Jornal Médico Grande Público

A Reunião da Primavera, pela voz da direção da SPDV
DATA
24/05/2019 10:26:05
AUTOR
Paulo Lamarão
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A Reunião da Primavera, pela voz da direção da SPDV

Importância e expetativas

A Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), como sociedade científica representativa da Especialidade em Portugal, tem sido sempre das mais produtivas, no que respeita à organização de eventos científicos congregadores dos seus membros. Isso traduz-se numa rotina de organização anual do Congresso Nacional, habitualmente em três dias de dezembro e de uma Reunião da Primavera em dois dias, no mês de maio.

Nesta reunião, que terá lugar na Curia, pretendemos destacar três grandes temas nucleares para atualização dos participantes – as Doenças do Cabelo e das Unhas, a Dermatologia Pediátrica e as Infeções Sexualmente Transmissíveis.

Trata-se de um Curso e de dois Simpósios dinamizados pelas respetivas Secções Especializadas, que se destinam a todos os dermatologistas. Serão fóruns de análise e partilha de conhecimentos, motor da evolução das nossas competências técnicas e que iremos utilizar para melhor tratar os nossos doentes.

A qualidade científica dos preletores, nacionais e estrangeiros, é uma garantia de que esse objetivo se atingirá.

Por outro lado, os temas nucleares em debate identificam áreas que nem sempre os doentes relacionam diretamente com a especialidade. É o dermatologista quem melhor está preparado para diagnosticar e tratar as doenças das unhas e do cabelo. É o dermatologista que melhor sabe diagnosticar e tratar uma dermatose que afete uma criança ou adolescente. É o dermatologista que se ocupa das infeções sexualmente transmissíveis ou doenças venéreas. Aliás, o nome oficial da especialidade é Dermatovenereologia ou Dermatologia e Venereologia.

Será decerto uma reunião participada e profícua para a nossa educação médica

contínua.

Relevância e pertinência dos casos clínicos que vão ser apresentados

Tradicionalmente, esta Reunião da Primavera é também um fórum para a apresentação e discussão de comunicações e casos clínicos resultantes da atividade assistencial das equipas dos vários serviços do país. São sempre sessões muito participadas, por vezes apresentadas pelos colegas mais novos do Internato de Dermatologia, sob orientação dos seus formadores.

Debatem-se as mais variadas patologias, com o espírito prático de quem está “no terreno” a diagnosticar e tratar. A melhor comunicação e o melhor caso clínico são premiados e é sempre estimulada a sua publicação na Revista da SPDV.

A relevância e pertinência de cada caso clínico são aferidas, entre outros aspetos, pela raridade da doença ou da forma de apresentação e pela inovação terapêutica ou do método de diagnóstico. O número e a diversidade de casos clínicos fazem antever que mais uma vez tenhamos sessões estimulantes.

Pensamento sobre a Dermatologia atualmente em Portugal

Em Portugal, a Dermatologia é uma especialidade reconhecida e muito procurada por quem precisa da nossa ajuda, os nossos doentes. Os dermatologistas têm tido formação que lhes concede a mais alta competência profissional e científica.

Contudo, as assimetrias que se mantêm no acesso aos cuidados dermatológicos e o desinvestimento das últimas décadas no Sistema Nacional de Saúde (SNS) devem-nos deixar apreensivos.

Têm sido vários os exemplos dos serviços de Dermatologia do SNS que encerraram ou se tornaram inativos, quer por vontade do poder político quer pela saída dos profissionais. Os centros formadores e as capacidades formativas encontram-se reduzidos e, com isso, a renovação e o progresso da especialidade podem estar em causa. Urge motivar os profissionais a permanecerem ou mesmo a voltarem ao SNS e isso depende do poder político. Esse objetivo poderá ser atingido se se procurar melhorar as condições de trabalho assistencial e se se reconhecer e estimular a importância da investigação e da formação dos novos médicos.

O que se pode esperar do futuro na especialidade

A permanente evolução técnica da Medicina reflete-se inevitavelmente na especialidade. No futuro, o esforço de atualização permanente do dermatologista será ainda maior. Como resultado, cada um de nós dedicar-se-á, de forma mais notória, a uma área específica, hiperespecializada.

A especialidade é também propícia a que o dermatologista possa ser substituído ou tenha de competir com algoritmos e aplicações de inteligência artificial. Reforçaremos o valor da relação médico-doente. Aperfeiçoaremos a arte da observação, em que se apoia a capacidade de diagnóstico clínico da nossa especialidade, em contraposição à análise computacional dos pixéis de uma fotografia.

Saúde Pública

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