O trabalho em equipa em tempos de pandemia
DATA
29/05/2020 09:21:13
AUTOR
Elsa Rodrigues, médica interna de Medicina Geral e Familiar
ETIQUETAS




O trabalho em equipa em tempos de pandemia

A COVID-19 foi declarada pela Organização Mundial de Saúde como pandemia internacional no dia 11 de março de 2020. Com ela trouxe mudanças à vida de todos nós, quer no nosso contexto pessoal e familiar, como também no contexto laboral.

Para nós, profissionais de saúde, que temos de nos manter na “linha da frente”, lidar com este vírus é certamente um dos maiores desafios dos últimos tempos.

Porém, o nosso trabalho vai muito mais além do que diagnosticar e tratar as vítimas deste COVID-19; também temos como missão proteger os vulneráveis, apoiar os que estão confinados, e ainda, como todos os outros problemas de saúde continuarão a existir, não podemos deixar de preveni-los e tratá-los.

Além de tudo isto, é-nos exigida uma constante readaptação às frequentes alterações e nos modos de atuação, em que o trabalhar de equipa é fulcral para a resposta que damos aos cidadãos.  Pois só uma equipa coesa, focada e organizada consegue avançar rumo a uma finalidade tão nobre quanto esta, que é lutar contra uma pandemia e continuar a cuidar da saúde da sua população. 

Na minha realidade, enquanto médica interna de Medicina Geral e Familiar numa Unidade de Saúde Familiar, trabalhar em equipa nos Cuidados de Saúde Primários nestes tempos de pandemia tem sido muito abrangente, diversificado e uma constante no dia a dia.

Temos sido desafiados a trabalhar em equipa com outras especialidades, como por exemplo, a de Saúde Pública ao acompanhar os nossos utentes com suspeita ou infeção pelo COVID-19;  trabalhamos em equipa com as outras especialidades hospitalares quando orientamos doentes cuja situação clínica nos parece ser mais grave ou quando recebemos de volta esses doentes e  damos continuidade os cuidados prestados; também trabalhamos em equipa com os profissionais de saúde nos lares, que além de cuidarem dos nossos idosos, grupo frágil e vulnerável, esforçam-se para manterem a equipa de saúde familiar a par do estado clínico dos mesmos; trabalhamos em equipa e de forma sinérgica com os cuidadores para que os enfermos fiquem mais protegidos ou para seja mais célere a sua convalescença.

Contudo, além deste novo ou reformulado trabalho de equipas proporcionado pelo surgimento do novo coronavírus, continuamos a trabalhar diariamente com a “Nossa Equipa”.  Dentro da Unidade de Saúde Familiar onde trabalho teve que ocorrer uma reorganização e ajuste de tarefas para continuarmos a prestar cuidados de forma segura e o mais eficiente possível, pensando também na segurança dos profissionais que lá trabalham. Sabemos, pela experiência que temos tido antes desta pandemia, que ao nível da equipa, quando existe uma correta distribuição de tarefas e uma clara perceção das competências de cada grupo profissional, aliados a uma boa comunicação, o trabalho decorre com maior fluidez e com maior eficiência. Uma equipa organizada e bem liderada tem maior potencial em se tornar uma equipa competente e eficiente, atingindo os seus objetivos de uma forma mais célere, minimizando a ocorrência de erros.

O balanço que faço até ao momento desta reorganização do trabalho de equipa e da resposta que temos dado à comunidade é bastante positivo, sendo reflexo de um modelo de trabalho prévio. Estes tempos difíceis serviram para mostrar o quão resilientes e versáteis somos, e como existem valores tão vincados em nós, tais como o dinamismo e o espírito de entreajuda.

Por último, importa concluir que enquanto profissionais, além do conhecimento científico e formação individual que vamos adquirindo, as competências para trabalhar em equipa são fundamentais para o nosso sucesso e bem-estar laboral, que, em última instância,  se refletem nos ganhos de saúde da comunidade.

Posto isto, a todos com quem tenho tido a oportunidade de trabalhar em equipa, um grande obrigada pelo que me têm ensinado e ajudado a crescer enquanto profissional, apesar de todas as dificuldades, incertezas e agitação que têm pautado estes tempos de pandemia.

DESconfinar sem DISconfinar: Um desafio para inovar e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
DESconfinar sem DISconfinar: Um desafio para inovar e aproveitar a oportunidade
Depois de três meses de confinamento é necessário aceitarmos a prudência de DES”confinar sem DISconfinar. Não vamos querer “morrer na praia”! As aprendizagens da pandemia Covid-19 são uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde com uma nova visão e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

Mais lidas