Rui Nogueira: Um balanço
DATA
02/01/2012 05:21:21
AUTOR
Jornal Médico
Rui Nogueira: Um balanço

O concurso de ingresso na formação específica do internato médico terminou em Dezembro e colocou quase 1400 internos em unidades de saúde do continente e das ilhas. Em MGF ultrapassámos, pela primeira, vez a colocação de 400 internos num só concurso. Das 415 vagas postas a concurso sobraram apenas 11 (2,7%).

EDITORIAL

Rui_Nogueira.jpgO concurso de ingresso na formação específica do internato médico terminou em Dezembro e colocou quase 1400 internos em unidades de saúde do continente e das ilhas. Em MGF ultrapassámos, pela primeira, vez a colocação de 400 internos num só concurso. Das 415 vagas postas a concurso sobraram apenas 11 (2,7%).

Uma apreciação mais detalhada permite ainda outras leituras. Entre as seis especialidades que tiveram vagas "rejeitadas", a MGF foi a menos penalizada - medicina interna vem a seguir, com 3,9% de vagas não ocupadas.

O ingresso de internos em MGF atingiu o valor mais elevado de sempre em relação às restantes especialidades - quase 30% dos internos que realizaram o concurso ingressam em MGF em Janeiro de 2012. Este volume de ingressos representa um aumento de mais de 17% em relação a 2011 (neste ano já havia aumentado 10%).

Nos últimos 3 concursos entraram tantos internos em MGF como nos seis concursos anteriores. Beneficiámos do aumento de ingressos nas faculdades e do consequente aumento de licenciados em Medicina dos últimos anos. Mas ainda assim passámos de 21,8% de ingressos (de 2005 a 2009) para 28,4% de 2010 a 2012, com tendência crescente.

Com a evolução dos últimos anos, a proporção entre o número de internos de especialidades hospitalares e de internos MGF alterou-se profundamente. De uma relação de 6 para 1 (em 2005) passámos para uma relação de 3 para 1.

De cerca de 500 internos de MGF passámos para cerca de 1100. Número que duplicará nos próximos quatro anos.

Com esta evolução podemos admitir estarem criadas condições para garantir a manutenção e o desenvolvimento da rede de "unidades de saúde da pessoa e da família" e superarmos a falta de médicos de família conhecida de todos.

Na verdade, os internos que agora iniciam o internato de MGF serão médicos de família em 2016, num cenário cenário de falta de médicos de família desde há anos, com tendência para se agravar até 2015. É um período transitório. Parte da solução está encontrada com este esforço de formação médica. Mas é preciso acreditar e criar mais condições formativas, reconhecer o valor dos orientadores e dos jovens médicos, investir em organização e inovação e, com sabedoria, desenvolver a sustentabilidade do SNS alicerçada em Cuidados de Saúde Primários efectivos.

Com o aumento do número de internos de MGF e com o aumento de médicos de família, no médio prazo, podemos esperar pela consolidação das unidades de saúde no contexto da reforma dos Cuidados de Saúde Primários. E aqui, diga-se, é legítimo pensar em redimensiona-las, evoluindo na prestação de cuidados de saúde atractivos e reconhecidos. Por isso continuamos a pensar na década dos Cuidados de Saúde Primários.

Rui Nogueira

Vice-presidente da APMGF

 

 

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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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