O exercício na insuficiência cardíaca

“Menos cansaço no dia-a-dia”, “fortalecer os músculos e o coração” e “melhorar a função respiratória”, são algumas expectativas de doentes com insuficiência cardíaca, ao iniciar o Programa de Reabilitação Cardíaca.

De acordo com as guidelines da “European Society of Cardiology” a reabilitação cardíaca é recomendada com o maior nível de evidência científica para o tratamento da insuficiência cardíaca, o que justifica um aumento das necessidades de referenciação, em prol da melhoria da condição clínica do doente.

Ao longo das 3 fases da reabilitação cardíaca (I- Hospitalar, II- Ambulatória, III- Comunidade) o exercício é incorporado, respeitando a condição clínica de cada utente e recolhendo de forma evolutiva dados de avaliação, essenciais para a caracterização da gravidade da insuficiência cardíaca e para o estabelecimento da dose de exercício recomendada. Desta avaliação, destaca-se a Prova de Esforço Cardiorrespiratória (PECR VO2) para aferir os limiares, que permitem precisar o intervalo da frequência cardíaca de treino e permitir a segurança durante o exercício.  

Após avaliação médica, ajuste da medicação correta e estabilização do sistema cardiovascular o doente fica apto para a prática segura de exercício físico, inicialmente com supervisão do fisioterapeuta. 

A limitação funcional dos doentes com insuficiência cardíaca, tem origem na deficiente capacidade de o coração aumentar o seu output para os músculos durante o exercício e consequentemente, na capacidade de estes utilizarem o oxigénio de forma adequada. Este fator, associado a atrofia muscular geralmente apresentada conduz à diminuição da tolerância ao esforço, a um maior dispêndio de energia ao cansaço, descoordenação respiratória/dispneia e fadiga.  

A prescrição de exercício de acordo com o FITT (frequência, intensidade, tempo, duração e tipo de exercício) possibilita a melhoria da resistência nas atividades do dia a dia através do treino aeróbio e o aumento da força muscular através do treino de força. Ambas as componentes são essenciais, para promoverem a melhoria dos sintomas nas atividades físicas e no exercício físico estruturado. Existem inúmeros protocolos de treino, mas o mais importante é adaptar o exercício a cada doente e progredir conforme a sua tolerância. Ao mesmo tempo, a coordenação, o equilíbrio e a flexibilidade são componentes integrantes do exercício e permitem aumentar a sobrevida.

É fundamental que as expectativas e os objetivos dos utentes com insuficiência cardíaca sejam avaliados, por forma a encontrar a melhor estratégia de alcançá-los. Só assim, poderão ter uma melhor funcionalidade e consequentemente, uma melhor qualidade de vida.

Ao conseguirem ser autónomos e gerir níveis adequados de atividade física e de prática de exercício, é fundamental encontrarem uma rotina aprazível, que assegure a manutenção dos benefícios ganhos e a efetividade das aprendizagens rumo a um estilo de vida saudável. 

Investir na Saúde é também investir na Formação
Editorial | Carlos Mestre
Investir na Saúde é também investir na Formação

Em março de 2021 existia em Portugal continental um total de 898.240 pessoas sem Médico de Família (MF) atribuído, ou seja, 8,7% da população não tem um acompanhamento regular com todas as medidas preventivas e curativas inerentes ao papel do especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF).

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