Primeira operação robótica ao pâncreas em Portugal promove recuperação rápida do doente
DATA
02/12/2022 10:47:36
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Jornal Médico
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Primeira operação robótica ao pâncreas em Portugal promove recuperação rápida do doente

O Hospital Curry Cabral, em Lisboa, anunciou que efetuou pela primeira vez uma cirurgia robótica ao cancro na cabeça do pâncreas, que permite ao doente uma recuperação mais rápida e com menos dor. A primeira duodenopancreatectomia por cirurgia robótica no país foi feita na terça-feira, 29 de novembro, num homem de 58 anos, com um subtipo de tumor na cabeça do pâncreas, menos agressivo, embora maligno, chamado ampuloma, e o procedimento foi conduzido pelo cirurgião Emanuel Vigia.

Em comunicado, Hugo Pinto Marques, diretor do Serviço de Cirurgia e da Unidade de Transplantação do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (que integra o Curry Cabral), “a possibilidade de fazer este tipo de cirurgia recorrendo a métodos menos invasivos, neste caso, a robótica, representa uma perspetiva muito boa para os doentes, no sentido de terem uma melhor recuperação de uma cirurgia que, normalmente, é muito complicada e agressiva”.

O clínico disse ainda que a cirurgia convencional deixa uma cicatriz “bastante grande” e “normalmente exige algum tempo de internamento”. O recurso a um robô viabiliza o procedimento através de cinco orifícios até um centímetro cada, “é muitíssimo menos agressiva” e mais precisa, pormenorizou.

“É uma cirurgia com muito maior precisão, porque o robô permite um movimento que não tem tremor, mais preciso, com uma visualização da anatomia e das estruturas que é ampliada 10 vezes em alta definição. Portanto, permite uma ampliação do olho humano de uma forma um pouco diferente daquela que acontece numa cirurgia convencional”, frisou Hugo Pinto Marques.

Para Hugo Pinto Marques, tendo em conta que são feitas em Portugal entre 100 a 150 operações à cabeça do pâncreas, a inovação permite “menos agressão para o doente e uma recuperação muitíssimo mais rápida”. Embora esse fator esteja ainda em análise, “tudo indica” que “é provável que em termos de complicações no futuro a taxa seja menor” com a cirurgia robótica.

A operação, mais demorada do que a convencional, com a duração de cerca de cinco horas, levou aproximadamente 09h30. “O procedimento é mais demorado do que a cirurgia convencional, o que traz é mais benefícios para o doente, em termos de recuperação”, referiu Hugo Pinto Marques.

O médico sublinhou o aumento, em termos globais, do cancro do pâncreas “em todo o mundo e também no nosso país”. “A cirurgia é ainda o único procedimento que cura o cancro do pâncreas”, acrescentou.

A equipa, liderada por Emanuel Vigia, teve o apoio de uma equipa holandesa, no âmbito de um programa de formação europeu para este tipo de cirurgia. A operação consiste na remoção da cabeça do pâncreas, do duodeno e de parte do estômago.

A cirurgia robótica está implementada no CHULC desde novembro de 2019, ano em que surgiu o primeiro equipamento deste tipo no SNS, segundo informação do Centro Hospitalar. A utilização da robótica já se pratica em urologia, cancro colorretal, tratamento cirúrgico da obesidade, ginecologia e doenças hepato-bilio-pancreáticas.

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Editorial | Jornal Médico
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