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como necessárias, para o sistema de saú-  considerando para efeito o lado da   2004) bem como a redução de complica-
           de português, no Relatório “Os Cidadãos   oferta e o lado da procura.  ções (Christakis et al., 2001). Tal tenderá
           no centro do Sistema, os Profissionais no   No que respeita ao impacto positivo da   a ter um impacto positivo na redução
           centro da mudança” (Lopes et al., 2014).   integração do lado da procura destaca-se:  dos custos.
           No Decreto-Lei n.º 11/93, de 15 de ja-                              Peikes  (2009)  concluiu  no  seu  estudo
           neiro, já se salientava que a dicotomia   Foco no doente:           que as taxas de hospitalização são me-
           entre  cuidados  de  saúde  primários  e   Os sistemas integrados são orientados   nores em sistemas com primazia pela
           cuidados hospitalares não promovia a   para as necessidades dos consumidores   gestão integrada da doença, assim como
           eficiência da prestação, sendo necessá-  com o objetivo de responder a necessi-  o tempo de internamento por todas as
           ria a criação de unidades de saúde inte-  dades reais e concretas através de siste-  causas também diminui em sistemas in-
           gradas que se articulassem entre si com   mas de ajustamento pelo risco (Santana   tegrados (Rice et al., 2010). O que reflete
           vista a uma gestão de recursos geradora   et al., 2009).            também uma redução de custos traduzi-
           de mais ganhos.                   Uma gestão adequada do doente con-  da na eficiência do tratamento.
           Assim, em 1999 iniciou-se a criação das   creto pode traduzir-se numa melhoria
           unidades locais de saúde (ULS) em Por-  da  qualidade  e  eficiência.  Num  estudo   Orientação do doente dentro do sistema:
           tugal, com a ULS de Matosinhos.   de Okin (2010), concluiu-se que a gestão   A facilidade de acesso a uma única ins-
           Posteriormente, foram criadas mais sete   adequada do doente concreto poderia   tituição prestadora de cuidados de saú-
           ULS em diversas regiões de Portugal Con-  traduzir-se numa diminuição de custos   de diminui a desorientação do doente
           tinental, concretamente no Norte Alen-  médios hospitalares de US$ 21.022 para   no sistema e promove a sua satisfação
           tejano, no ano de 2007 (Decreto-Lei n.º   US$ 14.910.               podendo criar  outputs  sociais positivos
           50-B/2007, de 28 de fevereiro), no Baixo                            (Wheeler et al., 1999; Leatt et al., 2000;
           Alentejo, Guarda e Alto Minho, em 2008   Promoção da saúde:         Sobczak,  2002).  A  facilidade  de  acesso
           (Decreto-Lei n.º 183/2008 de 4 de setem-  O abandono de  um sistema  de saú-  poderá também ter impacto positivo em
           bro), em Castelo Branco, no ano de 2009   de centrado no tratamento da doen-  termos de tempo, de diminuição de visi-
           (Decreto-Lei n.º 318/2009, de 2 de no-  ça para um sistema que privilegia a   tas repetidas, assim como da duplicação
           vembro), em Trás-os-Montes, em 2011   promoção da saúde e a prevenção da   de pagamentos (Leatt et al., 2000; Sobc-
           (Decreto-Lei n.º 67/2011 de 2 de junho) e   doença é uma caraterística das unida-  zak, 2002).
           no Litoral Alentejano, em 2012 (Decreto-  des integradas. O seu objetivo passa
           -Lei n.º 238/2012 de 31 de outubro).  pela melhoria do estado de saúde das   Qualidade dos cuidados prestados:
           Internacionalmente também encontra-  populações uma vez que a sua base de   Em  unidades  integradas  a  redução  do
           mos modelos de integração vertical de   financiamento é capitacional (Byrne et   risco clínico, promovendo uma cultu-
           cuidados na tentativa de fazer face às   al., 1999; Suter et al., 2007).   ra de segurança do doente, é possível.
           despesas de saúde e aumentar a qua-  A título de exemplo, no caso da doen-  A existência de normas e de protoco-
           lidade dos cuidados prestados (Lopes    ça crónica promove-se o autoconheci-  los  promove  essa  mesma  cultura  de
           et al., 2014).                    mento  com o objetivo de  se potenciar   segurança, minimizando o risco (Stille
           O conceito de managed care surge na rea-  o autocuidado e diminuir complicações,   et al., 2005).
           lidade americana com o intuito de racio-  privilegiando-se as visitas domiciliárias   O trabalho no seio de uma equipa multi-
           nalizar os serviços de saúde numa altura   (Leatt et al., 2000).    disciplinar, onde a comunicação é fluida
           em que os gastos são elevados (Andrade   Os sistemas integrados com privilégio   e eficaz, permite a partilha de conheci-
           et al., 2000).                    pela continuidade de cuidados poten-  mentos, com responsabilidade coletiva,
                                             ciam a efetividade do tratamento e   o que por sua vez promove a qualidade
           1.3. Potenciais ganhos da integração   previnem doenças agudas (Kibbe et al.,   da prestação (Santana  et al., 2009).  No
           vertical de cuidados              1993). Assim, a organização da produ-  seio das equipas multidisciplinares, a
           Num contexto de produção de serviços   ção tendo em conta doenças específicas,   complementaridade  de  saberes  permite
           complexos como é o setor da saúde, a   originou o conceito de gestão integra-  respostas mais adequadas às necessida-
           integração vertical de cuidados permite   da da doença, ou  disease management   des, assim como se promove a formação
           melhorar todo este processo através da    (Escoval et al., 2010).   dos profissionais no seio da equipa (Do-
           interligação das diferentes linhas de pro-  No caso do doente diabético, estudos de-  nohoe et al., 1999).
           dução (Santana et al., 2009).     monstraram que a continuidade de cui-  O acesso central aos dados clínicos do
           A Comissão Europeia, em 2004, reconhe-  dados  está  relacionada  com  a  melhoria   doente é outro aspeto que melhora  a
           ceu que a integração de cuidados é vital   do bem-estar a vários níveis: físico, so-  qualidade dos cuidados, diminuindo o
           para a sustentabilidade do sistema de pro-  cial, mental e perceção da dor (Hannien   risco  e  promovendo  a  eficiência  (Leatt
           teção social da Europa (Lloyd et al., 2006).   et al., 2001). O melhor controlo glicémi-  et al., 2000).
           Apresentam-se os potenciais ganhos   co também está relacionado com a con-  No que respeita ao impacto da integra-
           da integração vertical de cuidados   tinuidade de cuidados (Mainous  et  al.,   ção do lado da oferta destaca-se:



                                                                  REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20  15
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