IV Jornadas Multidisciplinares de MGF são cruzamento de gerações e experiência clínica
DATA
12/05/2022 09:38:36
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Jornal Médico
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IV Jornadas Multidisciplinares de MGF são cruzamento de gerações e experiência clínica

As jornadas são um espaço privilegiado de reunião entre “médicos com vários anos de experiência de prática clínica, jovens especialistas, e outros médicos ainda em formação”, afirma, em entrevista,  Paulo Pessanha, co-presidente do evento que decorre de 19 a 21 de maio, no Centro de Congressos do Sheraton, no Porto.

Jornal Médico (JM): Esta é a 4.ª edição das Jornadas Multidisciplinares. Que avaliação faz do percurso de consolidação deste evento no calendário da formação médica dirigida à MGF?

Paulo Pessanha (PP): As Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar tiveram o seu início em 2019. O objetivo primordial foi promover a educação médica e, consequentemente melhorar a prática clínica dos Médicos de Medicina Geral e Familiar. Desde o primeiro ano que a afluência às jornadas foi muito significativa com cerca de 700 médicos inscritos e presentes nas mesmas. Este facto deu-nos alento para continuar cada vez com mais empenho, na realização de futuros eventos. Desde então, o êxito das jornadas foi-se consolidando e crescendo tendo em 2020 a participação de cerca de 1200 médicos online e em 2021 cerca de 600 médicos em participação presencial e cerca de 1000 participando online. Assim as jornadas passaram a ser não só um evento regional, mas também nacional, contando actualmente com a participação de médicos de todo o país.

JM: Que lacuna considera que vieram suprimir, ou complementar?

PP: As Jornadas multidisciplinares tiveram sempre como objetivo serem umas jornadas da medicina familiar para a medicina familiar tendo como objetivo primordial a melhoria da formação, preenchendo lacunas que os médicos necessitavam de complementar.  Assim, o programa foi sempre elaborado de uma forma muito prática e interactiva privilegiando casos clínicos do dia a dia e a sua discussão. A participação de médicos que trabalham maioritariamente em hospitais também foi sempre uma prioridade para nós, procurando bons comunicadores com excelente formação científica e com relação privilegiada com a nossa especialidade.

JM: Que elementos diferenciadores das Jornadas gostaria de distinguir?

PP: Foram realizados inquéritos aos médicos de família para sugerirem temas a serem discutidos nas jornadas indo assim ao encontro das suas reais necessidades formativas. Em todas as apresentações foram envolvidos médicos de família numa participação ativa em parceria com médicos hospitalares escolhidos atendendo às suas capacidades de comunicação e relação com a medicina geral e familiar.

JM: Na vossa mensagem de presidência no site das Jornadas dão nota que estas são dirigidas “às reais necessidades dos internos e especialistas em Medicina Geral e Familiar”, focando as apresentações numa abordagem assente em casos clínicos. Para o programa este ano, foram selecionadas temáticas que vão desde doenças do foro da Gastrenterologia, passando pela saúde mental, pelas sexualidade e saúde da mulher, entre outros. Porque motivo se consideraram estes temas para a discussão focada na prática clínica?

PP: Além das sugestões da comissão organizadora, foram efectuados inquéritos a internos e especialistas em MGF procurando que os temas versados nos casos clínicos e apresentações fossem ao encontro das suas necessidades formativas.

Para o programa deste ano foram selecionados temas como Gastroenterologia, Cardiologia, Saúde da Mulher e a Problemática da COVID. Os temas escolhidos foram considerados dos mais prevalentes da nossa consulta do dia a dia. Estes temas, tais como outros, irão ser abordados de uma forma eminentemente prática e participativa privilegiando a interação entre os oradores e a assistência.

JM: Continuando sobre o programa, haverá sessões de casos clínicos flash dedicados às sequelas da COVID-19 no contexto de ambulatório. Que tipo de sequelas têm sido as mais prevalentes e quais são as que causam maior preocupação?

PP: Pela sua pertinência e atualidade haverá uma sessão sobre o pós- COVID no contexto do ambulatório. Também haverá uma sessão sobre vacinação no adulto com doença respiratória. Esta sessão terá a participação do Dr. Filipe Froes que participou activamente em todo o processo da pandemia.

JM: O que nos pode adiantar o que é esperado nos três dias da IV edição deste evento científico? E quais são as expectativas quanto à adesão e ao espírito de networking de partilha entre oradores e audiência? Quais as mais-valias para os internos em MGF?

PP: Temo-nos empenhado de modo muito ativo nestas 4ª Jornadas. Assim, e dado ao programa aliciante e eminentemente prático esperamos uma participação ativa e esmagadora de médicos de todo o país. Estarão presentes médicos com vários anos de experiência de prática clínica, jovens especialistas, e outros médicos ainda em formação. Como sempre iremos privilegiar a vertente prática da medicina procurando partilhar ideias, conhecimento, dúvidas e experiências entre os oradores e a audiência. Desta forma, prevemos que as Jornadas serão enriquecedoras e uma mais valia para todos os participantes nomeadamente para os internos de MGF. Foram recebidos cerca de 180 trabalhos científicos o que atesta bem do interesse que o congresso suscita aos médicos participantes. Estes serão divididos em três categorias sendo atribuído um prémio pecuniário ao melhor trabalho de cada categoria

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