Mudança de hora – E agora?
DATA
23/10/2018 09:37:17
AUTOR
Patrícia Sousa
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Mudança de hora – E agora?

Numa sociedade em que a maioria das crianças dorme tarde e não cumpre o tempo de sono recomendado à idade, a adaptação ao horário de verão durante os meses de Inverno, em tempo escolar, não será certamente inócuo.

Com o fim do horário de Inverno em debate, crescem as preocupações que esta decisão possa ter impactos em termos de saúde.

Adotada em cerca de 70 países, a mudança de horário está associada ao aumento de acidentes rodoviários, nos dias seguintes à mudança de horário. Os acidentes de trabalho também parecem aumentar, mas de forma menos significativa.

É sabido que as alterações do ritmo circadiano podem ser deletérias para a saúde, nomeadamente em termos de risco cardiovascular. Alguns estudos apontam no sentido de um aumento dos enfartes agudos do miocárdio, enquanto outros apenas foram capazes de mostrar alterações no padrão temporal dos eventos, sem verdadeiro aumento da sua incidência.

Está provado que durante a semana seguinte à mudança de horário a qualidade do sono é inferior, com maior impacto na adaptação ao horário de verão, em que contamos com menos uma hora de sono.

Outra questão importante é o impacto que a mudança da hora poderá ter na produção de cortisol. A produção desta hormona está em íntima relação com a luz solar, sendo o seu nível tanto maior quanto mais tarde for o nascer do sol. No entanto, esta relação não parece ser modificada pela mudança de hora.

Assim, o processo de mudança de hora em si parece trazer mais prejuízos do que benefícios em termos de saúde. No entanto, tão ou mais importante que a discussão da mudança de hora é o horário que se irá fixar e os impactos deste.

Estamos preparados para viver o ano todo em horário de verão? O que é que isto implicará em termos de qualidade de sono para a população portuguesa? Numa sociedade em que a maioria das crianças dorme tarde e não cumpre o tempo de sono recomendado à idade, a adaptação ao horário de verão durante os meses de Inverno, em tempo escolar, não será certamente inócuo.

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Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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