Morrer de fome à vista de comida
DATA
05/10/2011 06:17:44
AUTOR
Jornal Médico
Morrer de fome à vista de comida

Vai para três meses que se encontram em Torres Novas e no Entroncamento médicos costa-riquenhos. Contudo, encontram-se impedidos de exercer, apesar de estarem a receber para o efeito, e da tremenda falta que fazem nos centros de saúde respectivos

 

"As eleições são entendidas pela maioria dos candidatos como uma batalha pelo poder, onde ‘o céu é o limite', quer em relação aos gastos, quer em relação aos recursos (lícitos ou ilícitos)"

Luís de Sousa in ‘Corrupção' editado pela FFMS

 

acacio_gouveia.jpgVai para três meses que se encontram em Torres Novas e no Entroncamento médicos costa-riquenhos. Contudo, encontram-se impedidos de exercer, apesar de estarem a receber para o efeito, e da tremenda falta que fazem nos centros de saúde respectivos.

E isto Porquê?

Bom... Ao que parece, o processo de recrutamento foi atabalhoado. Havia pressa, porque se pretendia que chegassem antes das eleições, para que o partido então no poder pudesse colher proveito da iniciativa.

Não fosse esta cega avidez por conseguir, a qualquer preço, um punhado de votos e estes clínicos teriam vindo um pouco mais tarde... mas estariam já a prestar serviço.

Resumindo: há falta de médicos no centro de saúde e temo-los, mas impossibilitados de prestar assistência aos torrejanos.

O dinheiro é pouco, mas desperdiça-se da forma que se vê.

Esta insólita (e dispendiosa) situação é fruto da desenfreada sofreguidão de votos, que infectou os partidos que assim se colocam acima dos interesses da Nação.

Sem qualquer pudor, o erário público foi posto ao serviço da campanha eleitoral do partido.

Os que assim agem não servem a democracia. Desprestigiam-na.

E ao contrário da Islândia, tudo leva a crer que, deploravelmente, ninguém será responsabilizado por mais este rombo financeiro no país, particularmente revoltante num momento em que os portugueses sofrem com uma crise económica sem precedentes. E não se pense que para estes colegas sul-americanos é indiferente este imbróglio. Muito pelo contrário! Para além do mais é a imagem do país que sai manchada.

Se bem que a Câmara Municipal de Torres Novas não seja directamente responsável por esta fífia, a verdade é que sai salpicada, porque fez questão em se associar à iniciativa de forma exuberante. Já agora: seria interessante saber que atenção mereceu à edilidade o jovem médico português que, por essa altura, foi colocado no nosso centro de saúde. E ... já está em funções.

 

Acácio Gouveia

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