Obesidade e Exercício Físico

Em Portugal, de acordo com o Inquérito Nacional de Saúde, o excesso de peso e a obesidade apresentam uma prevalência de 68% nas mulheres e 71% nos homens dos 25 aos 75 anos de idade, da qual a obesidade representa 32% no género feminino e 25% no género masculino, atingindo 1,5 milhões de pessoas.

Estes são dados deveras preocupantes, pois a obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e pela Direção Geral da Saúde como uma doença crónica que afeta vários sistemas e órgãos, estando, ainda, associada ao desenvolvimento de mais de 200 doenças, entre as quais se encontram a Hipertensão Arterial, AVC, Doenças Cardíacas, Diabetes Tipo 2, vários tipos de Cancro e Depressão.

A obesidade representa, pois, um grave problema de saúde pública que importa prevenir e tratar.

Quais são as causas e como tratar a obesidade?

As causas da obesidade são múltiplas e, geralmente, resultam de uma combinação de fatores intrínsecos à pessoa (alterações relacionadas com a idade, endócrinas, limitações funcionais, predisposição genética, ou outros) e de fatores extrínsecos (maior disponibilidade de alimentos com elevado valor energético, falta de espaços seguros para a prática de atividade física, stress, entre outros), os quais se combinam e influenciam, de forma dinâmica, o aumento da ingestão e o decréscimo do dispêndio energético.

A obesidade é, pois, um problema complexo cujo tratamento requer uma abordagem multidisciplinar especializada envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos, fisiologistas do exercício físico, entre outros profissionais, os quais, desejavelmente, deveriam fazer parte de um programa de consultas de obesidade nos cuidados de saúde primários.

Qual o contributo do exercício físico para a prevenção e tratamento da obesidade?

O exercício físico e a atividade física, em geral, desempenham um papel fundamental na preservação da saúde, incluindo na prevenção e tratamento da obesidade, bem como na manutenção do peso.

Relativamente à prevenção da obesidade, a prática regular de exercício físico contribui para a manutenção de um peso saudável, ao mesmo tempo que permite evitar ou retardar o aparecimento de fatores de risco para a saúde como Hipertensão Arterial, aumento do Colesterol LDL (prejudicial à saúde), redução do Colesterol HDL (protetor da saúde), descontrolo da Glucose, perturbações dos Estados de Humor, entre outros.

Quanto ao tratamento da obesidade, o exercício físico regular contribui para uma perda de peso saudável, aumentando a perda de gordura e preservando a massa muscular - quando combinado com uma dieta adequada, permite atingir perdas de peso até 20% superiores às conseguidas apenas com dieta -, reduz o risco e contribui para o controlo de inúmeras doenças associadas à obesidade (já mencionadas anteriormente), melhora a aptidão física (cardiorrespiratória, força, flexibilidade, equilíbrio, entre outras) e a aptidão funcional, sendo fundamental para a preservação da independência na realização das atividades da vida diária. No que diz respeito às pessoas que já perderam peso e alcançaram o peso pretendido, a prática de exercício é necessária para manter o peso alcançado. Assim, o contributo do exercício físico para a prevenção e tratamento da obesidade vai muito para além do mero controlo do peso corporal, beneficiando o estado geral de saúde e a qualidade de vida.

Para combater a obesidade, bem como em relação a outras condições de saúde complexas, é necessária uma visão partilhada de saúde pública, com abordagens multi e interdisciplinares, na qual diferentes áreas profissionais, e toda a sociedade em geral, desde o indivíduo até aos decisores políticos, têm um importante papel a desempenhar.

Cabe-nos, a Todos, prevenir e tratar este flagelo.

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.