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Diminuição de conflitos: a nível de procedimentos, mas também acrescentem valor para o doente. Deste
Em unidades integradas espera-se que de pessoal (Leatt et al., 2000; Sobczak, modo, diminuem-se atividades dispen-
a gestão conjunta promova uma articu- 2002), sendo que a duplicação de atos e diosas racionalizando a prestação de cui-
lação positiva entre os diferentes níveis procedimentos é uma realidade comum dados (Santana et al., 2009).
de prestação. Importará salvaguardar as dos sistemas não integrados (Santana O conhecimento prévio do doente pro-
áreas tanto da produção, como do finan- et al., 2009). Em unidades fragmentadas move a diminuição de tempo na consul-
ciamento e da avaliação do desempenho, aumentam-se custos de transação e não ta e reduz prescrições de exames labora-
de forma a não existirem desigualdades se permite uma gestão conjunta de pro- toriais e imagiológicos (Hjordahl, 1992).
que potenciem a diminuição da qualida- cessos e recursos, o que não promove or- Paralelamente diminui a duplicação de
de (Santana et al., 2009). ganizações custo-efetivas (Gröner et al., prescrições e previne o uso desnecessá-
2001; Lopes et al., 2014). rio dos serviços (Chan et al., 2012).
Aumenta o poder de mercado: A alocação de recursos financeiros ao A realçar que a preferência pelo ambula-
Nas unidades integradas existe maior continuum de cuidados, para além de di- tório, para tratamento e/ou diagnóstico
poder de intervenção tanto a nível fi- minuir os custos de tratamento, permite de doentes, que acrescente ganhos em
nanceiro como nas negociações exter- uma melhor utilização dos recursos exis- saúde só é possível em unidades integra-
nas com fornecedores, o que se traduz tentes, bem como a uniformização de das (Santana et al., 2009).
numa vantagem competitiva face ao procedimentos (Sobczak, 2002). Instituições integradas conseguem uma
mercado externo. Assim, como são or- A prestação de cuidados por linhas de melhor e mais eficiente negociação com
ganizações com maior capacidade de produção permite aumentar a quali- fornecedores competindo através de pre-
resposta a problemas externos, existe dade da prestação e diminuir custos ços mais baixos, o que por sua vez permi-
uma capacidade de decisão mais abran- (Parker et al., 2001). O agrupamento te diminuir custos financeiros (Konetzka
gente (Wan et al., 2002). por linhas de produção centra-se em et al., 2008).
programas de gestão da doença (dia- No seu estudo Konetzka et al., (2008) de-
Potencia economias de escala: betes ou hipertensão), em segmentos monstraram que a integração de cuida-
As economias de escala são mais comuns populacionais (saúde infantil) ou em dos tem um impacto positivo em termos
na integração horizontal de cuidados. procedimentos (intervenções cirúrgi- de custos sendo, no caso apresentado, a
Contudo, na integração vertical também cas) (Parker et al., 2001). variação de US$ 1.991. Todavia, e a longo
é possível este efeito pela coordenação No caso de doenças como a diabetes, prazo, parecem não existir grandes alte-
dos diferentes níveis de cuidados, au- doença cardíaca e asma, pode encontrar- rações na contenção da despesa, poden-
mentando a produção quantitativa e -se na literatura estudos que demons- do mesmo estar associada a um aumento
qualitativamente (Santana et al., 2009). tram que é possível reduzir os custos as- da mesma sobretudo em mercados ante-
sociados quando se implementam pro- riormente sujeitos às pressões da con-
1.4. Expetativas da integração de gramas de gestão de doenças crónicas corrência. Salienta-se ainda que, apesar
cuidados (Bodenheimer et al., 2007), bem como a de a longo prazo o impacto não ser tão
Em Portugal, os estudos concretos sobre diminuição das taxas de hospitalização notório, mantém-se a sua vantagem na
o impacto da criação das ULS na redução destes doentes (Krause, 2005). contenção. (Konetzka et al., 2008).
dos custos em saúde são inexistentes. A investigação internacional comprova
De referir que a integração de cuidados que quando a continuidade de cuida- 1.5. Apuramento de custos por doente
deve ser encarada como uma mudança dos não é privilegiada, e até é diminuta, Atualmente, a valorização dos consu-
necessária para dar resposta aos novos as taxas de utilização dos serviços de mos dos centros de produção deve dar
desafios, sendo que a capacidade de be- urgência e de internamento são mais lugar a uma abordagem centrada nos
nefício terá de ser considerada a médio elevadas e a duração de internamento consumos de cada doente concreto,
e longo prazo. Deve ser considerada um também aumenta (Mainous et al., 1998; visto que as caraterísticas dos doentes
processo facilitador para alcançar os out- Rosenblatt et al., 2000; Christakis et al., influenciam o consumo de recursos.
comes necessários e não como um resul- 2000; Ionescu-Ittu et al., 2007; Cheng et Assim, um sistema de apuramento de
tado em si mesmo (Lopes et al., 2014). al., 2010; Cheng, et al., 2011). custos por doente permite o nível de in-
A redução de custos unitários não se tra- As unidades integradas promovem a formação detalhada desejada.
duz em vantagens competitivas no que diminuição da demora média de inter- A metodologia de custeio por doente
respeita à eficiência. É preciso promover a namento, bem como uma redução dos consiste numa abordagem tipo bottom-
saúde e prevenir a doença tendo como pri- custos inerentes, e ainda o decréscimo -up e prevê a imputação de todos os cus-
mazia o ambulatório (Conrad et al., 1990). dos eventos adversos (Rotter et al., 2010). tos resultantes do processo produtivo
A eficiência de custo implica a redução de A existência de informação integrada durante o episódio de doença. Para tal é
procedimentos desnecessários ao longo e disponível em unidades integradas necessário um sistema informático ca-
do processo de produção. Em unidades promove a tomada de decisão efetiva paz de suportar todos os registos neces-
integradas evita-se a duplicação não só sobre os atos ou procedimentos que sários (Phelan et al., 1998).
16 REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20

