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QUADRO 1 | Experiências inovadoras de gestão hospitalar em Portugal
            Ano       Unidade hospitalar                     Experiência de gestão

            1995      Hospital Prof. Dr. Fernando da Fonseca  Concessão da gestão a entidade privada.

            1998      Hospital de São Sebastião              Introdução de uma gestão de natureza empresarial.
            1999      U.L.S. de Matosinhos                   Natureza empresarial que integra centros de saúde.

            2001      Hospital do Barlavento Algarvio        Introdução de uma gestão de natureza empresarial.

                                                                                  Fonte: Elaboração própria com base nos diplomas legais


           questões relacionadas com a sustentabi-  princípios da  New Public Management,   hospitais de média dimensão integrados
           lidade do sistema e com a equidade no   assumiu como base da reforma o modelo   no Setor Público Administrativo (SPA),
           acesso aos cuidados de saúde (Barros,   de gestão baseado nas regras empresa-  em 31 hospitais sociedade anónima
           2013; Nunes, 2016).               rial. Entre argumentação teórica desta-  (S.A.) (Lei n.º 27/2002 de 8 de novembro).
           Verificou-se,  nos  últimos  anos,  a  neces-  cavam-se ganhos como:   Após esta primeira medida de empre-
           sidade  de  tornar  o  sistema  mais  eficien-  Ÿ O maior controlo da despesa e obten-  sarialização, iniciada com Luís Filipe
           te sem prejuízo da qualidade, sendo esta   ção de um equilíbrio orçamental;  Pereira na tutela da pasta da Saúde,
           uma condição prévia e necessária. Este   Ÿ A melhoria do desempenho;  Correia de Campos, enquanto ministro
           facto levou os sucessivos Governos a re-  Ÿ A maior eficiência na gestão dos custos;  da Saúde,  deu continuidade a esta  es-
           pensar as suas políticas de saúde, o que   Ÿ A maior responsabilização dos gestores,   tratégia. As unidades hospitalares foram
           conduziu ao desenvolvimento de reformas   Ÿ A promoção da transparência e da pres-  progressivamente transformadas em
           no setor com o objetivo de promover uma   tação de contas           Entidades Públicas Empresariais (E.P.E.)
           cultura  de  gestão  mais  eficiente,  eficaz   Ÿ A melhoria da qualidade;  (Decretos-Lei n.º 93/2005, de 7 de julho e
           e efetiva (Alves, 2014; Fernandes, 2014;   Ÿ O aumento da satisfação dos profissio-  n.º 233/2005, de 29 de dezembro), tran-
           Harfouche, 2008, 2012). Deste modo, des-  nais pela implementação de incentivos   sitando assim os 31 hospitais S.A. e mais
           de meados dos anos 90, a política de saúde   de desempenho (Abreu, 2011; Edwards,   cinco hospitais SPA para o estatuto de
           atribuiu aos hospitais uma especial aten-  Carrol, & Lashbrook, 2011; Nunes, 2016).   E.P.E.. Nos anos seguintes prosseguiu-
           ção e como tal, era pretendida a máxima   Para testar as novas ideologias foram im-  -se com a política de empresarialização.
           rentabilização da capacidade técnica e dos   plementadas quatro experiências inova-  Atualmente, existem 39 entidade E.P.E:
           meios existentes para dar continuidade à   doras de gestão, baseadas: na concessão   11 hospitais (incluindo três IPO); 20 cen-
           prestação social com qualidade e bons re-  a  entidades  privadas;  na  introdução  de   tros hospitalares; oito unidades locais
           sultados (Casella, 2009; Vaz, 2010). De for-  uma gestão de características empresa-  de saúde. O Centro Hospitalar do Oeste
           ma a atingir os objetivos delineados, era   riais e na constituição de unidades locais   é a única unidade não especializada que
           necessário mudar o paradigma da gestão,   de saúde (pela agregação dos cuidados   ainda detém o estatuto de entidade do
           inovando para um modelo que promoves-  de saúde hospitalares com unidades dos   Setor Público Administrativo.
           se o acesso, a eficiência e a produtivida-  cuidados de saúde primários) (Quadro 1)   As reformas na Saúde e a mudança or-
           de, revertendo as ineficiências apontadas   (Simões, 2004a, 2004b).  ganizacional  desempenharam  em  Por-
           à administração dos hospitais (Campos,   Todas estas medidas tinham como obje-  tugal um papel importante no setor,
           2007, 2008; Harfouche, 2012).     tivo um maior controlo da despesa e a   permitindo aplicar e direcionar as novas
           Em Portugal, as reformas implementa-  obtenção de um equilíbrio orçamental,   medidas, de modo a que estas se im-
           das na gestão hospitalar acompanharam   tal como o realizado pela gestão em uni-  plementassem no terreno (Sakellarides,
           as transformações ocorridas na adminis-  dades privadas (Abreu, 2011).   2006). Contudo, “houve situações em
           tração pública. Na década de noventa,   A empresarialização da gestão das uni-  que se passou de processo de transfor-
           foi adotada a perspetiva da  New Public   dades hospitalares públicas foi assim   mação em processo de transformação,
           Management (Nova Gestão Pública), par-  consolidada com a reforma estrutural   sem que se tenha avaliado o que cor-
           tindo da tomada de consciência de que o   operada em Portugal no ano 2002, onde   reu bem ou mal no processo anterior”
           modelo dos hospitais integrados no Se-  foram  definidos  novos  estatutos  jurídi-  (Bilhim, 2013, p. 277). Esta expressão
           tor Público Administrativo, então vigen-  cos para os hospitais (Resolução do Con-  traduz a necessidade e a importante
           te, era predominantemente burocrático   selho de Ministros n.º 41/2002).   de promover a realização de estudos de
           e hierarquizado (Nunes, 2016).    A primeira fase de empresarialização dos   eficiência e desempenho das unidades
           A política de saúde para a gestão hos-  hospitais públicos, iniciada em 2002,   públicas e justifica assim a pertinência
           pitalar em Portugal, com influência nos   caraterizou-se pela transformação de 34   da realização deste estudo.



                                                                  REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20  29
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