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8 PRÁCTICA CLÍNICA

                     Terapêutica inalatória
                     – o que há de novo?

                                            Nos últimos anos aumentaram os medicamentos para a asma e para a doença pulmonar
                                            obstrutiva crónica (DPOC) e, consequentemente, o número de diferentes inaladores. Portugal
                                            seguiu a tendência mundial e actualmente temos cerca de 15 inaladores totalmente diferentes:
                                            inaladores pressurizados de dose calibrada (pMDI), inaladores de pó seco (DPI), respimat, para
                                            além dos tradicionais nebulizadores.

   Eurico
   Silva

Os pMDI são os mais antigos e          que são verdadeiros “quebra-            por todos os profissionais de      Eurico Silva
apresentam, como novidade, um          -cabeças”. Ao contrário dos             saúde, médicos, enfermeiros,
autohaler em que o “disparo do         pMDI, a inalação deve ser rápida        fisioterapeutas, farmacêuticos     Médico de família
puff” é activado pela inalação,        e vigorosa, o que poderá ser um         que contactem com inaladores.      na USF João
evitando a necessidade da              constrangimento em situações            Inúmeros estudos provam que        Semana (Ovar)
difícil coordenação mão-pulmão         agudas e em alguns doentes sem          a revisão contínua do uso do
(iniciar inalação lenta e activar o    capacidade inspiratória.                inalador reduz o número de         Coordenador
inalador de seguida), mas este         O respimat é a classe mais recente      erros, melhora o controlo da       do Grupo de
avanço está apenas disponível          de inaladores e traz algumas            doença e aumenta a adesão à        dispositivos
para a beclometasona. Aos pMDI         vantagens. Como gera uma nuvem          terapêutica. Cerca de um terço     inalatórios do
podem-se associar as câmaras           lenta o doente pode inalar sem          não faz a expiração prévia         GRESP
expansoras, que também                 esforço inspiratório, ao contrário, do  forçada antes da inalação.
sofreram evolução, tornando-se         que acontece com os DPI. A inalação     Os erros com a activação e a
pequenas, cómodas, portáteis           deve ser lenta e profunda tal como      inalação são muitos. Também
e antiestáticas (de metal ou           se faz num pMDI. Têm actualmente        um terço dos doentes não faz a
plástico). São uma opção               pouca oferta terapêutica.               importante apneia final.
lógica para todas as idades e                                                  Em suma, peça ao doente para
não só para as crianças como           REVISÃO DA TÉCNICA                      demonstrar como faz o seu
habitualmente vemos, pois              INALATÓRIA É IMPERIOSA!                 inalador pois, apesar de todos
melhoram a deposição pulmonar                                                  os avanços da terapêutica
e reduzem os efeitos secundários       O que não é novidade são os             inalatória, cerca de quatro em
locais e sistémicos. Quando for        múltiplos erros associados ao           cada cinco comete pelo menos
altura de substituir uma câmara        uso de inaladores apesar do             um erro na inalação.
expansora é importante escolher        aperfeiçoamento dos mesmos.
um modelo actual antiestático.         A revisão da técnica inalatória         PEÇA PARA DEMONSTRAR!
Os nebulizadores de compressão,        é imperiosa e deve ser feita            Mais informação em: www.gresp.pt.
ultrassónicos ou de tecnologia
vibração mesh também evoluíram
para aparelhos mais pequenos
e igualmente eficientes, alguns
até funcionando com pilhas ou
baterias. Apesar desta evolução,
os nebulizadores, na maioria das
situações, devem ser preteridos
em função das câmaras
expansoras pois estas são mais
eficientes, rápidas e económicas,
além de terem uma maior
disponibilidade de fármacos.
Os DPI são o grupo com mais
inaladores, existindo os unidose
em cápsula e os multidose. A
tendência é para a simplificação
do sistema de activação da dose
mas ainda se encontram alguns

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