O projeto do HPV Clinical Cases é uma iniciativa feliz da MSD, que veio dar resposta a uma necessidade sentida e manifestada por vários profissionais dedicados à Doença a HPV: juntar na mesma mesa as várias visões sobre esta doença, estas doenças.
O HPV (Vírus do Papiloma Humano), trazido às luzes da ribalta pela sua implicação direta e sobejamente demonstrada na génese do Cancro do Colo do Útero, é atualmente conhecido como indutor de outras doenças, igualmente graves e de incidência crescente, não só na área da Ginecologia (cancro e lesões pré-malignas da vagina e vulva) como noutras localizações (a boca e orofaringe, a laringe, o ânus, a pele e o pénis) onde provoca uma panóplia de lesões de maior ou menor gravidade.
Também é conhecida a sua implicação nos condilomas genitais, ou verrugas cutâneas, que ainda têm uma grande incidência entre a população jovem não vacinada contra o HPV, como acontece nos oriundos de países onde, ao contrário de Portugal, esta não faz parte do Plano Nacional de Vacinação.
A edição de 2019 do HPV Clinical Cases reuniu um grupo de especialistas de várias áreas, entre as quais a Ginecologia, a Otorrino, a Gastroenterologia, a Dermatovenereologia, a Urologia, a Pediatria e outras especialidades, que responderam ao apelo da MSD para partilharem as suas experiências, vivências e histórias clinicas de pacientes, que tinham como elo comum a existência de um HPV como causa da sua patologia.
No total, foram submetidos 92 casos clínicos de 64 autores, dos quais, devido ao limite de tempo para apresentação oral, foram destacados apenas alguns na reunião de outubro de 2019. As múltiplas visões de cada especialidade, as diferentes abordagens de cada área implicada na doença a HPV, as consequências mais ou menos graves desta infeção, dependendo não só do tipo de vírus, mas também da imunidade da pessoa infetada, foram a tónica da partilha de conhecimentos.
Os vários pontos de vista possibilitaram uma reunião muito interessante e acredito que todos ficamos mais ricos, mais sábios e mais capazes para lidar com estas doenças, nomeadamente dando a conhecer atitudes que já são parte integrante na clinica de uns e que constituíram uma novidade para outros, sem esta experiência.
Pessoalmente, acredito que o melhor caminho para todos os que lidam com a Doença a HPV é tomar consciência dos vários fatores implicados na progressão das lesões, após a infeção por este vírus, lesões essas que afetam, nalguma altura da vida, cerca de 75% das pessoas. É também dar enfase às medidas de “mudança do terreno” do hospedeiro, aumentando a imunidade e capacidade de defesa relativamente ao vírus, qualquer que seja o local de infeção: vacinação profilática, medidas de suspensão tabágica, despiste e tratamento de lesões do parceiro, controle de outras infeções e doenças crónicas, drogas e medicação imunossupressora, higiene e alimentação saudável.
Por outro lado, encarar a doença a HPV com uma visão mais abrangente e avaliar a necessidade de despiste de infeções coincidentes, tanto a nível ginecológico, como proctológico e de ORL, criando até, em cada Unidade Hospitalar, um Grupo Multidisciplinar de Estudos da Doença a HPV.
Estas medidas visam responder também às duvidas e perguntas dos pacientes que, após um diagnóstico de infeção a HPV, nos pedem orientação e conselhos sobre áreas que não temos completamente esclarecidas e que ainda necessitam de mais estudos científicos. Até lá, estas reuniões são muito importantes e melhoram seguramente a nossa capacidade de resposta.
Espero que a edição do HPV Clinical Cases 2020 supere as expectativas de todos e que os difíceis tempos que atravessamos não nos impeçam de dar o nosso melhor para o seu sucesso.

Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.