Psicoterapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência na consulta de Medicina Geral e Familiar
DATA
23/02/2021 09:50:01
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




Psicoterapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência na consulta de Medicina Geral e Familiar

O Médico de Família é o primeiro ponto de contacto do utente com os serviços de saúde desde a infância e beneficia de uma relação privilegiada com os núcleos familiares, pelo que adota um papel de destaque na prevenção e gestão de perturbações de saúde mental em crianças e adolescentes.

A psicoterapia cognitivo-comportamental baseia-se na premissa de que as respostas emocionais e comportamentais são influenciadas pelas interpretações dos acontecimentos ou pelo significado que lhes é atribuído. Estas interpretações ou significados originam pensamentos automáticos, que, por sua vez, despoletam a ativação de esquemas e crenças. O objetivo da terapia é o desenvolvimento de estratégias para modificar os processos cognitivos disfuncionais, com vista à promoção da saúde mental. Quanto mais precoce for a intervenção, maior será a probabilidade de recuperação ou de adaptação dos doentes à sua patologia, pelo que se torna pertinente o recurso à psicoterapia nas consultas de saúde infantil e juvenil.

Este tipo de intervenção pode ser útil em crianças e adolescentes com perturbações do sono, perturbações do comportamento, ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, perturbações do espectro do autismo, hiperatividade com défice de atenção, entre outras que podem surgir em consulta nos cuidados de saúde primários. Pode ainda auxiliar na promoção de competências sociais e de autorregulação em crianças e jovens, assim como na promoção de estilos parentais e educativos positivos.

A psicoterapia cognitivo-comportamental é, assim, um instrumento profícuo como complemento à consulta médica, contribuindo para uma abordagem biopsicossocial. Contudo, por exigir várias sessões, pode tornar-se difícil de conciliar com a prática de um Médico de Família, que dispõe de tempos diminutos estipulados para cada consulta. Para superar este entrave, a terapia pode ser instituída em paralelo à consulta de saúde infantil e juvenil, com tempo e estrutura adequados, que permitam os melhores resultados.

Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
Um ano depois…

Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

Mais lidas