MSD
A MSD adquiriu a IOmet, empresa especializada no desenvolvimento de terapêuticas inovadoras para o tratamento do cancro, com ênfase particular na imuno-terapia e metabolismo do cancro. As terapêuticas imuno-oncológicas potenciam os mecanismos naturais de defesa do sistema imunitário de modo a aumentar a sua capacidade de luta contra o cancro.

Com esta compra, a MSD passa a ter acesso a todo o portfolio da IOmet que inclui terapêuticas inovadoras baseadas na inibição do metabolismo do triptofano. “A aquisição da IOmet é mais um exemplo do compromisso da MSD em realizar o potencial desta área de rápida evolução através do nosso portfólio de inovação já existente e da aquisição de candidatos promissores na área da imuno-terapia”, garante o vice-presidente e diretor da área terapêutica de oncologia de fase inicial dos laboratórios de investigação Merck Sharp & Dohme, Dr. Eric Rubin. Acrescenta ainda que “ao potenciar o poder do sistema imunitário, vemos já grandes avanços no tratamento do cancro”.

Uma opinião partilhada pela Dra. Mafalda Nogueira, médica responsável pela área da Oncologia na MSD Portugal, que defende que “esta aquisição traduz o investimento significativo que a MSD tem feito e continuará a fazer em Oncologia”.

“A liderança da MSD em imuno-oncologia e competência em desenvolvimento farmacêutico, ligada agora ao potencial dos nossos programas IDO1 e TDO gera oportunidades significativas para avançar o tratamento do cancro” diz o Dr. Alan Wise, CEO da IOmet. “Hoje estamos ansiosos para nos juntarmos à MSD e sentimos que esta aquisição realça o compromisso partilhado que temos para acelerar os nossos programas de modo a trazer soluções a quem mais precisa.”

Imuno-oncologia: inibição de IDO1 e TDO

IDO1 e TDO, enzimas limitantes na via metabólica do aminoácido essencial triptofano, têm surgido como um dos principais alvos da indústria farmacêutica no campo da imunoterapia oncológica.

A sobrexpressão destas enzimas tem sido detetada em diversos tipos de cancro - incluindo glioma, melanoma, cancro do pulmão, cancro do ovário e cancro colo-rectal - e associada a maus prognóstico negativo e sobrevivência.

A sobrexpressão de IDO1 e TDO leva ao esgotamento de triptofano e altos níveis do subproduto quinurenina. Este rácio de quinurenina/triptofano (K/T) elevado suprime a resposta imunitária ao cancro, facilitando assim a progressão tumoral e metastização.

Existe extensa evidência pré-clínica alguns e dados clínicos emergentes que indicam que a inibição de IDO1 e/ou de TDO possa criar sinergia com (e ultrapassar a resistência a) terapêuticas oncológicas estabelecidas, em particular a outros tratamentos baseados em imuno-terapia.

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gedeonrichter
A Gedeon Richter anunciou que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aceitou o pedido de registo do pegfilgrastim, biossimilar do Neulasta.

O biossimilar pegfilgrastim foi desenvolvido pela Gedeon Richter porém, no âmbito de um acordo de licença e distribuição assinado entre a farmacêutica multinacional e os laboratórios STADA, o medicamente será lançado sob as marcas de ambas as empresas e comercializado na Europa (com exceção da Rússia), após expirar a patente do produto original.

Pegfilgrastim é um medicamento utilizado para reduzir o risco de infeções associadas ao baixo número de neutrófilos nos doentes concológicos tratados com quimioterapia e o objetivo da Gedeon é obter aprovação para as mesmas indicações que tem o produto de referência.

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Oncology or Medical Oncologist as a Concept
O Prémio Nobel da Química, Tomas Lindahl, defendeu ontem (8 de dezembro) que o cancro poderá vir a ser tratado como uma doença crónica, considerando que este é o caminho para encontrar uma cura.

Que o cancro se torne um dia uma doença crónica é "agora um dos objetivos do nosso campo de investigação", afirmou Tomas Lindahl, um dos três investigadores distinguidos com o Nobel da Química pelos estudos dos mecanismos que permitem a reparação de ADN.

Os investigadores, segundo o Comité Nobel, conseguiram, através de uma espécie de "caixa de ferramentas de reparação de ADN", mapear, a nível molecular, a forma como reparar as células danificadas, permitindo também salvaguardar a informação genética.

“O trabalho desenvolvido forneceu conhecimento fundamental sobre como funciona uma célula viva e pode ser usada, por exemplo, no desenvolvimento de novas terapias contra o cancro", justificou o Comité Nobel, num comunicado divulgado a 7 de outubro.

Nascido em Estocolmo, na Suécia, e especialista na área do cancro, Tomas Lindahl, 77 anos, desenvolve o seu trabalho como responsável do grupo emérito do Instituto Francis Crick de investigação biomédica, em Londres.

"Mais do que falar da cura do cancro, prefiro olhar para o problema como se se tratasse da diabetes”, disse Tomas Lindahl em entrevista à agência espanhola Efe.

“Não se pretende curar a diabetes. Bem, pode tentar-se, apesar de ser muito difícil, mas pode viver-se com a doença, há uma boa medicação pode levar-se uma vida normal, sem estar o tempo todo assustado, explicou.

O objetivo “é conseguir o mesmo” com o cancro, “que se possa viver como ele, mas sem pensar nisso, e com uma medicação diária, conseguir ter uma normal”, frisou.

No entanto, o investigador não se aventura em estabelecer um prazo para atingir esse objetivo, uma vez que existem diferentes tipos de cancro.

"Há alguns que podemos curar ou regredir, mas há outros, como o cancro do pâncreas, que ainda não entendemos e que ainda é uma doença muito perigosa".

A esperança dos investigadores, segundo Lindahl, é "entender porque é que alguns tipos de cancro não respondem bem aos tratamentos". Se conseguirem responder a esta questão poderão encontrar novos medicamentos e melhores tratamentos para os doentes.

"Mas, primeiro, temos de entender qual é o problema", reconheceu o investigador e perito e e para isso precisamos de realizar mais investigação básica, um tipo de ciência fundamental para o desenvolvimento de todas as disciplinas.

Lusa/Jornal Médico

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desenvolvimento
A Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, o Instituto Portoguês de Oncologia (IPO) do Porto e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Espinho/Gaia vão desenvolver o projeto “GIDO – Gestão Integrada do Doente Oncológico”, com o objetivo de promover o acompanhamento personalizado do doente com cancro em todas as fases da doença.

Este projeto pretende garantir a continuidade de cuidados após o diagnóstico de cancro, através de uma boa comunicação entre as diferentes instituições da região norte e os diversos profissionais, aumentando a satisfação do doente oncológico e reduzindo o desperdício e os custos associados a consultas e exames desnecessários.

Para a implementação do projeto serão criados canais de comunicação estruturados para acompanhamento de doentes entre as Unidades de Saúde de Cuidados Primários e o IPO Porto, durante o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos doentes referenciados.

O projeto “GIDO” integra-se no programa Boas Práticas de Governação, uma iniciativa da Novartis em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, que proporciona aos participantes uma oportunidade de acesso a um plano curricular desenvolvido pela universidade e que lhes garante as bases teóricas e o acompanhamento necessário ao desenvolvimento dos projetos.

Este ano sob o tema “Caminhos para a Humanização”, o programa “Boas Práticas de Governação” teve como objetivo principal a implementação de projetos inovadores que fomentem uma maior articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares, que possam trazer melhorias efetivas para o doente.

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Divers stock
A Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC) considera que as consultas de oncologia têm que ter duração suficiente para um doente ficar esclarecido sobre as alternativas terapêuticas existentes e, desta forma, poder decidir conscientemente qual o tratamento que prefere.

“A nós [LPCC] preocupa mais incutir no doente que tenha um papel ativo na decisão, no que vai acontecer, nos atos médicos participados, e que a equipa médica olhe para o doente e não para a doença. Há pouco tempo para o diálogo com o doente e é necessário. Não é possível com 20 minutos para cada doente”, disse à Lusa o médico oncologista Carlos Oliveira.

Esta é uma das alterações possíveis e necessárias na área da oncologia, que assiste a um aumento dos casos de cancro, mas também do número de sobreviventes, e que precisa de mudar o paradigma dos cuidados médicos, centrando-os no doente e não na doença, defende o presidente do núcleo regional do Centro da LPCC.

Por isso, decorre nos dias 12 e 13 de novembro, em Coimbra, uma conferência internacional subordinada ao tema “cancer patient advocacy”, conceito nascido nos Estados Unidos nos anos 50 e que diz respeito ao apoio, à proteção, à defesa e à informação ao doente, para intervir na decisão, explicou.

“Verificou-se em todo o mundo desenvolvido um aumento muito grande de doentes com cancro e, sobretudo, sobreviventes de cancro. Não se usa o termo cura em cancro, mas acaba por haver sobrevivência a longo prazo, o que fez com que este conceito viesse à ribalta”, disse o responsável da LPCC, que organiza a conferência.

Este conceito assenta em três pilares: medicina centrada no doente e não na doença, participação do doente na decisão, quer em técnicas de diagnóstico, quer na decisão de tratamento, e finalmente proteção do doente em relação ao erro médico e ao erro em saúde.

“Pretende-se mudar o paradigma de cuidados médicos e permitir maior intervenção do doente no que lhe é proposto. No cancro, por vezes, para a mesma situação já há mais do que uma alternativa terapêutica, ambas validadas cientificamente e com os mesmos resultados. Aqui o doente deve participar”, explicou o médico.

Da conferência não vão sair decisões, o encontro serve sobretudo para discutir linhas de orientação, o papel de cada um e iniciar um processo.

O primeiro passo é um pontapé de saída para nos organizarmos, como toda a Europa, para que, com todas as organizações de doentes, darmos voz aos doentes e estimular uma intervenção maior do doente na decisão.

Atualmente impera toda uma filosofia diferente de abordagem muito centrada na doença, em que o médico é o principal decisor.

“É comum termos doentes que perante duas terapêuticas possíveis respondem ‘o senhor é médico, escolha o melhor para mim'. Esta atitude tem que ser modificada, os médicos têm que explicar as vantagens e desvantagens das alternativas e o doente tem que escolher”, disse.

Segundo Carlos Oliveira, isto exige treino de pessoas que possam transmitir as informações aos doentes. A LPCC tem um grupo de voluntários, de entre os quais serão escolhidos os mais vocacionados para esta área, para poderem ser treinados.

Há também o caso dos doentes de sobrevivência avançada, que não estão livres de recaída: esses devem saber o que é um ensaio clinico, a vantagem de participação no ensaio clinico, a participação do doente no desenho da investigação clinica.

O médico e o doente têm que ter tempo para o doente perceber toda a extensão da doença, disse o médico, referindo-se inclusivamente às consequências possíveis da terapêutica escolhida, e exemplifica: “Uma senhora com cancro da mama tem duas opções: tirar a mama [mastectomia] ou fazer uma cirurgia conservadora, embora neste caso tenha que fazer radioterapia a seguir. Se a senhora vem de uma zona onde não existe radioterapia, como ilhas dos Açores, diz ‘tire-me a mama porque quero ir para perto da minha família, não quero ficar aqui deslocada durante um mês a fazer radio. Nessa escolha, em termos de resultados científicos, a probabilidade de viver é a mesma, mas tem implicações na vida da doente, na inserção social e até na atividade profissional”.

Em Portugal surgem entre 40 e 50 mil novos casos de cancro por ano e prevê-se que venham a aumentar 15% a 20% até 2030.

Em termos de incidência, o cancro da mama é o mais frequente nas mulheres, o da próstata nos homens e o colorretal em ambos os sexos também com uma incidência muito grande.

Em Portugal, também são bastante frequentes os cancros do estômago e do colo do útero, na mulher, acrescentou Carlos Oliveira, destacando ainda. “pela sua gravidade, embora a incidência não seja tão elevada”, o cancro do pulmão, em que 95% dos doentes morrem em cinco anos.

 Lusa

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lacocancro
Maternidade e doença oncológica não são incompatíveis. Esta será a questão central do primeiro encontro médico-cientifico português sobre a doença oncológica na mulher grávida que reunirá, no Hospital Privado da Trofa, no próximo dia 7 de novembro, mais de uma centena de profissionais do setor.

As estatísticas hospitalares apontam para um diagnóstico de cancro por cada 3000 grávidas. "É verdade que ainda são casos raros, mas também cada vez mais frequentes porque as mulheres engravidam progressivamente mais tarde. As estatísticas ainda não conseguiram acompanhar o que a evidência já referenciou como uma tendência crescente", revela o médico Joaquim Saraiva para explicar a escolha do tema da edição deste ano das VII Jornadas Materno-Infantis do Hospital Privado da Trofa.

"O diagnóstico de uma doença oncológica na mulher grávida ou em idade reprodutiva já não é motivo para adiar o início dos tratamentos ou a gravidez. Sem esquecer que cada caso é um caso, já há soluções terapêuticas capazes de evitar metástases e controlar a doença na mulher e impedir efeitos secundários no feto", afirma, ainda, o obstetra e membro da comissão organizadora das mais antigas jornadas médicas da hospitalização privada no Norte de Portugal, que fala numa "verdadeira mudança de paradigma".

Obstetras, ginecologistas e oncologistas discutirão vários temas, apresentado casos clínicos, de forma a harmonizar procedimentos multidisciplinares, tal como exigido pela complexidade da maioria dos tratamentos, para oferecer os melhores cuidados para a mãe, para o feto e para a fertilidade futura.

Estudo internacional

Um estudo internacional, do Hospital Universitário de Lovaina, na Bélgica, publicado, em setembro último, na revista The New England Journal e apresentado na Conferência Europeia sobre Cancro, revela que os tratamentos para o cancro – radioterapia, quimioterapia ou cirurgia – são seguros para o bebé, após as 14 semanas de gestação, e a capacidade cognitiva e funcional, em especial a nível cardíaco, não fica comprometida.

Frederic Amant, autor principal desse estudo, assegura que, perante um cancro, o adiamento do tratamento ou o parto precoce poderá não ser a solução mais indicada, pois considera que a prematuridade é mais prejudicial para a criança do que a exposição à quimioterapia.

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SPO
A presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) considera desnecessário “alarmismos ou a abolição do consumo de carnes vermelhas” mas defende uma alimentação equilibrada e sem exagero de carnes que possam potenciar o cancro.

“Não há necessidade de abolir completamente o consumo, a carne também tem componentes essenciais e precisamos de proteínas. O que chamamos a atenção é que estes produtos têm o seu papel se consumidos com outros”, como as frutas, os vegetais, os produtos hortícolas, explicou à Lusa.

Gabriela Sousa, do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, falava a propósito do estudo divulgado pela Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro, que revelou que a carne processada é cancerígena para os seres humanos e classificou a carne vermelha como provavelmente cancerígena.

“Não veio acrescentar nada mais ao que já sabíamos. Sabe-se que as carnes vermelhas são as mais perigosas, sobretudo depois de cozinhadas. O estudo, acrescentou, foi alguma evidência em relação às carnes processadas”, disse a presidente, acrescentando que a população em geral tinha já a perceção de que carnes vermelhas e processadas (enchidos por exemplo) não eram alimentos saudáveis.

A solução, diz, está na moderação, sendo que a SPO tem continuamente chamado a atenção para a necessidade de formação da população relativamente à alimentação e que os “pequenos desvios” se corrigem com outros nutrientes, em que pontuam as frutas e os legumes.

“Basicamente o que chamamos à atenção é que estes produtos têm o seu papel se consumidos com outros, a palavra-chave é Equilíbrio”, salientou.

Sendo certo, acrescentou a especialista, que o cancro do colon retal é “um problema de saúde pública”, o que a SPO alerta é para a necessidade de medidas de prevenção, que passam por uma alimentação saudável.

E depois “o cancro é uma doença multi-fatorial” e como tal é difícil estabelecer uma causa-efeito , disse quando questionada sobre se era possível estabelecer uma relação entre um grande consumo de carnes vermelhas e processadas e algum tipo de cancro.

Lusa

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OMS
A carne processada – como bacon, salsichas ou presunto – é cancerígena para os seres humanos, segundo um estudo hoje divulgado pela Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC, na sigla em inglês).

O mesmo documento da IARC (agência que depende da Organização Mundial de Saúde - OMS) alertou que a carne vermelha também é “provavelmente” cancerígena.

O relatório referiu que a ingestão diária de 50 gramas de carne processada – menos de duas fatias de bacon – aumenta a probabilidade de desenvolver cancro colo-rectal (também conhecido como cancro do intestino) em 18%.

O documento foi elaborado por um grupo de trabalho composto por 22 especialistas de 10 países, que foram convocados para o Programa de Monografias da IARC, organização com sede na cidade francesa de Lyon.

O grupo de trabalho considerou que existem “provas suficientes” de que a ingestão de carne processada está ligada ao cancro colo-rectal.

Os mesmos especialistas classificaram o consumo de carne vermelha como “provavelmente” cancerígeno para os seres humanos, com base em “provas limitadas” de que a ingestão deste tipo de alimento pode estar associada ao cancro colo-rectal, mas também ao cancro do pâncreas e ao cancro da próstata.

“Para um indivíduo, o risco de desenvolver cancro colo-rectal por consumir carne processada é pequeno, mas o risco aumenta à medida que aumenta a quantidade de carne consumida”, afirmou Kurt Straif, chefe do Programa de Monografias da IARC, citado num comunicado.

E acrescentou: “Tendo em conta o grande número de pessoas que consome carne processada, o impacto global sobre a incidência de cancro é de grande importância para a saúde pública”.

O grupo de trabalho da IARC teve em consideração mais de 800 estudos que investigaram a associação de mais de uma dúzia de tipos de cancro com o consumo de carne vermelha e de carne processada em vários países e populações com diferentes dietas.

Para o diretor da IARC, Christopher Wild, “estes resultados confirmam as recomendações atuais de saúde pública para se limitar o consumo de carne”.

O representante lembrou, no entanto, o “valor nutricional” da carne vermelha, esperando que as conclusões do estudo sirvam para os governos e as agências reguladoras emitirem as suas próprias recomendações dietéticas.

No comunicado hoje divulgado, a IARC especificou que o termo “carne vermelha” está associado a “todos os tipos de carne muscular de mamíferos, como carne de vaca, vitela, porco, carneiro, cavalo ou cabra”.

Por sua vez, a carne processada está relacionada com produtos “que foram transformados através de um processo de salga, fumeiro, fermentação ou outros processos para melhorar o sabor ou conservação”.

Nesta categoria estão incluídos, entre outros, produtos como salsichas, presunto, carne enlatada, bacon e preparados ou molhos à base de carne.

DGS: consumo de carne deve ser moderado e acompanhado de alimentos protetores
A Direção-Geral da Saúde (DGS) considera que o consumo de carne processada não é problemático, desde que seja moderado e em refeições com alimentos protetores, como as frutas e hortícolas.

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, reagiu desta forma ao anúncio de que a carne processada é cancerígena para os seres humanos.

Para Pedro Graça, o anúncio reitera o que há alguns anos os especialistas têm alertado: a relação entre o consumo de carne processada e o risco para o aparecimento de cancros, nomeadamente o cancro colon-retal, mas também o da próstata e do pâncreas.

“A novidade é o grau do reforço” do alerta, explicou o nutricionista, para quem as indicações da DGS nesta matéria vão manter-se e apontam no sentido do consumo moderado deste tipo de alimentos.

“Não é um bife de vaca que, apesar de dever ser consumido de forma moderada, vai provocar o cancro. Agora, o seu consumo deve manter-se ou ser reduzido para até 500 gramas por semana, o que equivale a quatro ou cinco refeições de carne por semana”, explicou.

Segundo Pedro Graça, “a alimentação inadequada é dos fatores que mais rouba anos de vida às pessoas, nomeadamente aos portugueses”.

“Continuamos a comer mais ou menos a mesma coisa, apesar dos alertas”, lamentou.

Outra solução defendida pela DGS passa pelo acompanhamento das refeições com alimentos protetores, como os hortícolas e a fruta, que deve estar presente diariamente nos menus dos portugueses.

Lusa/Jornal Médico

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O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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