A multimorbilidade, definida como a presença de mais do que uma doença no indivíduo, é já reconhecida nos cuidados primários de saúde (CPS), mais como uma regra do que como uma exceção.
“A esperança média de vida em Portugal aumentou substancialmente na última década”, atingindo em 2017 os 81,6 anos, acima da média da União Europeia (UE), com 80,9. Não obstante, no início deste ano, 600 mil portugueses não tinham médico de família. Os dados são do relatório “Situação da Saúde na UE” de 2019, divulgado hoje em Bruxelas.
O mundo está em mudança contínua e a demografia desafia-nos.
Vivemos mais do que em qualquer outro momento e sobrevivemos a uma série de ameaças que, no passado, ceifavam milhares e milhares de vidas precocemente.
Os mais recentes dados evidenciam que, em todo o mundo, mais de quatro milhões de pessoas infectadas pelo VIH têm mais de 50 anos de idade. E mais de 25% do total terá mesmo mais de 70 ou mais anos de idade.
É inquestionável que o mundo mudou muito nos últimos anos.
As populações por todo o planeta – salvo os casos dos países mais pobres e bem identificados, infelizmente – vão conhecendo evolução positiva em muitos indicadores de saúde, designadamente em termos de sobrevivência e de assistência aos doentes e às doenças.
Em boa verdade o processo evolutivo seguido nos cuidados de saúde primários (CSP) foi muito centrado em volta dos padrões e modelos organizativos.
Nenhum médico contestará que, perante a ineficácia comprovada de um fármaco, a opção pela sua continuidade não induzirá qualquer benefício clínico. Como também todos concordarão que, face a efeitos secundários ou adversos, se pondere a sua rápida descontinuação. E talvez todos concordemos ainda que, em cenário de doentes polimedicados e eventualmente idosos, se avalie da necessidade da indicação e da prescrição.
A proporção de população idosa continua a aumentar progressivamente e as projecções para a Europa em geral, e para Portugal em particular, para 2050, são assustadoras.
Este ano está quase a terminar e uma nova década vai chegar. O habitual?! Veremos! Na saúde temos uma viragem em curso e tal como há 40 anos, quando foi fundado o Serviço Nacional de Saúde (SNS), há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções.