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GERIR o pilar mais importante de agre- necessidades das populações com enfâ-
gação e conciliação da comunidade em se nos idosos e nos doentes de evolu-
que vivemos. ção prolongada.
A classe política tem
A CLASSE POLÍTICA TEM TAMBÉM DE Devemos incrementar o controlo do
de perceber que não
PERCEBER DE UMA VEZ POR TODAS planeamento de tecnologia cara e alta-
há nenhuma reforma
QUE não há nenhuma reforma que con- mente sofisticada, sua instalação e área
siga ter sucesso sem incluir aqueles que que consiga ter de influência.
estão na linha da frente e que a todo o sucesso sem incluir
momento têm a responsabilidade de Devemos continuar o trabalho na pro-
aqueles que estão
tomar decisões que afetam a vida das moção de hábitos de vida saudáveis em
na linha da frente
pessoas: OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, conjugação com outros ministérios, na
e que a todo
COM DESTAQUE PARA OS MÉDICOS, política do medicamento e nos genéricos.
que assumem decisões de uma dimen- o momento têm
são maior que NUNCA se poderá compa- a responsabilidade É importante incrementar políticas de
rar a qualquer outra profissão. parceria com o setor privado onde es-
de tomar decisões
tas sejam mais favoráveis ao paciente
que afetam a vida
E os profissionais de saúde têm de e ao Estado.
estar motivados. das pessoas: os
profissionais de Fazer continuamente uma avaliação
Enquanto existirem chefes que não são rigorosa dos cumprimentos das regras
Saúde, com destaque
líderes e gestores sem competência ou estabelecidas com os gestores das uni-
para os médicos, que
sensibilidade para o cargo, os profissio- dades de saúde e restruturação das mes-
nais de saúde irão continuar desmotiva- assumem decisões mas onde o Estado possa melhorar os
dos e alheados da gestão de serviços e de uma dimensão ganhos de saúde.
unidades onde estão incorporados.
maior que nunca
Repensar a formação de médicos nas
se poderá comparar
Ao mesmo tempo, temos de pensar universidades sem complexos e depois
nas carreiras e nas remunerações em a qualquer outra nas suas especializações enriquecendo
função da produção efetiva, com medi- profissão a capacidade formativa para a cria-
ções contínuas do valor produzido, pois ção de profissionais com graus muito
esta alavanca é imprescindível para o elevados de excelência que permitirão a
cumprimento dos objetivos propostos. Devemos continuar a apostar de forma criação inequívoca de VALOR e, por con-
Medir apenas a quantidade de atos na continuada na prevenção, com priorida- sequência, menos custos para a Saúde a
saúde é um modo muito mau de avaliar de nos cuidados primários, colocando as médio e longo prazo.
o desempenho e deveria ser descartado pessoas aos poucos a gerir a sua saúde e
logo que possível. a sua doença, utilizando a figura de apoio Por fim, há que pensar rápida e seria-
do gestor do paciente e da família no quo- mente em ter um SERVIÇO NACIONAL
Se isto é a base de sucesso de qualquer tidiano e a do cuidador informal nos ca- DE SAÚDE AUTÓNOMO e conve-
empresa, na SAÚDE deve ser obrigatório. sos de doenças prolongadas com necessi- nientemente afastado do Ministério
dades especiais de apoio continuado. da Saúde, gerido por um grupo restrito
É assim inevitável a aposta na escolha de de profissionais de elevada competência
gestores com formação clínica de base e/ Relembro que devemos repensar o modelo e com ampla autonomia para assumir o
ou com vocação para a gestão das unida- de financiamento da Saúde, incluindo não orçamento da Saúde, escolhidos pelo go-
des de saúde. só o dinheiro dos contribuintes através do verno do momento e com mandatos que
Orçamento do Estado, mas imaginando ultrapassem o tempo de uma legislatura,
Precisamos de procurar verdadeiros líde- outras situações que possam acrescentar para poderem restruturar / reformar po-
res a quem forneceremos melhores mais valias, baixando a contribuição direta sitivamente toda a pesada estrutura da
recursos e maior autonomia pe- do paciente, que aumenta ano após ano. Saúde, recriando um SNS mais robusto e
dindo em troca responsabilidade e ainda muito mais eficaz e eficiente.
prestação de contas. Pelo menos na Não esquecer de olhar para as Miseri-
Saúde, temos de acabar, de uma vez por córdias e outras entidades não lucrati- Este será, para mim, “o passo decisivo”
todas, com a gestão de cargos em função vas de uma forma desinibida e integrá- para quem quiser seriamente pensar
das clientelas que os partidos políticos se -las cada vez mais na rede nacional dada num sistema que cumpra o melhor pos-
vão obrigando a servir. a sua proximidade e conhecimento das sível a Constituição Portuguesa.
REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 26 9

