“ABC da Dermatologia Estética” em análise pela especialista Leonor Girão
DATA
08/12/2019 09:29:13
AUTOR
Leonor Girão
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“ABC da Dermatologia Estética” em análise pela especialista Leonor Girão

A sociedade humana tem evoluído muito nas últimas décadas.

Na passagem do milénio constatou-se que a população nos países ditos desenvolvidos aumentou consideravelmente a sua esperança de vida com o seu consequente envelhecimento. Há um aumento das patologias relacionadas com a idade, nomeadamente as oncológicas, e também uma procura crescente pelas técnicas de rejuvenescimento cutâneo. Também ninguém nega que estamos na era do digital e da imagem. Hoje já ninguém vive sem o mundo digital: internet, Facebook, Instagram, smartphones, tablets. Em comum todos têm um fator – vivem/partilham imagem.

Não surpreende, portanto, que cada vez mais a preocupação com a aparência e a imagem que transmitimos aos outros seja uma constante e o número de tratamentos de estética tenha crescido exponencialmente de ano para ano. São efetuados milhões de tratamentos estéticos minimamente invasivos por ano, com um crescimento de mais de 200% desde o ano 2000, só nos EUA.

Também neste âmbito, a Dermatologia muito tem contribuído e evoluído. É a Dermatologia que trata a pele e é na pele, órgão visível, que mais se reflete o envelhecimento. Tudo (ou quase tudo!) pode ser feito para melhorar a imagem facial e corporal.

Na área médica, a Dermatologia Estética tem cada vez mais técnicas e materiais para melhorar ou corrigir as imperfeições impostas pela natureza ou resultantes de doença: toxina botulínica para relaxar músculos e diminuir rugas, materiais de preenchimento com ácido hialurónico para corrigir rugas, volumes e assimetrias, bioestimuladores de colagénio para repor volumes e diminuir flacidez, mesoterapia, microagulhamento, peelings, tratamentos de bioestimulação com plasma rico em plaquetas e seus fatores de crescimento,  fios de sustentação e modulação para diminuir a flacidez e suavizar contornos, equipamentos LASER para melhorar cicatrizes e texturas, diminuir vasos, eliminar pêlos, fotobioestimulação por LED, luz intensa pulsada, radiofrequência, microondas, ondas de choque, crioterapia, ultrassons, infravermelhos, carboxiterapia e lipólise não invasiva com equipamentos físicos ou com injeção de químicos, enfim, uma parafernália de procedimentos que têm como objetivos principais melhorar a autoestima, tornar a pessoa mais atraente, numa palavra – mais bela.

Mas, quem define beleza? Quais as características necessárias para um rosto ser considerado belo? E é igual para todas as culturas e continentes? E entre os diferentes meios socioculturais, há diferenças? Como avaliar? Qual é a métrica? E qual é a relevância da Beleza na sociedade actual?

Tentando encontrar respostas a estas perguntas foram realizados vários estudos, quer por sociólogos, quer por médicos, em comunidades de pessoas com realidades diferentes. De igual forma foram avaliados os critérios que definem beleza em várias obras de arte – pintura, escultura, arquitetura. E algumas regras parecem ser universais.

É considerado bela uma face que obedece a três regras principais, a saber:

Proporcionalidade – de acordo com um número matemático definido pelos antigos como “Golden Number”, define proporções e métricas dos 1/3 da face, distância entre olhos, tamanho de sobrancelhas, proporção dos lábios, entre outros.

Simetria – embora raramente a face seja absolutamente simétrica, quanto mais simétrica mais é percecionada como atraente.

Características de género – algumas características são percecionadas como mais atraentes no sexo feminino (rosto oval, nariz fino, olhos grandes, por exemplo) e outras no sexo masculino (maxilar quadrado, nariz largo, sobrancelhas retas, por exemplo).

No simpósio sobre o “ABC da Dermatologia Estética” que decorre no XIX Congresso Nacional de Dermatologia e Venereologia pretende-se, de uma forma simplificada e sucinta, que todos os dermatologistas, independentemente da área científica a que se dediquem, consigam apreender alguns conceitos sobre beleza e ter uma noção das principais indicações e diferenças das técnicas disponíveis para o tratamento estético da pele.

Porque afinal, na comunicação social como na vida real, a beleza é mesmo fundamental.

Esperamos que a nossa colaboração, enquanto Grupo Português de Dermatologia Cosmética e Estética, contribua para o sucesso e valor científico reconhecido do XIX Congresso de Dermatologia e Venereologia da SPDV!

O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo
Editorial | Jornal Médico
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O Novo Livro Azul da APMGF é um desejo e uma necessidade. Volvidos 30 anos é fácil constatar que todos os princípios e valores defendidos no Livro Azul se mantêm incrivelmente atuais, apesar da pertinência do rejuvenescimento que a passagem dos anos aconselha. É necessário pensar, idealizar e projetar a visão sobre os novos centros de saúde, tendo em conta a realidade atual e as exigências e necessidades sentidas no futuro que é já hoje. Estamos a iniciar um novo ciclo!

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