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não fossem consideradas na sua totali-                             Por outro lado, nota-se a crescente e
          dade e não apenas como “peças huma-                                constante preocupação dos gestores em
          nos” ou inputs simples dos quais a em-                             sustentar as suas decisões em indicado-
          presa dispunha e dava como adquiridos.                             res mais abrangentes e que lhes mos-
          Com efeito, as pessoas começaram a ser                             trem informações referentes à satisfa-
          consideradas como um recurso extrema-  Pode então                  ção do cliente, à qualidade dos produtos,
          mente valioso para as organizações, pelo   concluir-se             à  participação  no  mercado,  à  inovação,
          que começaram a desenvolver-se teorias                             às habilidades estratégicas, etc. (Callado
                                              que a cultura
          acerca dos comportamentos destas den-                              et al., 2011). Este novo comportamento
          tro da organização e tornou-se óbvia a   organizacional            é fruto das recentes interrelações na cul-
          necessidade de teorizar e estudar a cul-  é um conceito            tura organizacional, quando as empresas
          tura das organizações.                                             passam a ser percebidas holisticamente,
                                              relativamente
          Dalcegio e Trevisol (2018) teorizam que                            com a sua estratégia e os seus objetivos
          a cultura organizacional é o modelo de   recente e que não         específicos,  com  as  suas  peculiaridades
          pressupostos básicos que um grupo as-  reúne consenso              ambientais e culturais e, especialmente,
          similou na medida em que resolveu os                               com as pessoas ali integradas.
                                              entre os vários
          seus problemas de adaptação externa e                              A classificação mais comum destes indi-
          integração interna e que, por ter sido su-  autores que            cadores é estruturada em duas catego-
          ficientemente eficaz, foi considerado vá-  a definem               rias, segundo Dalcegio e Trevisol (2018):
          lido e transmitido aos outros membros                              indicadores de qualidade e de produtivi-
          como  a  maneira  correta  de  perceber,                           dade. Explicam que enquanto os primei-
          pensar  e  sentir  em relação àqueles pro-                         ros estão relacionados com a satisfação
          blemas. Harwiki (2016) reforça esta ideia                          do cliente, parceiros, etc., o segundo gru-
          afirmando que a cultura organizacional                             po mede o desempenho dos diferentes
          é aprendida, transmitida e partilhada.                             processos de uma organização. Pode-se
          Afirma  ainda  que  esta  não  decorre  de                         afirmar,  então,  que  esta  classificação
          uma herança biológica ou genética, por                             está baseada nos aspetos subjetivos (in-
          outro lado, resulta de uma aprendizagem                            dicadores de qualidade) e objetivos (indi-
          socialmente condicionada.        •  Holística, isto é, refere-se a um todo   cadores de produtividade) de uma orga-
          Alagaraja  e  Shuck  (2015)  afirmam  que   que é mais que a soma das partes;  nização. Desta maneira, indicadores que
          a cultura organizacional é todo um   •  Historicamente  determinada,  refletin-  medem a satisfação dos clientes, dos
          conjunto, inconsciente e implícito nas   do a história da organização;  fornecedores e dos stakeholders, o clima
          ações, de crenças, tradições, valores, cos-  •  Relacionada  com  aspetos  dos  an-  organizacional, entre outros, compõem
          tumes, expectativas e hábitos partilha-  tropólogos,   como   estudar   rituais     a categoria dos indicadores de qualida-
          dos e que caracterizam um grupo parti-  e símbolos;                de;  por outro lado, os que mensuram
          cular de pessoas.                •  Socialmente construída, criada e pre-  o volume de vendas, a participação no
          Yousef (2017) teoriza que a cultura orga-  servada pelo grupo de pessoas que, jun-  mercado, a inadimplência, o absenteís-
          nizacional é o conjunto de valores, cren-  tas, formam a organização;  mo, etc., pertencem ao grupo dos indica-
          ças e tecnologias que mantêm unidos os   •  Suave;                 dores de produtividade.
          diferentes membros de uma organiza-  •  Difícil de mudar, embora este ponto   O clima organizacional é, segundo Lis-
          ção, dos vários escalões hierárquicos, pe-  não seja consensual. Existem alguns   boa  et  al. (2013, p. 268), “a atmosfera
          rante as dificuldades, as práticas organi-  autores que afirmam que a dificuldade   psicológica, social e humana que cara-
          zacionais e os seus objetivos. Pode ainda   de alterar a cultura organizacional não   teriza o quotidiano da vida interna da
          afirmar-se que é esta que transmite aos   é assim tão grande.      organização e a forma como as pessoas
          stakeholders as perceções e os símbolos                            se relacionam no seu contexto”. Na vi-
          que se traduzem na imagem corporativa.  Pode então concluir-se que a cultura or-  são de Vega et al. (2010, p. 87), o con-
          Hofstede (1991, cit. por Zonatto  et al.,   ganizacional é um conceito relativamen-  ceito de clima organizacional é “uma
          2012) defende que a cultura organizacio-  te recente e que não reúne consenso   ajuda para predizer os fenómenos or-
          nal é a programação coletiva da mente   entre  os  vários  autores  que  a  definem.   ganizacionais e constitui um laço com
          que distingue os membros de uma orga-  Contudo, é atingido o consenso acerca   outros constructos organizacionais
          nização de outra. Reconhece, contudo,   da importância desta numa organização   com os que forma  uma  rede nomo-
          que este conceito não é unânime entre   e  da  influência  desta  na  performance   lógica, com uma variável de sistema
          os mais variados autores, mas que quase   das organizações, bem como da perti-  através do qual se pode analisar e com-
          todos eles concordam que esta está liga-  nência do seu estudo e do estudo das   preender a conduta dos indivíduos e os
          da aos seguintes aspetos:        suas repercussões.                grupos nas organizações.”



                                                                  REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 26  11
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