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DATA
28/10/2016 12:45:13
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Jornal Médico
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João Lobo Antunes: o neurocirurgião, o pensador, a excelência

Faleceu, aos 72 anos, vítima de doença prolongada, o neurocirurgião João Lobo Antunes, notabilizado ao longo da sua carreira pela inovação que sempre imprimiu no seu trabalho de investigação.

Lisboa viu-o nascer a 4 de junho de 1944 e a sua vida esteve, desde sempre, ligada à investigação em Neurocirurgia. Licenciado e doutorado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, viveu entre 1971 e 1984 em Noa Iorque, altura em que integrou o Departamento de Neurocirurgião do The New York Neurological Institute. Conhecido pela excelência como cirurgião, pensador e escritor, foi laureado com o Prémio Pfizer (1969), Prémio Pessoa (1996), Medalha de Honra da European Association of Neurosurgical Societies (2007), Medalha de Mérito de Ouro do Ministério da Saúde (2003), Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2004), Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago de Espada (2014), Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (2016), entre outros. João Lobo Antunes destacou-se ainda pelo estudo do hipotálamo e da hipófise, tendo ainda sido o primeiro médico a implantar o olho eletrónico num cego, em 1983. Entre 1984 e 2014 foi diretor do Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria, foi também presidente da Sociedade Europeia de Neurocirurgia, do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa. Em 2015 foi eleito Presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e foi ainda Presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência do Ministério da Saúde. O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos homenageou “a memória de um médico cuja dedicação inestimável ao desenvolvimento da Medicina, e mais particularmente da Neurocirurgia, deve ser uma referência para os mais velhos e um exemplo a seguir pelos mais novos”.

Um “verdadeiro visionário”

Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, que à data da notícia do desaparecimento de Lobo Antunes se encontrava fora do país, não quis deixar de o recordar como “uma das figuras que mais marcou a saúde em Portugal, a ciência e a investigação biomédica”. “Foi um verdadeiro visionário. Um dos maiores do nosso tempo”, “um referencial da sua geração”.

“Um dos últimos grandes príncipes” da Medicina portuguesa

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva sublinhou que, com a sua morte, desaparece “um dos últimos grandes príncipes” da medicina portuguesa. “Prestigiou a classe, não apenas na Medicina, mas na Literatura e na cidadania”, afirmou o responsável, manifestando “grande pesar e grande luto”. José Manuel Silva sublinhou ainda que teve oportunidade de conviver nos últimos anos com Lobo Antunes, no Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, manifestando um sentimento de “grande tristeza” pela morte do médico. “Era uma pessoa de uma grande intelectualidade, um grande exemplo”, frisou.

“Uma personalidade absolutamente ímpar, o melhor da nossa geração”

Nas palavras do diretor-geral da Saúde, Francisco George, “Lobo Antunes foi uma personalidade absolutamente ímpar, o melhor da nossa geração”.

Um “brilhante académico” e um “vulto multidisciplinar”

O Centro Académico de Medicina de Lisboa (que corporiza o Instituto de Medicina Molecular, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e o Centro Hospitalar de Lisboa Norte) recorda o Prof. Doutor Lobo Antunes como um “brilhante académico” e um “vulto multidisciplinar” que deu “ímpares contributos” a Portugal, marcados pela excelência. “O Prof. Doutor João Lobo Antunes foi um vulto multidisciplinar, nacional e internacional, que abrangeu, com sólido conhecimento e elevados dotes intelectuais, áreas tão diversas, como as neurociências, em particular a neurocirurgia, e a ética, entre demais”, refere o Centro. E conclui: “Chamado a tantos desafios e tão diferentes da vida pública e social, a todos respondeu com natural elegância, afabilidade no trato e empenho, garantindo o seu êxito e dando generosamente também aí ímpares contributos ao país.”

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.