Grupo de Trabalho para a Insuficiência Cardíaca: Aproximar a gestão do doente com IC a uma lógica multidisciplinar
DATA
05/11/2019 17:17:17
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Grupo de Trabalho para a Insuficiência Cardíaca: Aproximar a gestão do doente com IC a uma lógica multidisciplinar

A criação do Grupo de Trabalho para a Insuficiência Cardíaca (GTIC) surge através de uma abordagem integrada e de proximidade do Serviço Nacional de Saúde à doença crónica, como a doença cardiovascular. Para que isso aconteça é fundamental dotar o SNS de capacidade de resposta. Segundo o Despacho n.º 4583/2018, “é neste âmbito que assume particular relevância a garantia de uma abordagem transversal da saúde dos cidadãos nas suas diferentes dimensões: prevenção da doença, diagnóstico precoce, tratamento adequado e a relevante dimensão da reabilitação”. 

O Jornal Médico falou com o diretor do Programa de Saúde Prioritário na área das Doenças Cérebro-Cardiovasculares, Rui Cruz Ferreira, sobre os principais objetivos e conclusões do documento lançado pelo GTIC.

JORNAL MÉDICO (JM) | Quais são os principais objetivos do GTIC?

RUI CRUZ FERREIRA (RCF) | O principal objetivo do GTIC é sistematizar informação sobre prestação de cuidados em insuficiência cardíaca (IC), com propostas e diretrizes concretas, nomeadamente no que concerne à referenciação entre níveis de cuidados. Esse trabalho culminará numa proposta a apresentar ao Ministério da Saúde, no sentido de modificar alguns dos conceitos atuais no tratamento da IC.

JM | Que conclusões expressa o documento apresentado pelo GTIC à Secretaria de Estado da Saúde?

RCF | É um documento extenso, que já foi apresentado à Secretária de Estado da Saúde, Raquel Duarte, que solicitou a reformulação de alguns aspetos, pelo que estamos, neste momento, em fase de reavaliação do mesmo. 

De qualquer forma, e mesmo sendo difícil sintetizar, acho que há diretrizes incontornáveis, com considerações importantes, que importa destacar. À cabeça, as que dizem respeito à prestação de cuidados a doentes com IC nos cuidados de saúde primários (CSP) e à articulação entre os CSP e os cuidados hospitalares.

Outro ponto fundamental do documento do GTIC prende-se com a definição do conceito de Clínica de IC, um modelo alargado de prestação que contempla não só o internamento, como também o hospital de dia e outras formas de relacionamento entre o hospital e os doentes com IC.

Igualmente importantes são as normas relativamente à telemedicina. Importa avaliar quais as áreas onde existe um benefício com a introdução da telemedicina, bem como analisar algumas características técnicas dos diferentes programas. Posto isto, é ainda necessário fomentar a adequação dos sistemas de informação do Ministério da Saúde à IC.

JM | Na sua opinião, quais são, por um lado, as carências a colmatar e, por outro, os principais avanços no seguimento de doentes com IC?

RCF | Essencialmente, o conceito de Clínica de IC – nomeadamente a vertente de hospital de dia – e a disseminação do mesmo. No que concerne à gestão e tratamento dos doentes com IC, avançar para o pagamento aos hospitais de forma distinta.

JM | Quão importantes são os centros multidisciplinares para o tratamento da IC?

RCF | São cruciais.

JM | Preventivamente, os cuidados de proximidade e as equipas multidisciplinares têm uma grande influência na progressão, ou não, da doença?

RCF | Claro que sim. A prevenção é o ponto por onde podemos conseguir mais benefícios a curto/médio prazo. É aí que, enquanto Grupo de Trabalho, vamos propor atuar de uma forma mais eficaz em termos de melhoria do prognóstico. 

2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos
Editorial | Rui Nogueira
2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos

Este ano está quase a terminar e uma nova década vai chegar. O habitual?! Veremos! Na saúde temos uma viragem em curso e tal como há 40 anos, quando foi fundado o Serviço Nacional de Saúde (SNS), há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções.

Mais lidas