APMGF organiza manifestação em frente ao Ministério da Saúde contra a integração de especialistas indiferenciados
DATA
13/07/2022 10:21:47
AUTOR
Jornal Médico
APMGF organiza manifestação em frente ao Ministério da Saúde contra a integração de especialistas indiferenciados

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) vai organizar no próximo sábado, dia 16 de julho, a partir das 16h00, um protesto em frente à sede do Ministério da Saúde, na Avenida João Crisóstomo, em Lisboa, contra a potencial incorporação de médicos não especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF) nos centros de saúde e com responsabilidade na gestão de listas de utentes, medida integrada pelo governo no Orçamento de Estado para 2022 e que, de acordo com comunicado, “ameaça a qualidade dos cuidados de saúde prestados à população”.

Esta é uma contestação cujo intuito fundamental é o “censurar a tutela por uma estratégia que apenas defrauda as expectativas de muitos portugueses, oferecendo-lhes apoio clínico de alguém que não é um verdadeiro Médico de Família”, lê-se. O protesto terá a participação de especialistas e internos de MGF, mas também de médicos de outras especialidades, de outros profissionais de saúde, de representantes de associações de doentes e cidadãos que, a título individual, desejam juntar-se a uma ação que “mais não faz do que defender a igualdade, integridade e qualidade dos cuidados de saúde prestados no Serviço Nacional de Saúde”, refere.

Para Nuno Jacinto, Presidente da APMGF, a decisão do executivo de permitir que médicos indiferenciados assumam a gestão de listas de utentes nos centros de saúde é “um retrocesso gigantesco e inaceitável”. O dirigente sublinha ainda que este passo dado pelo governo de António Costa, se levado à prática até ao seu limite extremo no futuro, com a contratação massiva de indiferenciados para os centros de saúde, simboliza “acabar com o papel dos Médicos de Família e dizer que qualquer um, sem formação específica nesta área, pode exercer estas funções. E não podemos dizer, como diz o secretário de Estado, que médicos são médicos. Por essa ordem de ideias, todos poderíamos fazer tudo e, felizmente, não é isso que acontece. Existe uma especialidade clínica com 40 anos de história que não pode ser apagada de um dia para o outro”.

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