António Massa: Formação, reuniões de atualização e congressos continuarão a ser prioridade

“Foi de muito grande qualidade”. Foram estas as palavras que António Massa, presidente eleito da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), escolheu para fazer o balanço do 1º Congresso Virtual de Dermatologia e Venereologia. Em entrevista ao Jornal Médico, adiantou ainda alguns dos seus objetivos para o biénio 2021/22. A posse acontece em janeiro.

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual é o balanco que faz do primeiro Congresso Português de Dermatologia e Venereologia em formato inteiramente digital?

ANTÓNIO MASSA (AM) | Este congresso, fruto da pandemia, demorou menos de um mês a ser “montado”, mas correu muitíssimo bem. Eu não costumo utilizar adjetivos assim tão altos, mas nesta situação tenho realmente de o fazer. Pela falta de experiência em eventos virtuais, pensaríamos que as falhas pudessem acontecer, mas tudo ou quase esteve excecional.

Houve cinco nomes da organização do congresso, que se destacaram mais, a quem quero deixar uma palavra de reconhecimento e agradecimento, que são para o Dr. Paulo Lamarão, que sabe de tudo, não só de Dermatologia, como também de informática; o Prof. Alberto Mota, que coordenou toda a parte científica e que também ajudou imenso pelo saber que tem enquanto Professor de Dermatologia CHUSJ no Porto; e o Dr. Rui Tavares Bello. No nosso secretariado, a Manuela Reis e a Ana Quiñoy foram, também elas, excecionais. E, efetivamente, um congresso que receávamos não ter a devida qualidade revelou-se num extraordinário evento, com o Dr. Miguel Correia a corporizar a ideia/solução.

Deixo ainda uma palavra de agradecimento à News Farma/LPM com os seus profissionais, pela grande qualidade do trabalho que desenvolveram.

JM | Diria que os principais desafios do congresso nesta edição foram superados?

AM | Considero que foi um congresso de elevada qualidade, nos moldes do que costuma ser feito. Vários foram os participantes, cerca de 270, sendo as limitações tecnológicas uma das preocupações para alguns seniores, mas acreditamos que a possibilidade de poder rever tudo vai ser uma vantagem.

Se este tipo de abordagem é para continuar, ainda não sabemos responder. É um facto que há pessoas a pedir que sim, pois acharam mais cómodo gravar as suas intervenções, bem como é mais fácil para quem está a assistir. Agora, é o futuro que vai ditar como tudo irá decorrer nos próximos eventos, pois os tempos são de incerteza.

JM | Durante o congresso decorreu ainda a eleição dos corpos gerentes da SPDV para o biénio 2021-2022, em que foi eleito presidente. Que objetivos se propõe atingir neste seu mandato?

AM | Este será o terceiro mandato de dois anos cada e em oito anos que aceito o lugar de presidente da SPDV. Já não desejava sê-lo, ficar sim na retaguarda ajudando se necessário, mas circunstâncias levaram a que assim fosse. Esta é uma equipa que está treinada, portanto será apenas dar continuação ao trabalho desenvolvido nestes últimos anos. O último mandato foi desempenhado e bem pelo Dr. Miguel Correia, que, por razões pessoais, não tem disponibilidade para continuar. A ele agradecemos todo o empenho nestes dois anos.

O que se pretende é continuar a apostar na formação dos mais jovens e manter os congressos e reuniões de atualização – com convidados nacionais e estrangeiros, se as condições da pandemia o permitirem.

 A SPDV pretende também manter a atribuição das bolsas de investigação e formação nos vários serviços nacionais e estrangeiro.

Manter a revista da sociedade, que está acessível a todos e na qual pretendemos continuar a divulgar os casos clínicos e atualizações da área da Dermatologia e Venereologia. É já um ponto de união com os colegas de Moçambique, Angola e Cabo Verde.

Manter o voluntariado, através do apoio e tratamento, a exemplo da última equipa, com 21 médicos, enviada a Miranda do Douro e Vimioso, em fevereiro, direcionada a pessoas mais idosas e população local, em regiões distantes dos grandes centros e onde os cuidados de saúde são mais difíceis de chegar.

Manteremos o são relacionamento com a indústria, que muito tem ajudado na elaboração de congressos científicos e formação é um relacionamento salutar de interesse mútuo.

A ligação com outras especialidades é obrigatória e faremos parcerias relacionadas com a lusofonia que sejam benéficas para ambas as partes. Manteremos sempre um espírito de equipe como até aqui, unidos na procura da melhor solução.

As ideias ainda são um pouco vagas, mas precisaremos melhor os nossos objetivos, sendo que iremos assumir funções a 2 de janeiro de 2021. Até essa data, continuará o Dr. Miguel Correia à frente da presidência com todo o grupo eleito em 2019.

Por revisão dos estatutos, passámos de 11 a 13 membros. Outras pessoas também fantásticas aceitaram em dias fazer parte deste novo grupo, dispostas a trabalhar em prol da nossa querida SPDV e em última análise benefício dos doentes, que têm lucrado com toda a ação desenvolvida pela atualização e troca de experiências e empenhamento dos dermatologistas, que se agregam em torno da SPDV.

Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
Um ano depois…

Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

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