Gestão para a saúde
DATA
05/10/2011 06:21:05
AUTOR
Jornal Médico
Gestão para a saúde

As soluções ou propostas para o SNS deveriam constituir exigência simultânea de previsão dos efeitos e consequências relativamente aos indicadores de saúde e aos ganhos em saúde

 

rui_cernadas.jpgPortugal consome, em cuidados de saúde, um pouco menos de 10% da totalidade da riqueza que produz. É claro que, apesar de muitos dos indicadores de saúde ombrearem com os melhores lá de fora, todos temos a noção de que há problemas na organização do SNS, seja por constrangimentos ao nível da acessibilidade, seja ainda porque ao nível organizacional e dos serviços se registam desperdícios e ineficiências consideráveis.

A falta de médicos de família, ou se quisermos, o facto de haver cidadãos sem possibilidade de disporem do seu médico de família é um dos constrangimentos mais relevantes. Pese esta constatação, relatórios da OCDE publicados em 2010, informam que, em Portugal, temos 3,7 médicos por cada mil habitantes, um ratio acima da média europeia, que é de 3,3.

O conhecimento e a divulgação, pelo Tribunal de Contas, da perda e delapidação de recursos na casa dos 22 a 25% em relação ao desempenho do SNS é, dada a sua persistência, terrível.

Não se trata, deste modo, de discutir ou manter, nesse plano, os dogmas da gratuitidade dos serviços ou das questões da constitucionalidade ou, enfim, do que uns e outros preferem, mas daquilo a que os portugueses podem e devem ter, no sentido de um acesso a serviços e cuidados de saúde.

O que importaria era que o Estado definisse rumos e modelos sustentados no tempo que, impondo implicações orçamentais e financeiras distintas, num cenário de défice grave, acentuado e prolongado das finanças públicas, pudesse garantir aos utentes a racionalização de toda a natureza dos recursos e as obrigações que aos prestadores viesse a caber.

Neste contexto, as soluções ou propostas para o SNS deveriam constituir exigência simultânea de previsão dos efeitos e consequências relativamente aos indicadores de saúde e aos ganhos em saúde.

Só assim poderiam ser evitadas, ou obviadas, as muito perigosas aventuras demagógicas, as soluções teóricas avulsas ou extemporâneas e as incursões bem intencionadas mas não integradas, nem coerentes.

O que desejaríamos era muito simples.

Que o dinheiro dos contribuintes possa ser bem aplicado e gerido, que se atinjam níveis de elevada qualidade na actividade clínica e que a eficiência dos serviços possa por si só garantir a redução dos custos.

 

Rui Cernadas

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