[caption id="attachment_6006" align="alignleft" width="300"]comidasaudavel “Avaliámos, em particular, a Qualidade de Vida, estado e ingestão nutricionais e variáveis de prognóstico como a incidência de toxicidade tardia da radioterapia”. Os resultados major permitiram concluir que os doentes do grupo 1, que receberam educação e aconselhamento nutricionais individualizados, aprenderam a fazer escolhas alimentares e uma dieta adequada, conseguindo manter o seu estado nutricional e ingestão alimentar ao longo do tempo. Estes melhores parâmetros nutricionais associaram-se a melhor qualidade de vida", explica Paula Ravasco, que coordenou o estudo[/caption]

A intervenção nutricional individualizada constitui um benefício major em doentes com cancro colo-rectal, conclui o estudo de investigação que este ano conquistou a quarta edição do “Prémio Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa MSD em Epidemiologia Clínica”.

O trabalho, das investigadoras Paula Ravasco, Isabel Monteiro-Grillo e Maria Ermelinda Camilo, da Unidade de Nutrição e Metabolismo do Instituto de Medicina Molecular – IMM, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, sugere que a intervenção nutricional individualizada foi central para melhorar não só resultados nutricionais, mas também clínicos em doentes com cancro colo-rectal a longo prazo: ingestão e estado nutricionais, qualidade de vida, redução da morbilidade tardia decorrente da radioterapia, e provavelmente prognóstico.

De acordo com as principais conclusões da investigação, a abordagem seguida é essencial para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde no hospital e em ambulatório. Só desta forma os doentes serão identificados com a prioridade certa, e aumentará a consciência acerca da importância da nutrição por parte dos profissionais em todas as fases da doença e dos seus tratamentos. Com o advento de tratamentos cada vez mais eficazes resultando em maior número de sobreviventes de doença oncológica, é mandatário o ênfase em terapêuticas que promovam melhor qualidade de vida.

O estudo de investigação

A relação entre cancro e nutrição assume uma relevância inquestionável, tendo diversos factores nutricionais sido consistentemente associados à prevenção do cancro e, uma vez desenvolvida a doença, a prevalência da deterioração nutricional pode oscilar entre 8-84%. Uma vez estabelecida, a desnutrição, que em oncologia se caracteriza maioritariamente por depleção de massa muscular, está associada a menor capacidade funcional, pior qualidade de vida, menor tolerância aos tratamentos antineoplásicos, com possíveis implicações prognósticas.

Sendo o cancro uma das principais causas mundiais de morbilidade e de mortalidade, esta equipa de investigadoras desenhou um ensaio clínico de terapêutica nutricional, que foi publicado em 2005, com o objectivo de explorar o potencial papel adjuvante da nutrição individualizada em oncologia, em concreto em doentes com cancro colo-rectal.

Segundo a equipa de investigação, “um grupo de doentes recebeu aconselhamento e educação nutricionais individualizados, baseado em dietas com objectivo terapêutico baseadas em alimentos correntes com manipulações dietéticas (grupo 1). Outro grupo de doentes (grupo 2) recebeu suplementos nutricionais poliméricos calóricos e proteicos e manteve a sua dieta habitual. O grupo de controlo (grupo 3) manteve o standard of care e manteve a sua dieta habitual. Nem o grupo 2 nem o grupo 3 receberam aconselhamento nutricional individualizado. Este ensaio clínico randomizado de nutrição em 2005 mostrou que a terapêutica nutricional deve efectivamente ser adjuvante a todas terapêuticas.

Mostrou ainda que a avaliação do estado nutricional, qualidade de vida, capacidade funcional, ingestão nutricional e sintomatologia dos doentes devem ser protocoladas e integradas na rotina clínica no tratamento dos doentes oncológicos. Como mostrou este estudo em 2005, a avaliação detalhada destes factores é a base para um aconselhamento nutricional preciso, específico e individualizado, considerado hoje internacionalmente como a forma mais eficaz de melhorar os resultados dos doentes durante os tratamentos”.

A investigação prosseguiu e em 2012 foi realizado um novo estudo, que consistiu na avaliação a longo prazo dos doentes incluídos no ensaio original em 2005. “Avaliámos, em particular, a qualidade de vida, estado e ingestão nutricionais e variáveis de prognóstico como a incidência de toxicidade tardia da radioterapia”. Os resultados major permitiram concluir que os doentes do grupo 1, que receberam educação e aconselhamento nutricionais individualizados, aprenderam a fazer escolhas alimentares e uma dieta adequada, conseguindo manter o seu estado nutricional e ingestão alimentar ao longo do tempo. Estes melhores parâmetros nutricionais associaram-se a melhor qualidade de vida. A correta escolha de alimentos contribuiu também para a modulação sintomática e para a redução da incidência de toxicidade tardia da radioterapia. Os resultados obtidos no grupo 1, não foram conseguidos nem no grupo 2 e nem no grupo 3 a longo prazo. Logo, “estes resultados mostraram que a suplementação calórica e proteica per se não é suficiente para melhorar parâmetros nutricionais e clínicos a longo prazo, e que todos os doentes necessitam de intervenção/aconselhamento nutricional individualizado durante os tratamentos”.

Este estudo sugere de facto que a intervenção nutricional individualizada foi central para melhorar não só resultados nutricionais, mas também variáveis clínicas em doentes com cancro colo-rectal a longo prazo: ingestão e estado nutricionais, qualidade de vida, redução da morbilidade tardia da radioterapia, com possíveis implicações prognósticas.

Pertinência clínica e científica, interesse, relevância e aplicabilidade

A Nutrição é um factor major em oncologia, sendo influenciada pela doença e pelos seus tratamentos. A investigação de resultados, ou seja, evidência sólida com base em ensaios clínicos randomizados e controlados sobre a eficácia da nutrição adjuvante, é essencial para mostrar o valor de qualquer intervenção nutricional. A investigação clínica deve ser orientada para a acção de forma a que sejam determinadas as intervenções que resultem em resultados positivos, e que práticas ineficazes possam ser identificadas e descartadas.

A avaliação da qualidade de vida e da toxicidade dos tratamentos com questionários específicos e validados, e a investigação da sua relação com parâmetros nutricionais, ajudou a entender melhor e a especular sobre mecanismos e interacções entre nutrição e a doença oncológica. Adicionalmente, com estes resultados poderá ser possível desenvolver um Protocolo de Intervenção Nutricional baseado na prescrição individualizada de terapêutica nutricional, adequada ao perfil nutricional de cada doente e modulando e melhorando variáveis clínicas como a função, qualidade de vida ou tolerância aos tratamentos bem como a sua eficácia.

Qualquer intervenção em oncologia deve ser multidisciplinar e multimodal para optimizar resultados, determinantes para a humanização dos cuidados, com implicações para doentes, cuidadores, profissionais de saúde e administração hospitalar.

Esta abordagem protocolada é mandatária para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde no hospital e em ambulatório. Só assim os doentes serão identificados com a prioridade certa, e aumentará a consciência acerca da importância da nutrição por parte dos profissionais em todas as fases da doença e dos seus tratamentos. Com o advento de tratamentos cada vez mais eficazes resultando em maior número de sobreviventes de doença oncológica, é mandatário o ênfase em terapêuticas que promovam melhor qualidade de vida.

À 4ª Edição do “Prémio Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa MSD em Epidemiologia Clínica”, promovido pela Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa com o apoio da MSD, candidataram-se 13 trabalhos de investigação dos principais centros de investigação portugueses.

O “Prémio Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa MSD em Epidemiologia Clínica” tem como objectivo dinamizar a investigação em Ciências da Saúde em Portugal, nomeadamente em áreas de epidemiologia clínica. Confere um prémio monetário no montante de 20 mil euros ao melhor trabalho de investigação submetido a análise do júri, de acordo com os parâmetros definidos no Regulamento do Prémio.

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[caption id="attachment_5128" align="alignleft" width="300"]Controlar a diabetes Os utilizadores da plataforma podem ainda subscrever online uma Newsletter por forma a receberem regularmente todas as actualizações do portal, notícias e eventos relacionados com a Diabetes e informação actualizada sobre a patologia e todos os aspectos com ela relacionados. Com a MSD Portugal, saiba, conheça e informe-se sobre Diabetes em www.controlaradiabetes.pt[/caption]

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O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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