes an-       ciedade e para o doente. Tudo
boratorial e a variabilidade de res-  ticoagulados com AVK, na melhor         o que temos de fazer é avaliar
posta farmacológica.                  das hipóteses, só metade estarão        inicial e periodicamente a fun-
A enumerar o rol de reservas na       dentro da janela terapêutica pre-       ção renal e depois escolher o
utilização dos AVK na prática clíni-  tendida,  situação que condiciona       fármaco e a dose certa para
ca, Luciana Ricca Gonçalves, assis-   fortemente, quer  a eficácia global     cada doente”.
tente hospitalar graduada do Servi-   da terapêutica, quer a ocorrência
ço de Imunohemoterapia do Centro      de efeitos laterais, particularmen-   Hospital de Santa Cruz. Assim, há
Hospitalar de São João, explica que   te, de hemorragias graves”. Ar-       cerca de onze anos, começaram
falamos de “fármacos com uma          mando Mansilha, diretor do Serviço    a surgir os AOD: moléculas não
resposta anticoagulante imprevisí-    de Angiologia e Cirurgia Vascular     peptídicas, inibidoras de proteínas
vel, com grande variabilidade inter   do Hospital CUF Porto lembra ain-     fundamentais do sistema de coa-
e intra-individual, por múltiplas     da que “não é completamente re-       gulação (trombina e fator Xa), com
interações medicamentosas e ali-      sidual o facto de estarmos a falar
                                      de doentes mais idosos, alguns dos
Durante décadas,                      quais hipertensos não controlados,
                                      com maior tendência para fenóme-
os antagonistas                       nos hemorrágicos relevantes, pelo
                                      que os AVK mostraram não ser os
da vitamina K                         fármacos ideais em termos perfil
                                      de segurança, apesar da eficácia
mantiveram-se como os                 demonstrada”.
                                      “Estas limitações traduziram-se
únicos anticoagulantes                numa subutilização desta terapêu-
                                      tica, particularmente nos doentes
orais disponíveis                     idosos com fibrilhação auricular
                                      e, mesmo nos doentes tratados, o
para o tratamento e                   controlo da anticoagulação era fre-
                                      quentemente deficiente”, explica o
prevenção de eventos                  Dr. Jorge Ferreira, cardiologista do

trombóticos, pese

embora as muitas

limitações à sua

utilização

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