Estudo recomenda maior espaçamento entre vacinas para evitar efeitos adversos
DATA
08/09/2016 11:40:46
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Jornal Médico
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Estudo recomenda maior espaçamento entre vacinas para evitar efeitos adversos

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Um estudo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), do Porto, recomenda intervalos de tempo maiores entre reforços vacinais de adultos, de forma a combater doenças como o tétano ou a difteria, com menos efeitos adversos.

"Quanto menos vacinas forem administradas, menor probabilidade de efeitos secundários, pouco graves mas aborrecidos, como a dor, o inchaço local e a vermelhidão", afirmou em entrevista à Agência Lusa o coordenador do projeto e investigador do ICBAS, Guilherme Gonçalves.

Esta é uma das recomendações do estudo, que constam do novo Programa Nacional de Vacinação (PVN), o qual deverá entrar em vigor já a partir de 2017, e que envolveu ainda o investigador do ICBAS João Frade, cientistas do Instituto Ricardo Jorge e da Faculdade de Medicina de Coimbra.

O mesmo deu origem a um artigo, intitulado "Levels of diphtheria and tetanus specific IgG of Portuguese adult women, before and after vaccination with adult type Td. Duration of immunity following vaccination", publicado na revista internacional BMC Public Health, onde é descrita à análise feita aos dados de vacinação de mulheres portuguesas adultas, nascidas antes e depois de iniciado o PNV (1965), resultando em recomendações diferentes para umas e outras.

"Antes de 1965 já havia vacinação, mas depois dessa data o programa tornou-se sustentável e ativo. Quem nasceu antes desse período podia ter falhas na vacinação. Para quem nasceu depois, as coberturas são excelentes, daí as diferenças nas recomendações", explicou o coordenador.

Através deste estudo "foi obtida evidência científica adequada à adoção de medidas na população portuguesa", que vão ao encontro dos dados resultantes de outros estudos internacionais, "o que é relevante para a fundamentação de medidas de promoção da saúde pública". O estudo foi realizado com recurso à análise de dados de 88 mulheres, com idade média de 58 anos.

A decisão de não incluir homens no estudo deve-se, segundo o coordenador do projeto, ao facto de estes, "em muitos estudos do género", apresentarem mais anticorpos contra o tétano que as mulheres, por terem ido à tropa, "onde eram vacinados e não havia registos".

Segundo informação do ICBAS, "entre as mudanças anunciadas em junho pelo Diretor-geral da Saúde, inclui-se ainda a introdução de novas vacinas mais modernas, mudanças na utilização de vacinas já em uso e alterações ao anterior calendário vacinal, onde se verificava um maior espaçamento entre as doses de reforço da vacina contra o tétano, administrada a adultos".

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Editorial | Jornal Médico
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