Médico: um ator social com um papel desafiante!
DATA
10/12/2019 10:19:11
AUTOR
Telma Nunes Lopes e Cristina Gonçalves Costa
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Médico: um ator social com um papel desafiante!

Por definição, um ator é alguém que representa um papel dentro de um determinado contexto.

Apesar de, institintivamente, pensarmos em ator como uma profissão, como figuras que surgem na televisão, no cinema ou no teatro, a verdade é que todos nós somos atores sociais.

Todos os indivíduos, grupos ou organizações que desempenham uma função que afeta, de alguma forma, algo ou alguém na sociedade, é considerado um ator social.Apesar de, institintivamente, pensarmos em ator como uma profissão, como figuras que surgem na televisão, no cinema ou no teatro, a verdade é que todos nós somos atores sociais.

Todos os indivíduos, grupos ou organizações que desempenham uma função que afeta, de alguma forma, algo ou alguém na sociedade, é considerado um ator social.No caso dos médicos, se pensarmos bem, esta designação de “ator” ganha uma dimensão tão fascinante quanto preocupante.

No dia-a-dia de qualquer médico, há uma “máscara” que todos assumimos, no momento em que vestimos a farda (seja uma bata branca ou um pijama cirúrgico). Não é que deixemos de ser nós próprios, mas não o somos por completo. Aprendemos a gerir emoções, a discutir opiniões divergentes, a esclarecer mal-entendidos e a ouvir alguns factos mais injustos do que verdadeiros, sempre dentro da compostura que é esperada do “doutor”. E o que é esperado é que estejamos igualmente tranquilos e pacientes no primeiro doente da manhã, como no último da tarde ou da noite.

Mesmo que entretanto tenham passado 12 horas no relógio e 30 doentes pelo consultório. Mesmo que estejamos meios adoentados. Mesmo que estejamos preocupados porque alguém em casa está doente. Mesmo que tenhamos batido com o carro à ida para o trabalho. Mesmo que tenhamos acordado com a noção de que aquele não é de todo o nosso dia. Não dá para ir fazendo, ou fazer mais ou menos e amanhã compensar, ou fazer para despachar. Pelo menos não devia dar. Como médicos sabemos que o “mais ou menos” pode correr muito mal, pode fazer toda a diferença, pode deixar passar o mais importante. Como médicos, temos de (ou pelo menos devemos tentar) dar sempre o melhor de nós, todos os dias, a cada consulta/procedimento. E isso, tal como dizia, é um papel tão fascinante quanto preocupante.

A responsabilidade a este nível é um dos maiores desafios de um médico. A sensação de não poder falhar é exigente e, ao mesmo tempo, idílica. O erro faz parte. Incontornavelmente, não vamos conseguir estar a 100% nas 40 (e muitas mais) horas que trabalhamos por semana. Ao contrário das personagens interpretadas pelos atores da televisão, do cinema ou do teatro, nós existimos mesmo, somos humanos. Mas por vezes esquecemo-nos disso. A única forma de gerir saudavelmente este papel é estudá-lo bem, aprender com os erros e representá-lo da melhor forma possível!

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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