2º Curso Internacional do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica
DATA
16/10/2019 12:27:59
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Jornal Médico
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2º Curso Internacional do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica

O Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Stº António vai realizar, nos dias 21 e 22 de outubro, no seu auditório, um curso para promover o ensino teórico e prático da técnica do bypass de anastomose única. O evento vai contar com a participação de especialistas nacionais e internacionais e com a demonstração de cirurgias em direto. O Jornal Médico falou com o coordenador da Unidade de Cirurgia Geral e do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Stº António, Rui Ribeiro, para saber quais são os principais objetivos do 2º Curso Internacional do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica.

JORNAL MÉDICO (JM) | Quais os principais objetivos da realização do 2º Curso Internacional do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica (CMDM)?

RUI RIBEIRO (RR) | Os principais objetivos desta reunião internacional anual, a segunda desde a criação do CMDM, é promover a divulgação de conhecimentos em tópicos inovadores de reconhecido interesse junto de profissionais de saúde dentro e fora do grupo Lusíadas e que possam melhorar o desempenho dos profissionais ou equipas que lidam com os doentes de obesidade e diabetes tipo 2.   É pois uma ação de ensino pós-graduado que vai reunir muitos dos melhores especialistas médicos e técnicos nacionais bem como alguns nomes de grande prestígio a nível mundial.

JM | Quão importante é a partilha de experiências entre cirurgiões nacionais e internacionais? E como é que se essa partilha se traduz em resultados?

RR | A partilha de conceitos e resultados, de inovações e dificuldades entre médicos e técnicos das equipas multidisciplinares de vários centros vai permitir que os mais experientes ou com melhor desempenho, estimulem os restantes a conseguir uma melhoria da sua prática clínica com benefício para o doente.  Nesses debates, para além do ensino, temos oportunidade de refletir em conjunto sobre as nossas “ignorâncias” e definir que tipos de pesquisa necessitamos realizar para trazer mais luz ao conhecimento. E por último, mas não menos importante a discussão interpares (médicos e técnicos das equipas  multidisciplinares) de vários centros vai permitir que os experientes ou com melhor desempenho, estimulem os restantes de forma a optimização dos processos e dos resultados  inerentes ao tratamento  operatório.

Por último permite-nos conhecer pessoas que próximo ou longe de nós praticam o mesmo tipo de atividade e encontram o mesmo tipo de dificuldades na sua vida rotineira,  o que constitui um estímulo adicional e sempre muito enriquecedor do ponto de vista cultural e até filosófico.

JM | Em destaque no evento estará a técnica do bypass de anastomose única, o que diferencia esta técnica de outras, também, amplamente utilizadas no tratamento da obesidade?

RR | O bypass de anastomose única enquanto conceito diferencia-se das outras técnicas mais clássicas por ter um desenho e uma “construção” mais simples, exatamente por ter apenas uma anastomose o que reduz desde logo a complexidade técnica do procedimento. Como tal a sua execução sem complicações torna-se acessível a  um maior número de cirurgiões  o  que  é  decisivo no tratamento  de uma doença epidémica que requer o envolvimento de muitos profissionais.

A  par  da  simplicidade tem ainda uma maior eficiência pois aos benefícios do bypass clássico  (derivação  alimentar) adiciona um componente de estimulação ileal precoce (efeito metabólico) que lhe confere melhor controlo da diabetes, dislipidemia e várias outras doenças  associadas.

Nesta cirurgia  o componente restritivo é  menor o que permite aos doentes uma melhor tolerância  alimentar podendo comer de tudo em pequenas quantidade e eliminando os vómitos.  O componente hipoabsortivo moderado permite uma taxa mais alta de manutenção  do baixo peso e do controle da diabetes e outras doenças associadas.

JM | Quais os benefícios do bypass de anastomose única?

RR | Em função das diferenças enunciadas e da sua maior simplicidade, os benefícios passam em primeiro lugar pela redução das complicações de que resulta uma morbilidade mais baixa, numa atividade em que a cirurgia já é altamente segura com mortalidade de 0,1% e taxa de complicações menores de 5% nos centros de excelência.

O menor tempo de cirurgia, um tempo de internamento mais baixo e uma  taxa muito baixa  de reinternamentos  e reintervenções, implicando menor custo,  são outras  características  importantes.

Este tipo de técnica reduz quase a zero a ocorrência de complicações específicas e difíceis de tratar que existem noutros bypasses como é o caso das obstruções intestinais por hérnias internas ou do “dumping”.

Para além de uma maior  perda de peso  e de um melhor controle das comorbilidades a longo prazo , é ainda uma  técnica fácil de reverter para a normalidade anatómica se  necessário.

Mas, sobretudo, a sua eficiência no controle do peso, da diabetes tipo 2 e  das dislipidemia, a boa  tolerância alimentar a par a  de uma melhoria  marcante da qualidade de vida  do doente são os aspetos que os doentes mais apreciam e agradecem muito pouco tempo depois de iniciarem o seu  processo de reabilitação e, muitas vezes, renascimento com este tipo de cirurgia.

2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos
Editorial | Rui Nogueira
2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos

Este ano está quase a terminar e uma nova década vai chegar. O habitual?! Veremos! Na saúde temos uma viragem em curso e tal como há 40 anos, quando foi fundado o Serviço Nacional de Saúde (SNS), há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções.

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