Portugal mantém uma das prevalências de diabetes mais elevadas da Europa
DATA
05/12/2022 10:35:53
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Jornal Médico
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Portugal mantém uma das prevalências de diabetes mais elevadas da Europa

No último ano foram registados 79 241 novos casos de diabetes, estando inscritas nos centros de saúde 879 853 pessoas com diagnóstico da doença. Os dados mais recentes do Programa Nacional para a Diabetes (PND) da Direção-Geral da Saúde (DGS), relativos ao período de outubro de 2021 a setembro de 2022, foram apresentados a 30 de novembro na sessão  “Programa Nacional para a Diabetes: Desafios e Estratégias”. Graça Feitas, diretora-geral da Saúde, salienta que “esta epidemia acarreta importantes consequências para os próprios, as suas famílias e a sociedade em geral”, adiantando que o PND “constitui um dos programas prioritários da Direção-Geral da Saúde (DGS)”.

Nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), os dados de 2021 demonstravam já um aumento dos novos casos identificados. Estavam registadas no SNS cerca de 857 272 pessoas com diabetes, das quais 74 396 eram novos diagnósticos. Apesar disso, atendendo às estimativas  da Federação Internacional de Diabetes, este número poderá apontar para a existência de  pessoas por diagnosticar, pelo que o PND mantém como prioridade a promoção do diagnóstico precoce através avaliação do cálculo de risco de desenvolver diabetes tipo 2. 

Nos CSP, em Portugal Continental, no período de 2019/2021, foram registadas 2 431 050  avaliações de risco de diabetes tipo 2, na população adulta sem diabetes, correspondendo a 41% da população alvo. Do total de avaliações feitas, 770 000 apresentam risco elevado de vir a desenvolver Diabetes num prazo de 10 anos.  

De acordo com o mais recente relatório do PND, a Diabetes foi a causa de 3,3% do total de  mortes em Portugal registadas em 2020. Um valor que tem vindo a decrescer desde 2016,  ano em que alcançou 3,9%. Cerca de 66% das mortes por diabetes ocorreram em pessoas  com idade igual ou superior a 80 anos. 

O Programa de Rastreio da Retinopatia Diabética apresentou uma cobertura crescente até  2019, tendo sido registada uma redução da taxa de cobertura e rastreio em 2020 devido à  pandemia por COVID-19. 

Segundo o relatório, em 2021, o rastreio do pé diabético nos CSP incluiu 62% das pessoas com diabetes, uma melhoria relativamente a 2020. No entanto, verifica-se a persistência de  um número de admissões por pé diabético elevado, com cerca de 2700 pessoas internadas  devido a esta complicação. No mesmo ano foram realizadas 2 639 amputações em pessoas  com Diabetes, um valor elevado, semelhante ao verificado em anos anteriores. 

Os dados mais recentes revelam mais de 4100 pessoas com Diabetes tipo 1 com registo de tratamento com Sistemas de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina (bombas de  insulina), cerca de metade em crianças e jovens, registando-se um número crescente de  pessoas com este tipo de tratamento.  

A Diabetes custou 418 milhões de euros em 2021 em encargos com antidiabéticos não insulínicos e insulinas, mantendo-se uma evolução crescente em relação a anos anteriores.  

É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Jornal Médico
É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários

Neste momento os CSP encontram-se sobrecarregados de processos burocráticos inúteis, duplicados, desnecessários, que comprometem a relação médico-doente e que retiram tempo para a atividade assistencial.