Nuno Jacinto: “Se falharmos, tudo falha a seguir”
DATA
31/03/2021 09:16:52
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS


Nuno Jacinto: “Se falharmos, tudo falha a seguir”

As palavras que fazem o título desta entrevista espelham o sentir do recém-empossado presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto, relativamente às lacunas identificadas ao nível dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) e às dificuldades com que os médicos de família se deparam no exercício da atividade. Um cenário que se agravou com a alocação ao acompanhamento de doentes covid em domicílio e que o faz defender que esta teria sido a oportunidade para investir nos cuidados de saúde em Portugal, dando continuidade a uma reforma inacabada que deixou o País a duas velocidades.

Jornal Médico (JM) | Na candidatura e no discurso de posse como presidente da APMGF falou repetidas vezes na necessidade de mudança. Esta não será uma direção de continuidade, mas, sim de rutura?

Nuno Jacinto (NJ) | Não é uma direção de rutura, porque não nos podemos esquecer do nosso passado e de tudo o que foi bem feito. E eu pertenci às três últimas direções, fui secretário das duas mais recentes e suplente da anterior. Obviamente que o património da APMGF não pode ser esquecido.

O que sentimos foi que estava na altura de mudar alguns aspetos que, para nós, são chave, nomeadamente na participação dos sócios: queremos uma associação que possa incluir todos os sócios, desde os internos e os jovens médicos aos especialistas um pouco mais velhos, aos colegas que estão mais próximos da reforma e mesmo aos que já se reformaram. Ter uma associação em que sintam que conseguem participar, expor as suas ideias, com múltiplas áreas de intervenção.

E, depois, queremos reforçar uma característica muito própria da APMGF, que é, por um lado, a vertente técnico-científica, como sociedade científica que somos, e, por outro, a vertente socioprofissional, porque temos este traço, se calhar único nas sociedades médicas em Portugal – basta ver o papel que a APMGF desempenhou na última reforma dos Cuidados de Saúde Primários. Temos de valorizar esta dupla vertente. Na área socioprofissional, incluem-se as preocupações com a carreira, com o internato, com a reforma dos CSP, com a organização do sistema de saúde. Já a área técnico-científica, prende-se com a formação, nomeadamente a formação pós-graduada contínua, com os eventos, com a ligação à Academia, e com a investigação, que é também uma prioridade nossa – temos de a fomentar, de criar incentivos e apostar em bolsas, até para dinamizar a nossa revista, que é uma revista excelente e que precisa de trabalhos científicos de qualidade.

Por último, a mudança também se prende com a vontade que temos de lutar pela qualidade e segurança do nosso exercício, por termos as condições de trabalho, não só físicas, mas a nível de legislação, de carreira, que permitam exercer a atividade de forma digna, com aquilo que os nossos doentes merecem e com o que os médicos de família merecem.

JM | Havia um défice a nível de participação dos sócios?

NJ | O que foi acontecendo na APMGF é que, muitas vezes, tendemos a fechar-nos sobre nós próprios e a tentar resolver todos os problemas que surgem, até por pensarmos que, se estamos nestes lugares, nos órgãos sociais, é essa a nossa função. Mas, mais do que resolver sozinhos, é preciso procurar as respostas junto dos nossos colegas e depois dar a cara por essas soluções. A maneira de fazer isso é simples, é delegar funções, é estimular grupos de estudo, estimular delegações, é chamar os colegas ativamente quando há necessidade de tomada de decisão, de reflexão. E isso tem de ser feito por colegas de todo o lado. Se vamos falar de reforma dos Cuidados de Saúde Primários, temos de envolver colegas de USF, seja do modelo A ou modelo B, colegas de UCSP, do privado, mais novos, mais velhos, do Alentejo, de Lisboa, das ilhas… É assim que se faz uma associação mais próxima, é ir ativamente atrás dos colegas.

JM | Falando da vertente técnico-científica, o que se propõe esta direção fazer para promover a formação e a investigação?

NJ | A nível da formação, queremos desenvolver os eventos que já temos e que são eventos com grande tração. Estou a falar do encontro nacional, do congresso, das jornadas regionais, das jornadas dos grupos de estudos. Vamos ter de adaptar esses eventos à realidade, já era uma necessidade, mas agora é incontornável. E, sobretudo, temos de ter a grande preocupação de ir buscar temas que sejam apelativos e muito dirigidos às necessidades dos colegas, muito dirigidos à nossa prática clínica no dia a dia, que respondam às dúvidas que temos.

Temos de inovar e, por isso, vamos organizar o Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família de forma autónoma, pois até agora estava integrado no congresso nacional. A nossa ideia é criar um espaço em que os colegas mais novos possam discutir as suas necessidades e apresentar os seus trabalhos. Queremos também ter mais formações de proximidade, mais temáticas. E apostar muito nas delegações e nos grupos de estudo, que têm um papel muito relevante na área científica, através da produção de guidelines em tudo o que diz respeito à prática clínica, mas também em áreas que não são tao faladas, mas são muito importantes, como a governação clínica, a contratualização, a gestão de equipas.

Quanto à investigação, temos de criar esse gosto, explicar aos colegas que se pode e deve fazer boa investigação em Portugal, e dar-lhes as ferramentas – o que entronca na formação. Essa aposta integrada na promoção da investigação passa pela criação de bolsas especificas, pela apresentação desses projetos nos nossos eventos e pela publicação dos resultados na Revista Portuguesa de MGF. Essa aposta tem de estar ligada às faculdades, aproveitar as sinergias.

JM | Do ponto de vista socioprofissional, o que é mais premente nesta altura?

NJ | Apesar de a pandemia ser algo temporário, é representativa da importância que os cuidados primários têm tido em Portugal. Ouvimos muitas vezes que somos a porta de entrada no sistema, mas a verdade é que as preocupações tantas vezes estão viradas para outros lados e esquecem-se das nossas dificuldades e necessidades e da importância que temos. Porque se falharmos, tudo vai falhar a seguir. A reforma que começou já há 12, 13 anos tinha precisamente esse objetivo, o de centralizar os cuidados primários, mas, infelizmente, é uma reforma inacabada.

Existe uma grande desigualdade entre os modelos de funcionamento dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal. Começando logo pelo modelo retributivo, passando por coisas simples como a valorização do papel do orientador, a valorização da coordenação, a possibilidade que existe, ou não, de espaço para investigação, para a docência, para outros projetos que queiramos ter ligados ao desenvolvimento da MGF. Além disso, as questões da carreira são absolutamente fundamentais, nomeadamente  no que diz respeito aos concursos, começando logo pelos concursos para os recém-especialistas, que deveriam obrigar a um planeamento a médio prazo que permitisse gerir estas vagas ao longo de vários anos – é relativamente fácil de fazer, sabemos quantos são os internos que temos, sabemos onde eles estão, sabemos quais são os seus desejos… não faz sentido esperar pelo final do internato, quando as pessoas já têm a sua vida estabelecida e são obrigadas a mudar tudo de um momento para o outro porque ninguém lhes explicou qual era a perspetiva, para onde iriam. Esses concursos têm de ser atempados, não podemos estar meses e meses à espera que aconteçam. O mesmo com os concursos de provimento, para assistente graduado e assistente graduado sénior – não faz sentido que se esperem anos, há colegas que concorreram em 2017 e ainda não tiveram a sua avaliação e, entretanto, já houve outro concurso e deve estar a abrir mais um. Têm de ser dadas essas perspetivas de carreira, tem de haver uma diferenciação clara, não podemos ter apenas uma passagem administrativa: as competências são diferentes, tem de existir essa progressão.

Também temos de ter muita atenção às condições que nos são dadas a nível do nosso trabalho diário. E que passam não só pelos recursos materiais – precisamos ter computadores que funcionem, telefones que funcionem, gabinetes equipados e gabinetes suficientes, mas precisamos igualmente de recursos humanos, obviamente de todas as equipas que nos rodeiam, de enfermeiros, que são quem mais trabalha connosco, e assistentes técnicos, mas também de todos os outros profissionais de saúde – psicológicos, nutricionistas, terapeutas da fala. E precisamos de uma coisa importante – e essa é uma bandeira que já vinha de trás –, que é a questão da dimensão da lista de utentes. É basilar para toda a nossa atividade. Se continuarmos com listas de utentes desmedidas, que não nos permitem dar a resposta desejada a todos os nossos utentes, tudo o resto vai ruir.

JM | Coexistem três modelos de cuidados de saúde primários. Faz sentido essa distinção? Gera alguma desigualdade?

NJ | Há alguma desigualdade, não diria tanto no atendimento aos utentes. São essencialmente questões como termos um orientador de formação que é mais reconhecido como tal e que tem um suplemento no modelo B, mas isso não acontecer no modelo no A ou em UCSP. É termos um coordenador que recebe como tal mo modelo B, mas isso não acontecer nos outros modelos. Entenda-se que eu defendo muito as virtudes das USF, trabalhei sempre em USF, mas não podemos considerar que existe uma espécie de tropa de elite. É preciso reajustar este modelo, permitir que se adapte a realidades mais locais. Sobretudo expandir estes conceitos da intersubstituição, do trabalho por objetivos – e que os objetivos não sejam meros indicadores de processo – e de disponibilidade para os utentes que o modelo USF foi trazer, mas que se foi espartilhando numa reforma a duas velocidades. Isso não pode acontecer, seja para os profissionais, seja para os utentes.

JM | Centremo-nos na lista de utentes. Defende o reajuste, no sentido de que cada médico tenha menos utentes. Mas, como conciliar com o problema crónico dos utentes sem médico de família?

JM | A maioria de nós tem, efetivamente, utentes a mais. A associação fez esse trabalho de identificar vários fatores de ponderação para avaliar qual seria a lista ideal. Estamos a viver um momento de transição, que é absolutamente irrepetível, estamos com centenas de internos a serem formados por ano e que devíamos aproveitar para renovar toda a geração de MGF que está neste momento próximo da aposentação. Em breve, vamos deixar de ter médicos de família a reformar-se. Temos de aproveitar essa fase de saldo positivo para conseguir implementar estas mudanças na lista de utentes. Já com os colegas novos, que vão entrando e começar logo a adotar estas modelos de listas de espera mais adequadas à realidade. Claro que isso obriga a uma coisa fundamental, que é conseguirmos captar estes colegas para ficar no SNS, porque, se um terço ou metade não ficar, vamos continuar a ter o problema crónico da falta de médicos de família, não vamos conseguir atribuir um médico de família a todos os portugueses. E, sendo assim, isso dificulta muito esta gestão das listas de utentes. Se conseguirmos – e a associação tem-se batido por isso – captar estes colegas e aproveitar este saldo positivo, tenho a certeza que será possível implementar estas medidas que conduzam, não direi à diminuição das listas de utentes, mas à adequação ao que tem de ser o trabalho do médico de família.

A lista de utentes ideal não tem propriamente um número padrão. Estamos habituados a ter 1550 utentes, 1900 utentes, mas a minha realidade em Évora não é a mesma do meu colega de Barrancos ou de Bragança, de Coimbra ou de Lisboa. E é possível criar modelos que adaptem esta dimensão da lista de utentes a características mais locais, que passam por densidade populacional, proximidade de urgências hospitalares, taxa de mortalidade, taxa de fecundidade. A questão tem mesmo de ser bem ponderada.

JM | A nível do ingresso, diria que a especialidade é atrativa?

NJ | O panorama tem mudado muito nos últimos anos e para melhor. Temos colegas que vêm para MGF porque querem, porque tiveram contacto, percebem a importância da MGF nos cuidados de saúde e percebem a beleza desta especialidade, do contacto com o doente ao longo da vida, da proximidade. Por isso, sim, tem-se tornado cada vez mais atrativa. O problema não é captar colegas à entrada, embora, naturalmente, tenhamos de continuar a trabalhar nisso e a motivar as pessoas para escolherem a MGF; o problema prende-se com a retenção. Chegamos a ter concursos em determinadas regiões que ficam vazios, em que ninguém concorre. Isso é preocupante. Concorrem para unidades privadas, ficam a fazer atividade privada, em clínicas, a fazer outro tipo de atividade que não aquela para o qual foram treinados, e outros até emigram. Fomos nós que os formámos, os captámos, entraram para a especialidade, fizeram o seu internato e, no final, acharam que a sua perspetiva não era ficar no SNS. Há qualquer coisa que não está a ser oferecida. Quando falamos disto, pensamos logo nos incentivos financeiros, mas a questão não é só essa, tem a ver com as condições de trabalho – vão trabalhar para um local onde há perspetiva de construir uma equipa, onde há perspetiva de construir um projeto importante, onde há apoio da comunidade – na creche dos filhos, na habituação, na colocação do cônjuge… E depois há uma questão que tem sido muto falada: os concursos de mobilidade. Não são a solução para todos os problemas, mas são importantes, tem de haver a perspetiva de saber que, no futuro, se necessitar, pode mudar para outro local dentro do SNS. Prende-se com a necessidade de revitalizar a carreira. O objetivo não é termos populações em que todos os anos o médico de família muda, não é isso, mas esta previsão tem de existir.

JM | Mencionou a reforma inacabada dos CSP. O que está por fazer?

NJ | Desde logo esta evolução do modelo USF, que não conseguiu chegar a todo o lado, deixando o País a duas velocidades. Uma das diferenças é o modelo remuneratório, mas não só: nas USF, existe a facilidade de quase escolher a equipa, o que não acontece nas UCSP; as USF têm uma contratualização às vezes um pouco diferente e pode passar a ideia de que os colegas que estai em UCSP ficam para trás, o que é injusto. E, depois, tem a ver com a gestão de coisas como utentes sem médico, utentes esporádicos. O problema é que, além de tudo isto, mesmo nas USF, a autonomia administrativa acaba por não estar tão bem organizada, os incentivos em muitos casos são uma miragem. Se não temos esse estímulo, acabamos por pensar que não vale a pena trabalhar para aquele objetivo, para aquele indicador. O que me parece que falta claramente na reforma é essa parte da autonomia das equipas, da maior integração entre equipas, acabar com a discrepância de modelos remuneratórios, de modelos organizativos.

JM | Na sua intervenção ao tomar posse, destacou que a maioria dos doentes covid passa pela Medicina Geral e Familiar. Que implicações tem essa situação?

NJ | A esmagadora maioria dos doentes covid fica em casa a ser vigiada pelas suas equipas de saúde familiar e a ser referenciada ao hospital quando necessário. O problema é que estamos a falar de grandes números e mesmo que tenhamos só 10% dos doentes a chegarem ao hospital, 10% de um número grande acabam por ser muitas pessoas e os hospitais não têm capacidade de resposta. Voltamos à questão de que falava: se os CSP não tiverem capacidade de resposta e não conseguirem seguir bem estes doentes, e todos os outros que estão connosco, isso vai fazer com que sejam drenados para o hospital, sobrecarregando ainda mais uma resposta que já é difícil.

Qual é o problema? Tem a ver com a maneira como nos é exigido que façamos este seguimento. Felizmente, a maioria destes 95% de doentes covid que seguimos são doentes assintomáticos ou com sintomas ligeiros que eles próprios podem controlar – e, por isso, não faz sentido termos de fazer uma chamada telefónica diária para saber se estão bem, isso gasta tempo que é essencial para os doentes covid que estão com sintomas mais exacerbados, essencial também para que possamos continuar a dar respostas a tudo o que não é covid. Nem precisamos pensar em doenças: continua a haver grávidas, as crianças continuam a nascer, continua a haver necessidade de fazer rastreios. Se estamos completamente com o nosso tempo alocado a atividades covid, deixamos de ter resposta para o resto. Além de que a nossa atividade no âmbito da pandemia não tem só a ver com este seguimento diário telefónico – cuja utilidade depois tem de ser discutida –, tem também a ver com o atendimento que fazemos às doenças respiratórias agudas, tem a ver com o apoio que damos aos lares – e esse tem sido um grande problema. Outra atividade fundamental tem a ver com a vacinação, que é feita pelos CSP, tirando situações pontuais. Vamos começar a vacinar doentes que pertencem a grupos de risco, prioritários, e o nosso universo vai-se alargar muito mais. Novamente, isso consome recursos. Quando falamos da assistência à pandemia, temos de nos lembrar do papel dos CSP e, em especial, da MGF.

Continuamos a ser uma visão muito hospitalocêntrica. Quando pensamos em pandemia, pensamos em camas e em ventiladores, mas ate chegar lá, há um percurso enorme. Queremos é que tudo o que está na base não precise de pressionar as estruturas que estão mais a montante e que têm cuidados mais diferenciados. Se desguarnecemos os CSP e se continuarmos a atribuir tarefas aos médicos e enfermeiros de família, como se fossem tarefas pequenas, isso tira-nos completamente a capacidade de resposta.

Durante a pandemia, verificou-se uma coisa engraçada: diminuímos em 50% as consultas presenciais e aumentámos em mais de 100% os contactos indiretos. Reinventámos a maneira de trabalhar em CSP, tivemos de o fazer por razões de segurança, nossa e dos utentes, por algum receio, mas também por esta necessidade de estarmos alocados a outras atividades, o que não nos permite ter agenda. É uma questão incontornável: não conseguimos estar em dois sítios ao mesmo tempo. Se pegamos num grupo de profissionais, que já avisavam que não conseguiam desenvolver todas as atividades, e ainda lhe acrescentamos todas as tarefas da pandemia, é óbvio que alguma coisa vai ficar para trás, por mais que as pessoas se desdobrem.

JM | A MGF está, portanto, a ser posta a prova todos os dias e cada vez mais. Isso traz ao de cima as fragilidades dos CSP?

NJ | Veio mostrar as fragilidades que existiam, começando logo pelos recursos materiais – telefones, computadores, capacidade de comunicar com os utentes à distância, instalações. Mas depois tem muito a ver com os recursos humanos, não só com os médicos, por exemplo, com não ter assistentes técnicos suficientes. Havia problemas com as centrais, colocaram-se lá telemóveis, mas, se não houver quem os atenda, qual é o resultado prático? Se não tivermos assistentes técnicos, se não tivermos enfermeiros, se não tivermos médicos suficientes, como é que conseguimos dar resposta? Se já trabalhamos acima do limite, quando vem uma pandemia obviamente que essas carências se acentuam.

Esta pandemia deveria ter sido um momento-chave para investir nos cuidados de saúde, mas o investimento que se verificou não é claramente suficiente para as nossas necessidades, nem para o que tínhamos antes, nem para o que precisamos agora. E, se não é uma situação destas a fazer com que se invista a sério nos cuidados de saúde, então ficamos receosos sobre o que fará com que se invista no sistema de saúde em Portugal. Continuaremos sempre a lutar por isso, mas nunca estaremos só do lado do problema.

Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
Um ano depois…

Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

Mais lidas