Apesar de ser, muitas vezes, um fenómeno silencioso, pode traduzir-se em cansaço fácil, falta de ar, palpitações, pulsação rápida e irregular, tonturas ou desmaio e, em casos mais graves, pode resultar em eventos fatais. A familiarização com estes sinais e sintomas por parte da população é de sublime importância, de modo a permitir um diagnóstico precoce desta arritmia e concludentemente evitar um aumento da mortalidade cardiovascular, hospitalizações frequentes e redução da qualidade de vida.
Está recomendado que os utentes com idade superior a 65 anos façam o rastreio da FA através da autoavaliação do ritmo do pulso ou através da realização de um eletrocardiograma.
Um diagnóstico de FA, depois da avaliação do risco/benefício, pode resultar na prescrição de terapêutica anticoagulante, de modo a prevenir a ocorrência de um possível AVC.
Os Antagonistas da Vitamina K foram utilizados exclusivamente, neste contexto, durante muitos anos. O seu uso está associado a múltiplas interações medicamentosas e alimentares, bem como à necessidade frequente de monitorização com uma análise sanguínea e ajuste da dose. A sua monitorização é feita, habitualmente, a nível dos Cuidados Hospitalares ou a nível dos Cuidados de Saúde Primários.
De acordo com as recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia, os Novos Anticoagulantes Orais são considerados atualmente o tratamento de primeira linha, caso não haja nenhuma contraindicação. Estes últimos, igualmente eficazes, não necessitam de monitorização através da realização de uma análise sanguínea, permitindo uma maior comodidade ao utente direta e indiretamente, uma vez que frequentemente a ida aos Cuidados de Saúde exige o acompanhamento de um familiar e consequentemente, absentismo laboral.
À eficácia terapêutica, acresce a quase ausência de interações alimentares, melhor perfil de segurança, relação custo-eficácia e uma melhoria no padrão de qualidade de vida.
Uma vez prescrita, a adesão terapêutica é o pilar fundamental para a obtenção de ganhos em saúde, com redução da morbilidade e mortalidade da população.
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.