Sinais de Natal
DATA
22/12/2020 09:42:02
AUTOR
Jornal Médico
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Sinais de Natal

O ano que se aproxima do seu final não foi, para ninguém e em parte alguma, um ano que deixe saudades.

Bastou um vírus e o efeito provocado pelo alarme social primeiro, depois pelo impacto financeiro e económico colossal, alimentado e em crescendo por uma comunicação social que alternou uma função de serviço público, com fases de mero sensacionalismo ou aproveitamento de desgraças para que o mundo percebesse como tudo tem uma importância relativa.

Os profissionais de saúde passaram a ser reconhecidos e motivados pela sua dedicação, esforço e sacrifício no combate pela defesa da vida. Sucederam-se as expressões de agradecimento e de manifestação de simpatia.

Porém, isso não se revelou suficiente para que franjas significativas da população mundial não persistissem em comportamentos que, em nada, promoveram a contenção e a interrupção das cadeias de contágio pelo novo coronavírus. A irresponsabilidade de alguns terá contribuído para que o desastre fosse crescendo.

E num planeta em que infelizmente grande parte das pessoas vive em condições muito desfavoráveis e desprotegidas, sob fome, miséria, doença e guerras. Onde as vacinas, por exemplo, são vistas e desejadas como um passaporte de vida.

Ao mesmo tempo, na Europa e em Portugal, em nome de liberdade e de direitos que só alguns podem ter, muita gente questionava a utilidade e a indicação das vacinas que, ajudaram a mudar a face do mundo e garantem crescimentos saudáveis e protegidos.

A Covid-19 veio sorrateira e insidiosa mudar o paradigma. Não há memória de tal revolução…

Provavelmente até os que eram “contra as vacinas” irão mudar de ideias, confirmando um velho provérbio que sugere que, só os burros não mudam.

Todos os humanos, os políticos, os profissionais de saúde, os bancos, a indústria, a economia, enfim, até os tais “mercados” passaram a clamar pela vacina que irá mudar novamente o mundo e controlar a pandemia.

E não faltam nem companhias farmacêuticas a desenvolver soluções contrarrelógio, nem encomendas aos milhões de vacinas ainda virtuais, nem governos a correrem para anunciar compras e planos de distribuição dessas vacinas que ao certo hão de chegar sem se saber quando!

A União Europeia pretende adquirir vacinas para cerca de 500 milhões de habitantes, um pouco mais de 40% da respectiva população. Sem que saiba muito sobre elas.

A não ser que, por exemplo, a Comissão Europeia recebeu um pedido formal de isenção de responsabilidade civil por parte das companhias produtoras. O que parece adequado a partir do momento em que são os próprios governos a pressionar fortemente os laboratórios para a produção e comercialização. Talvez menos apropriado se tivermos em mente que, a dimensão da compra pela União Europeia para o Velho Continente excede no dobro a orientação da Organização Mundial de Saúde.

E lógico tendo em conta a aceleração e condições de desenvolvimento das fórmulas e processos vacinais “inventados”, a falta de tempo e estudos suficientes, a avaliação dos riscos de segurança imediata e a prazo, as contraindicações, das circunstâncias para administração em casos pós-infecção confirmada, o grau de imunidade obtida e a duração correspondente para revacinação e por aí adiante…

Em tempo de prendas e festejos natalícios, como sempre, só damos valor às coisas e aos sentimentos quando os não temos ou perdemos. A emoção que nos toca e tolda no Natal e nos conduz aos encontros com amigos e entes queridos, vais ser agora um momento prolongado de desencontros e frustrações.  A homenagem devida a quem desapareceu será sentida e dolorosa.

Que este Natal, o Natal de 2020, nos torne mais cúmplices uns dos outros no desejo de Saúde.

Que 2021 nos desafie e estimule, a todos, a dar mais valor à Vida, à Saúde e à Família. Que se concretizem e celebrem mais tarde os sonhos mais desejados.

Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
Um ano depois…

Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

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