Page 25 - RPGS n.º 24
P. 25
Graça Freitas
Diretora-Geral da Saúde
Retrato da Saúde 2018
Enquadramento
Portugal assiste, atualmente, a uma materna, que nos situavam entre os paí- dessas doenças e controlando outras,
profunda mudança do seu perfil demo- ses com os piores indicadores da Europa colocando-nos num lugar de destaque a
gráfico e epidemiológico, à semelhança Ocidental, hoje temos esses valores ao nível internacional.
do que acontece com os países desen- nível dos melhores do mundo. Perto de completar 40 anos, o Serviço
volvidos. E isso traz grandes desafios à Através de melhores condições higios- Nacional de Saúde permitiu conquistas
sociedade e ao sistema de saúde. Se nos sanitárias e de um Programa Nacional inquestionáveis. Prestamos cuidados de
anos 60 e 70 do século passado nos de- de Vacinação geral, universal e gratui- elevada qualidade à população, melho-
batíamos por reduzir elevadas taxas de to, mudámos o paradigma das doenças rámos o seu acesso à saúde e encontrá-
mortalidade infantil e de mortalidade infeciosas no país, eliminando algumas mos respostas para os novos problemas
que enfrentamos. A esperança de vida
dos portugueses ultrapassa, atualmente,
os 80 anos, sendo mais elevada do que a
média da União Europeia, e o número de
pessoas com mais de 75 anos é superior
a um milhão, facto de que nos devemos
orgulhar. Viver mais é uma conquista.
Viver melhor é um desafio.
Este contexto demográfico marcado
pelo envelhecimento da população tem
reflexos no estado da nossa saúde, com
destaque para o aumento significativo
de doenças crónicas e para um elevado
número de pessoas portadoras de múl-
tiplas patologias que exigem uma com-
plexidade de cuidados inquestionável. A
par disto, sabemos, hoje, que na origem
da maioria das doenças que provoca a
morte ou a perda de qualidade de vida
estão fatores de risco passíveis de ser
modificados e, consequentemente, evi-
tados. A aposta na promoção da saúde
e na prevenção da doença é uma prio-
ridade. Uma população mais saudável
é um fator crítico de sucesso para uma
sociedade mais produtiva, sustentável
e economicamente competitiva. Os de-
terminantes sociais e ambientais devem
REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 24 25

