Equipas fixas nas urgências hospitalares, liberdade de escolha dos doentes, mais consultas de especialidade nos centros de saúde e unidades de cuidados continuados para saúde mental e pediatria são as prioridades para a reforma do Serviço Nacional de Saúde.

As medidas, que seguem o programa do Governo e que foram ontem (16 de dezembro) apresentadas, foram desenvolvidas por três especialistas a quem o Ministério da Saúde pediu propostas para a reforma do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

As propostas apresentadas pelos “coordenadores nacionais para a reforma do SNS” assentam em três áreas principais: cuidados de saúde primários, cuidados de saúde hospitalares e cuidados continuados integrados.

No âmbito dos hospitais, a tutela pretende alterar o modelo de funcionamento das urgências, designadamente criando equipas fixas de urgência, tendo por base “boas experiências” verificadas já em algumas unidades hospitalares.

Esta hipótese vai ser discutida com “cada um dos hospitais. Poderá não ser modelo único em todos os hospitais, mas há uma base com sucesso e há que ver como implementá-lo”, disse o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.

A liberdade de escolha dos utentes no SNS, tendo em conta por exemplo os tempos de espera, é outra das propostas para promover uma espécie de “mercado interno”, sendo certo que as unidades com mais capacidade passam a executar mais atos e serão financiadas com esse propósito.

“A ideia base é que o doente discuta com o seu médico de família – de acordo com a sua patologia – e possa optar por uma unidade que dê melhor resposta”, explicou.

O ministério tem como objetivo evitar ao máximo que os hospitais funcionem de forma isolada e que o utente “possa ter acesso à informação e circular no sistema”.

As propostas de reforma para os cuidados hospitalares são da responsabilidade do presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João, António Ferreira.

No que respeita aos cuidados de saúde primários, é objetivo deste Governo criar mais Unidades de Saúde Familiares (USF), mas também promover maior acesso, mais afabilidade e mais qualidade dos serviços.

Para isso, será criada a figura do “serviço de secretariado clínico”, que é o primeiro ponto de contacto com o utente, explicou Henrique Botelho, coordenador nacional responsável pelas propostas para os cuidados de saúde primários.

“Temos que ter um sistema simpático, disponível para as pessoas, para as ouvir”, considerou o médico de família, dirigente da Federação Nacional dos Médicos.

Outra grande aposta nesta área é o reforço das consultas de especialidade, como oftalmologia, saúde oral ou fisioterapia, nos centros de saúde.

Por outro lado, o Ministério da Saúde quer apostar na rede de Cuidados Continuados em Saúde Mental, na Rede de Cuidados Continuados Integrados Pediátricos e nos cuidados domiciliários.

Na área da saúde mental, já houve um conjunto de candidaturas para criação de unidades mas que ainda não arrancaram, sendo necessário perceber porquê, disse Manuel Lopes, coordenador nacional para esta área.

“Vamos ver caso a caso as unidades contratualizadas por que não arrancaram e pô-las a funcionar o mais rapidamente possível”, afirmou o responsável, também coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde.

Na pediatria, o processo vai demorar mais tempo, porque não existem ainda sequer tabelas de financiamento publicadas.

O Governo vai fazer também um levantamento das carências e das deficiências em termos de articulação entre os hospitais e a rede.

“Há carências de cuidados continuados em áreas geográficas do país, algumas bem no centro de Lisboa, carências quase escandalosas para as quais é preciso resposta bem rápida”, disse.

Por outro lado, há doentes no hospital à espera de vaga na rede, quando há vaga na rede, acrescentou, considerando urgente organizar e simplificar o sistema.

Os cuidados domiciliários são outra área que está “sub-utilizada”, quando na verdade constitui uma resposta mais barata e mais apreciada pelas pessoas.

“Há equipas grandes já criadas e que estão utilizadas a 50% ou 60%”, afirmou, identificando aqui um ganho potencial, porque o apoio em casa é a “melhor forma e mais barata de prestar cuidados” e também onde o doente corre menos riscos.

Manuel Lopes sublinhou que além do reforço do apoio dado por profissionais de saúde aos doentes em domicílio, é necessário também prestar cuidados aos cuidadores dos doentes e capacitá-los a continuar.

“Há muitas pessoas que fazem isso por obrigação familiar, com enorme sofrimento”.

Lusa/Jornal Médico

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FNAM
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) emitiu um parecer relativo ao recente concurso de especialidade que, no passado dia 4 de dezembro, deixou de fora mais de 100 recém-licenciados por falta de vagas.

A posição do FNAM foi enviada à nossa redação através de um comunicado que publicamos na íntegra:

"Como é do conhecimento público, o recente concurso para escolha de Especialidade e consequente início da formação médica especializada por parte dos jovens médicos decorreu com inúmeros atropelos e mesmo ilegalidades, que demonstram a total inépcia da ACSS para organizar seja o que for. Nomeadamente:

- A publicação do mapa de vagas, e no número de idoneidades atribuídas (que deveriam ter sido divulgadas até dez dias antes), foram revistas até ao próprio dia em que se iniciou o processo de escolhas;

- A lista ordenada de candidatos revelou inúmeras incorrecções que tiveram de ser corrigidas à pressa;

- A plataforma informática que deveria servir de suporte às escolhas (simultâneas a nível nacional) logo no primeiro dia deixou de funcionar (pelo menos na Região Norte), o que ocasionou grande confusão nas vagas já escolhidas/disponíveis;

- Ainda como consequência (ou não…) dessa avaria, vagas houve que “desapareceram”, impedindo que candidatos que as pretendiam as pudessem ocupar;

- Pela primeira vez, desde que foram implementadas as Carreiras Médicas, o número de vagas foi inferior ao número de candidatos, - no final, 113 jovens médicos ficaram sem acesso à especialização o que, a não ser corrigido, significará que ficarão como médicos indiferenciados à mercê dos apetites mercantilistas das empresas fornecedoras de mão-de obra (barata) e das instituições privadas, com o evidente prejuízo para as suas aspirações profissionais, para o País e, em última análise, para os portugueses;

- Esta última situação revela a insuficiente transparência em relação à definição do mapa de idoneidades definido pela Ordem dos Médicos e sobre os motivos que alegadamente impedem a existência de mais vagas para formação médica específica, quando é evidente que Portugal tem carência destes profissionais.

Por tudo isto, e como publicitámos em devido tempo, a FNAM solicitou por duas vezes ao Presidente da ACSS que suspendesse o concurso, logo no seu início, até que estivessem ultrapassados todos os constrangimentos já detectados – tal proposta, que seria o mínimo que qualquer funcionário zeloso, ciente das suas responsabilidades faria para evitar males maiores, não colheria, contudo, provimento!

Após os plenários médicos, promovidos pela Ordem dos Médicos e realizados nas três zonas do país no passado dia 9 do corrente, para discussão da situação decorrente deste concurso, a FNAM não pode deixar de manifestar publicamente as suas próprias conclusões e propostas de resolução das situações criadas.

Assim, a FNAM:
1 – Como estrutura sindical defensora de todos os médicos, OPÕE-SE à existência de Médicos indiferenciados Este é para nós um grave retrocesso, não sendo exagero afirmar que esta situação põe em causa anos de desenvolvimento da formação médica em Portugal. Para a FNAM a formação médica é um continuum que se inicia com a especialização, culmina no médico especialista e prossegue ao longo de toda a vida profissional com formação contínua, garantida pelo direito a uma carreira médica. Essa possibilidade deve ser assegurada a todos os médicos, uma vez saídos das Faculdades de Medicina. Tudo o que seja menos que isto é uma fraude! Para os médicos, para o SNS e para a população.

Durante a vigência do anterior governo a FNAM insurgiu-se com a possibilidade, criada pelo novo regime do internato médico, da criação de médicos indiferenciados. Por este e outros motivos, a FNAM não aceitou qualquer acordo em relação a este tema e, aliás, exige a revogação deste Diploma desde o primeiro momento. A quem concordou com esta linha de actuação cabe agora a justificação deste resultado, aliás expectável;

2 – Exige a criação imediata de vagas suficientes para incluir os 113 médicos impedidos de iniciar o seu processo de especialização;

3 – No mínimo, que lhes seja permitido continuarem ligados aos serviços, em exercício tutelado, até ao próximo concurso, com a garantia de que serão disponibilizadas vagas em número suficiente para abrangerem todos os possíveis candidatos em pé de igualdade;

4 – Revogação imediata do decreto-lei referente ao Regime do Internato Médico e negociação séria que leve à sua substituição;

5 – Reformulação e clarificação do processo de atribuição de idoneidades para formação médica específica;

6 – Criação de grupo de trabalho para discussão de soluções que evitem repetição de situações como a actual.

A FNAM irá solicitar reuniões urgentes com o Senhor Ministro e Comissão Parlamentar da Saúde, para transmitir estas preocupações e propostas de solução".

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O Ministério da Saúde anunciou hoje que vai contestar as ações judiciais que a Federação Nacional dos Médicos está a intentar contra hospitais, o ministério e a Administração Central do Sistema de Saúde por alegado incumprimento do descanso compensatório.

De acordo com a edição de hoje do Diário de Notícias, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) “está desde junho a intentar ações judiciais contra oito hospitais e centros hospitalares e contra o próprio Ministério da Saúde e a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS)”.

“Os médicos consideram que o incumprimento da legislação que lhes permite descansar quando fazem turnos de mais de oito horas pode levar a erros e pôr em causa a qualidade do atendimento”, lê-se na notícia.

Em comunicado, o Ministério da Saúde esclareceu que, “dado não haver consenso na interpretação da matéria relativa ao descanso compensatório, o Ministério da Saúde solicitou, em outubro deste ano, parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, que se aguarda”.

O ministério de Paulo Macedo acrescentou que ainda “aguarda a deliberação das comissões paritárias, que integram os sindicatos e entidades empregadoras”.

“Na sequência de dúvidas colocadas por alguns hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), verificou-se que a clarificação pressupunha a interpretação” de algumas cláusulas “previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho de 2009”.

De acordo com a nota, as comissões paritárias, que integram representantes das entidades empregadoras e dos sindicatos outorgantes dos dois acordos, e a quem “compete interpretar e integrar lacunas, têm vindo a reunir desde julho passado, não existindo ainda deliberação sobre a matéria daqueles acordos”.

Lusa

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segunda-feira, 14 setembro 2015 16:57

FNAM acusa Ministério de retirar MF a 50.000 cidadãos

FNAM
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) acusa o Ministério da Saúde de ter retirado o acesso a médico de família a cerca de 50.000 cidadãos da região norte e de tomar decisões que aumentam a desmotivação e desconfiança dos clínicos mais jovens.

As denúncias foram feitas através de um comunicado enviado à nossa redação e que publicamos na íntegra:

“No passado mês de março 102 jovens médicos concluíram na região norte as suas provas de avaliação final do internato médico, obtendo o grau de Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar, condição necessária que os habilita a ingressarem,mediante concurso (que se encontra a decorrer) nos múltiplos centros de saúde do SNS.

Na área da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN, IP) estes médicos especialistas, através de um processo de duvidosa legalidade, foram de imediato (6 de abril) distribuídos por várias unidades funcionais reconhecidas como carenciadas, mesmo antes de concluído o concurso que só viria a ser lançado a nível nacional, através da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS, IP) a 26 de maio pelo Aviso n.º 5772-A/2015. Assumindo que cada um destes 102 médicos se encontra a prestar cuidados a listas de utentes que variam entre 1.750 e 1.900 utentes, calcula-se que aproximadamente 186.150 cidadãos terão passado a dispor de um médico de família. Aliás tal facto foi enormemente propagandeado através de vários níveis da administração.

Acontece que o citado Aviso nº 5772-A/2015 de 26 de maio, publicado com vista a abertura de concurso para colocação definitiva destes médicos especialistas, apenas atribuiu 74 vagas para a ARS Norte, quando se sabia que existiriam pelo menos 102 médicos especialistas interessados no concurso.

Isto significa que a tutela, relativamente à região norte, teve por conveniente não colocar 28 dos médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar disponíveis (102 potenciais candidatos – 74 vagas), desprezando as necessidades dos cerca de 51.100 utentes a quem estes 28 médicos já se encontravam a prestar cuidados;

Resumindo: Na área da ARSN existiam em março cerca de 368.000 utentes sem médico de família.Com a colocação provisória operada pela ARSN em 6 de abril este número decresceu para cerca de 182.000. Todavia, através da decisão do Ministério da Saúde de abrir apenas 74 vagas, 28 listas de utentes (cerca de 51.000) vão novamente perder o médico de família que supostamente lhes tinha sido atribuído com pompa e circunstancia.

Resta perguntar se a ARSN nada tem a dizer em seu abono e se o Ministério da Saúde não terá optado por ceder a pressões mais próximas e influentes.

Com efeito, para um concurso que em princípio deveria ser nacional conforme o respetivo aviso, através do qual as listas de vagas foram publicadas em simultâneo para garantir que os candidatos tivessem garantidas as suas opções de colocação, hierarquizadas em função das classificações de cada um, como entender que a ARS de Lisboa e Vale do Tejo já tenha concluído o processo de seleção e celebrado os respetivos contratos antes de todas as outras.

Processos e comportamentos como estes aumentam a desmotivação e desconfiança dos médicos mais jovens. Retirados das equipas onde já se encontravam aceites e integrados, onde demonstradamente são necessários e a serem ilegalmente remunerados desde abril com apenas 67% do salário a que têm direito, muitos deles pensarão certamente em abandonar o SNS ou mesmo o país rumando a outras paragens onde são recebidos e tratados de forma bem mais adequada.

Em 12 de agosto tínhamos afirmado que o objetivo fixado por este ministro, destinado a atribuir um médico de família a cada cidadão, havia sido levianamente fixado e incompetentemente conduzido. A realidade encarrega-se de o provar. Infelizmente para os cidadãos, para os médicos e para o SNS.”

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sexta-feira, 04 setembro 2015 13:59

ACSS responde à FNAM


Na sequência da publicação, no dia 2 de setembro de 2015, da notícia dando conta de um comunicado emitido pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), recebemos da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) o seguinte pedido de esclarecimento, que publicamos na íntegra:

"Na sequência da notícia publicada em 2 de setembro no Jornal Médico intitulada “FNAM acusa Ministério da Saúde de extrema incompetência”, a Administração Central do Sistema de Saúde, I.P. (ACSS, I.P.), esclarece o seguinte:

O procedimento concursal de habilitação ao grau de consultor aberto em 2012 envolve um total de 3.233 candidatos e 196 júris em 44 especialidades médicas.

Os júris constituídos no âmbito do procedimento concursal de habilitação do grau de consultor são designados por deliberação do Conselho Diretivo da ACSS, I.P., ao abrigo do n.º 5.º da Portaria n.º 217/2011, de 31 de maio. O júri é composto por um presidente, dois vogais efetivos e por dois vogais suplentes, dos quais dois elementos, com exceção do presidente, devem ser indicados pela Ordem dos Médicos. De acordo com a referida portaria, o processo de nomeação de júris só pode ser concluído, uma vez definidos os elementos de todos os júris que deverão ser constituídos para cada especialidade médica.

A especialidade de Medicina Geral e Familiar abrange o maior número de candidatos (579) e de júris (31) e é a especialidade em que se focaliza a informação veiculada pela FNAM. Importa salientar que considerando o elevado número de júris, os quais abrangerão no seu todo 155 médicos, a indicação destes profissionais de acordo com o previsto na portaria acima referida apenas ficou concluído no final do passado mês de julho, tendo subsequentemente sido promovida a publicação dos avisos em Diário da República.

A ACSS, I.P. reitera também que, por não haver qualquer impedimento legal, é prática habitual o envolvimento de médicos aposentados no desempenho de funções de júri, à semelhança aliás de procedimentos concursais anteriores.

A ACSS, I.P. recorda que este é um processo abrangente e complexo envolvendo milhares de candidatos, implicando a intervenção de várias entidades para além da ACSS, I.P., nomeadamente as Administrações Regionais de Saúde e a Ordem dos Médicos.

A ACSS, I.P. reitera que através do desenvolvimento dos procedimentos concursais de habilitação ao grau de consultor abertos em 2012 e 2015, aos quais dedica importantes recursos, os objetivos são os de criar condições para o desenvolvimento e a progressão na carreira médica no Serviço Nacional de Saúde (SNS), tal como acordado entre o Governo e os Sindicatos Médicos em outubro de 2012 e em julho de 2015.

A ACSS, I.P. não pode deixar de lamentar as acusações da FNAM sobre esta matéria, uma vez que é do conhecimento desta entidade que nos últimos anos a ACSS, I.P. não só promoveu a conclusão dos concursos de 2002 e 2005 que se encontravam pendentes, como desencadeou a abertura de novos concursos em 2012 e 2015, retomando os ciclos bienais previstos na lei.

Como se sabe, o concurso de 2012, pelo facto de não terem sido abertos concursos desde 2005, recebeu um elevadíssimo número de candidatos que exigiu um igualmente elevado número de júris. A retoma dos ciclos bienais irá permitir uma gestão mais regular das candidaturas e uma mais rápida conclusão dos procedimentos, uma vez que o número de candidatos será menor, como se pode ver pelo último concurso aberto que abrangerá cerca de 1.300 médicos.

Importa ainda salientar que sobre o andamento destes concursos e da constituição dos respetivos júris foi dada informação regular quer à FNAM, quer ao Sindicato Independente dos Médicos, no âmbito da Comissão Tripartida que funcionou com esses sindicatos até final de 2014. Também no âmbito das negociações, a FNAM foi mantida informada sobre estes processos. É ainda do conhecimento da FNAM que em várias ocasiões foram os sindicatos solicitados a colaborar na aceleração da indicação de médicos para constituição dos júris.

Por último, não pode deixar de ser referido que é graças ao esforço de uma pequena equipa da ACSS, I.P. que foi possível desenvolver e concluir vários destes procedimentos concursais, sem o que não teria sido possível propiciar a passagem a assistente graduado a 3.702 médicos nos últimos anos."

4 de setembro de 2015

ACSS, I.P.

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FNAM
A Comissão Executiva da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), acusou hoje o Ministério da Saúde e a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) de perderem as "mais elementares regras éticas" em período de eleições.

"Em tempos de eleições o descaramento e a ausência das mais elementares regras éticas por parte de alguns atingem aspectos inacreditáveis", começa por revelar o comunicado enviado pelo Sindicato dos Médicos do Norte à nossa redação.

Isto porque, de acordo com a FNAM, a nomeação dos júris do concurso nacional de habilitação ao grau de consultor na especialidade de Medicina Geral e Familiar, publicada em Diário da República no passado dia 12 de agosto pelo Aviso nº 8861/2015, "decorre de um concurso aberto pelo Aviso nº 9295-A/2012, publicado em DR a 6 de Julho de 2012", um acontecimento que considera "escandaloso".

"A este aspecto junta-se outro igualmente revelador da extrema incompetência das instâncias ministeriais ao nomear para esses júris vários médicos que já estão reformados. Tal que faz prever novo arrastar da situação, ou seja, que provavelmente teremos de esperar mais uns meses (ou anos) para a respectiva substituição", acrescenta o documento.

A ACSS foi igualmente criticada por ter estendido durante três anos o processo de nomeação dos júris "para um concurso essencial para a progressão técnico-científica dos médicos e também para a sua natural progressão remuneratória. Só a proximidade das eleições pode explicar este “acordar” repentino do Ministério da Saúde e da sua ACSS".

Para a Federação dos Médicos é "inadmissível" a falta de sanções e a "completa impunidade dos dirigentes da ACSS e dos próprios titulares ministeriais".

Assim, a FNAM exige "um imediato esclarecimento por parte do Ministério da Saúde quanto às medidas de responsabilização que irão ser tomadas imediatamente em relação aos seus nomeados na ACSS".

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Primeira1
A Federação Nacional dos Médicos afirmou ontem que a ADSE e outros subsistemas públicos de saúde estão a ser usados para viabilizar unidades privadas, como parte de uma estratégia de desinvestimento nos serviços públicos, em benefício dos privados.

Em conferência de imprensa, ontem, dia 12 de agosto, em Lisboa, o dirigente da FNAM Mário Jorge Neves criticou o desinvestimento progressivo nos serviços públicos, ao mesmo tempo que se apoia “cada vez mais o crescimento dos setores privado e social”.

“Pode ver-se em qualquer local do país que existe uma relação clara e direta entre serviços públicos que são amputados e a proliferação, ao lado, de algumas clínicas de alguns conhecidos grupos económicos”, afirmou.

Para Mário Jorge Neves, isto torna-se mais grave quando o crescimento do privado não é feito com base na competição de sistemas ou no aumento do poder de compra dos cidadãos, mas sim através de dinheiros públicos dos subsistemas de saúde: “Essas estruturas [privadas] são mantidas e viabilizadas, mas é à mesma com dinheiros públicos dos subsistemas de saúde”.

O dirigente da FNAM lembrou ainda que, em muitas situações, fica mais caro ao cidadão pagar uma taxa moderadora no hospital do que pagar numa clínica ou unidade privada.

Na conferência de imprensa em que avaliou as políticas de saúde do Governo, a FNAM criticou ainda nomeações de dirigentes da saúde num período próximo das eleições legislativas.

A presidente da FNAM, Merlinde Madureira, deu o exemplo de dirigentes nomeados para as administrações regionais de saúde, onde considera que há escolhas que são políticas.

“Sob a capa da pseudo-independência da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP), esses profissionais aparecem nomeados nesta altura para períodos de três, cinco ou até 10 anos. Quando se aproxima um período eleitoral, nomeiam-se para lugares de grande importância estratégica quem já lá estava e, à partida, não tinha competência para ocupar o lugar”, disse.

A dirigente sindical indicou que foram feitas reconduções de pessoas que inicialmente não reuniam condições para o cargo, segundo os critérios de recrutamento, mas que, pela passagem por essas funções, conseguiram ser reconduzidos “com o visto da CRESAP”.

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FNAM
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) acusou hoje o governo de ter fixado de forma leviana o objetivo de dar um médico de família a cada português e de ter sido incompetente ao conduzir essa meta.

“O Ministério da Saúde colocou como objetivo dar um médico de família a cada português. Passados quatro anos é possível dizer com segurança e justiça que o objetivo foi levianamente fixado e incompetentemente conduzido”, afirmou o sindicalista Henrique Botelho, numa conferência de imprensa da FNAM hoje em Lisboa destinada a fazer um balanço dos últimos quatro anos das políticas de saúde.

Henrique Botelho recordou que o rácio que estava definido há quatro anos era de um médico com uma lista até 1.550 utentes, “um número mais ou menos consensual entre os países desenvolvidos”.

A FNAM assume ter aceitado em 2012 um alargamento “transitório e temporário” das listas de utentes por médico de família até 1.900 utentes.

“Mesmo com esse alargamento, o Ministério da Saúde não foi capaz de prever as entradas e saídas de profissionais”, declarou.

Quanto à ideia de alargar novamente a lista de utentes até 2.500 doentes por médico, a FNAM considera que “coloca definitivamente em causa” a prestação de cuidados e é um número “compatível com os países em desenvolvimento”.

“Não se mete um litro e meio de água num jarro que só leva um litro”, comparou Henrique Botelho, lembrando que médicos com cerca de 2.500 utentes são realidades em países da América Latina, enquanto que em sistemas como o do Canadá cada médico de família tem 1.100 doentes.

Para a presidente da FNAM, são as políticas do Ministério que levam a que ainda haja cerca de 1,2 milhões de cidadãos sem médico de família, referindo-se nomeadamente a políticas que entende terem conduzido à emigração e a reformas antecipadas dos profissionais de saúde.

“O objetivo de ter um médico para cada português não existem, nem vai existir, porque não se investiu na forma correta. O correto devia ter sido apoiar e implementar a reforma dos cuidados de saúde primários”, afirmou Merlinde Madureira.

A FNAM considera que o Ministério bloqueou a reforma dos cuidados de saúde primários e criou “dificuldades progressivas” à constituição de novas unidades de saúde familiar (USF).

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O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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