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para os médicos, que conhecem bem o
sistema onde trabalham e que tenham
formação em gestão; um trabalho
intensivo serviço a serviço, unidade a
unidade, em conjunto com todos os que
trabalham diariamente no terreno para
se poder maximizar as potencialidades
e minimizar as gorduras e por fim
um plano realista e racional para a
prevenção da doença.
Posso-lhe dizer que estou neste
momento a fazer um trabalho
temporário de ajuda e avaliação de
um serviço público e, nos primeiros
momentos, apeteceu-me pura e
simplesmente desistir porque as
dificuldades pareciam insuperáveis.
Acredite que, mesmo num serviço
extremamente carenciado em todos os
aspetos, conseguimos quase sempre
encontrar motivos para pensar que
é possível melhorar com algum
investimento mas, mais do que tudo,
mostrando caminhos, inovando e
mudando comportamentos.
Também recorrente no debate
sobre a gestão do sistema de Saúde,
é a questão da separação entre
o financiador e o prestador de
cuidados, condição tida como sine
qua non, para a criação de mercado
interno concorrencial, que
um parto sem complicações. E já agora, até maio deste ano, o valor médio promova a eficiência e a qualidade,
se para se manter uma maternidade de subida mensal foi de 20 milhões permitindo a livre escolha por
pública de portas abertas em “segurança” de euros. Continuamos na mesma! parte dos utentes dos prestadores
é obrigatório que se façam um mínimo O que se passa? É desorçamentação que melhor se lhe adequem. Ainda
de x partos/ano, quantos partos/ano ou má gestão? continua por realizar. Porquê?
precisam de fazer as unidades privadas Não podemos dizer que será uma coisa Numa situação como a nossa, em
para se considerarem seguras pela ou outra neste momento, porque já que os métodos não são muitas vezes
mesma entidade? sabemos que os custos em saúde irão entendidos como transparentes e
continuar a aumentar quer queiramos em defesa do bem público, é quase
Pesem as promessas, recorrentes, ou não. O que precisamos de fazer impossível nesta fase fazer uma
de que “agora é que é: vamos – e acredito que em muitos casos é separação eficiente entre o financiador
pôr contas em dia”, feitas por extremamente difícil porque todos (essencialmente, o Estado através das
sucessivos ministros e gestores de querem resultados a curto prazo – é dotações do orçamento) e o prestador
instituições do setor empresarial investir em melhores políticas de gestão de cuidados (na esmagadora maioria,
do estado, a verdade é que o a nível local para que possamos ter o próprio Estado através dos mesmos
relatório de execução orçamental mais-valias a médio prazo. organismos). Antes de se criar um
divulgado em junho, vem O que precisamos são essencialmente mercado interno concorrencial há que
demonstrar que o valor da dívida três coisas: uma escolha criteriosa promover condições para que todos
dos hospitais EPE tem vindo a das melhores pessoas para os cargos possam angariar pacientes e quotas de
aumentar desde o final do verão de de gestão intermédia e de topo com mercado em estado de igualdade onde
2015, aproximando-se dos valores apostas nítidas e inequívocas nos depois o que irá contar será a melhor e
2013, 2014. De setembro de 2015 profissionais de saúde, com destaque mais adequada prestação de serviços.
REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 20 9

