O rastreio do cancro oral

Desde a faculdade que tentam incutir nos futuros clínicos a importância dos rastreios médicos com custo-benefício comprovado na redução da morbimortalidade associada a doenças graves: o rastreio do cancro do colo do útero através da realização da citologia cervical, o rastreio do cancro do cólon através da pesquisa de sangue oculto nas fezes ou o rastreio do cancro da mama através da realização de mamografia são alguns exemplos.

Quando iniciei o meu percurso como interna de Medicina Geral e Familiar pude vivenciar na prática a importância dos mesmos.

No ano 2014, a Direção Geral de Saúde alertou pela primeira vez para a necessidade da realização do rastreio oportunístico do cancro oral a cada 2 anos na população de risco – homens fumadores, com 40 ou mais anos de idade e hábitos alcoólicos.

Um rastreio positivo com identificação de lesões potencialmente malignas implica a emissão de um cheque-diagnóstico de referenciação a um profissional habilitado para a realização do diagnóstico diferencial de lesões da cavidade oral. O objetivo deste procedimento é um diagnóstico precoce da doença que se traduza num melhor prognóstico e aumento da probabilidade de um resultado compatível com uma boa qualidade de vida.

O cancro oral, uma doença prevenível quando associada a fatores de risco e estilos de vida modificáveis, é o sexto cancro mais comum a nível mundial, com uma taxa de sobrevida de cinco anos após o diagnóstico de 40%. Em Portugal, existem cerca de 1000 novos casos por ano e 500 óbitos.

Apesar de todas as vantagens deste rastreio, é mais um procedimento a fazer entre tantos outros igualmente importantes e necessários num tempo de consulta que já é habitualmente curto.

Seria importante os médicos de família se esforçarem por introduzir na sua prática clínica diária este procedimento mas também seria de igual modo importante investir na educação da população para que o próprio utente reconheça a necessidade do rastreio e a sua pertença ao grupo de risco para que, de forma ativa, possa solicitar a realização do exame objetivo.

 

Bibliografia:

Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral - Projeto de Intervenção Precoce no Cancro Oral (Norma n.º 002/2014 de 25/02/2014). Direção-Geral da Saúde [consultado em julho de 2017]. Disponível em: https://www.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2016/10/NormaN002_2014DGS.pdf

Warnakulasuriya S. Global epidemiology of oral and oropharyngeal cancer. Oral Oncology. 2009;45(4-5):309-16.

Serviço Nacional de Saúde – 40 Anos
Editorial | Jornal Médico
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