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QUADRO 2 | Inputs/ outputs usados no estudo
Inputs Outputs
Número de doentes saídos do internamento
Número total de sessões em hospital de dia
Custos totais com a produção Número total de episódios de urgência
Número total de consultas externas
Número total de cirurgias
Fonte: Elaboração própria
2. METOLOGIA - Slack Based Measure model) (Charnes, dada (número de casos tratados, número
A medição da eficiência hospitalar é Cooper & Rhodes, 1978; Cooper, Seiford de procedimentos realizados, número de
dificultada pelo próprio processo de & Tone, 2007). pacientes atendidos) (Moshiri, Aljunid, e
produção das unidades hospitalares O período temporal do estudo teve em Amin, 2010). Com base nestes factos de-
(Nunes, 2016). considerações os tempos das reformas finiram-se os inputs e outputs para este
Para analisar os efeitos da política de operacionadas, iniciando-se em 2002 estudo (Quadro 2).
empresarialização nas unidades hos- e terminando no ano 2013. Foi realiza-
pitalares procedeu-se à avaliação da da uma análise de fronteira global para 3. RESULTADOS
eficiência técnica, tendo para isso re- cada um destes anos e aplicaram-se Com a aplicação da metodologia DEA,
corrido ao método Data Envelopment modelos de programação linear que in- obteve-se para cada ano a eficiência mé-
Analysis (DEA). Através desta técnica, o cluíram todos os hospitais da amostra, dia das unidades hospitalares em Portu-
presente estudo tem como objetivo dar admitindo-se que estes tiveram acesso à gal. A figura 1 descreve a tendência evo-
resposta à seguinte questão: “A adoção mesma tecnologia. lutiva dos scores médios de eficiência ao
da gestão empresarial pelos hospitais longo dos anos.
públicos melhorou o seu desempenho Pela observação da evolução das médias
ao longo do tempo?” de eficiência, destaca-se um crescimen-
A DEA é um método não paramétrico e to de 20,88%, quando comparado o ano
determinístico de avaliação da eficiên- de 2013 com o ano de 2002. No entanto,
cia de cada unidade produtiva, que tem este crescimento não foi uniforme, re-
como referencial a fronteira de produção. A empresarialização gistando-se dois períodos distintos: um
Este modelo tratou-se de uma extensão primeiro, definido entre os anos 2002
da gestão das
ao trabalho de Farrel sobre a avaliação e 2004, que diz respeito ao processo de
da eficiência técnica, perante uma uni- unidades hospitalares empresarialização e que culminou com a
dade de produção que apresentava uma públicas foi assim mudança do estatuto jurídico (do Setor
multiplicidade de inputs e outputs. De- Público Administrativo para a forma de
consolidada com a
senvolvida em 1978 por Charnes, Coo- Sociedade Anónima de Capitais Exclusi-
per e Rhodes, a DEA ganhou uma grande reforma estrutural vamente Públicos) e um segundo perío-
importância a nível mundial, sendo o operada em Portugal do, iniciado em 2005, com a transição
método mais utilizado para análise da das unidades hospitalares para o regime
no ano 2002
eficiência (Charnes, Cooper & Rhodes, jurídico de Entidade Pública Empresarial
1978). Através deste modelo é possível (E.P.E.), que foi progressivamente evo-
comparar a eficiência técnica relativa luindo. Dentro deste último período de-
entre unidades similares e respetiva ca- Como amostra foram selecionadas para finido, registam-se nos anos 2009 e 2011
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tegorização dos hospitais de acordo com o ano de 2002 um total de 49 hospitais duas novas quebras. A primeira coincide
o score de eficiência obtido. para os quais foram definidos um conjun- com o ano eleitoral e a segunda com a
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O modelo DEA utilizado teve por base os to de inputs e outputs base para avaliar a crise que atingiu Portugal e levou à in-
conceitos de eficiência e supereficiência eficiência técnica. A seleção dos indicado- tervenção externa.
não radial (entre as unidades eficientes res para a medição da eficiência teve em
distingue as que são mais eficientes conta os processos produtivos e os res- 4. CONCLUSÕES
(benchmarking)), com Rendimentos petivos resultados. De acordo com a revi- A partir da análise dos dados observados
Variáveis à Escala (considera hospitais são da literatura, existem várias medidas regista-se um crescimento da eficiência
com diferentes dimensões desde que potenciais para avaliar a produção de um média relativa ao longo do tempo e que
produzam os mesmos produtos) e não hospital, sendo mais frequentes, as rela- os hospitais S.A. num curto prazo não se
orientada (considera a produção máxi- cionadas com meios financeiros (custos revelaram mais eficientes que os hospi-
ma com o mínimo de recursos aplicados realizados) e com a resposta assistencial tais SPA. No entanto, a continuidade da
30 REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20

