Novo método para a produção das células estaminais neurais após lesões cerebrais
DATA
24/06/2022 09:30:57
AUTOR
Jornal Médico
Novo método para a produção das células estaminais neurais após lesões cerebrais

O estudo, publicado na revista Developmental Cell, foi desenvolvido por cientistas da Fundação Champalimaud- Anabel Simões, Marta Neto, Carolina Alves, Mariana Santos, Ismael Fernández Hernández, Henrique Veiga-Fernandes, David Brea, Irene Durá, Juan Encinas e Christa Rhiner -, em Lisboa. Os resultados permitiram descobrir um novo mecanismo que leva os neurónios e a glia a colaborarem para estimular o processo de regeneração após lesões cerebrais.

“Descobrimos como as células estaminais neurais detetam os danos e são recrutadas para reparar o tecido. Estes resultados poderão constituir um primeiro passo no desenvolvimento de fármacos que promovam a formação de novos neurónios na sequência de uma lesão cerebral,” refere Christa Rhiner, co-autora e líder do estudo. 

Os cientistas recorreram a modelos animais, como moscas e ratos, pois os cérebros, tal como os dos humanos, também produzem células estaminais neurais”. Um dos primeiros passos foi perceber quais as moléculas que estão presentes exclusivamente na área cerebral danificada. 

Nesse sentido foi detetada a Swim, “uma proteína de transporte que literalmente ‘nada’ pelo tecido. Ajuda moléculas que normalmente agem a nível local a espalhar-se pelo tecido. E após uma meticulosa investigação, verificámos que a Swim é crucial para desencadear uma resposta regenerativa aos danos cerebrais”, explica a cientista Anabel Simões.

“Encontrámos o Wg nos neurónios da área danificada, o que era fascinante porque significava que os próprios neurónios detectam o ‘sofrimento’ do tecido e respondem tentando enviar um sinal que acorde as células estaminais neurais dormentes”, afirma Anabel Simões.

Posteriormente, os resultados permitiram perceber que “quando os níveis de oxigénio diminuem na área cerebral que sofreu a lesão, um certo tipo de células gliais entra em ação. Estas células produzem a Swim e libertam-na no espaço extracelular. A seguir, o transportador encapsula o Wg e leva-o até a célula estaminal mais próxima, induzindo a sua ativação”, salienta a especialista.

Os resultados obtidos neste estudo ajudarão na promoção da regeneração neural. Christa Rhiner afirma que “agora que já sabemos quais são os intervenientes-chave e como comunicam entre si, temos uma oportunidade para tentar estimular a regeneração neural. Primeiro, precisamos de verificar que um mecanismo semelhante também existe no ser humano. Depois, poderemos começar a pensar na transposição destes resultados para terapias”.

“Estes resultados também suscitam por sua vez muitas outras perguntas, que planeamos investigar a seguir. Por exemplo, como podemos ajudar os novos neurónios a sobreviver no tecido à medida que este sara? Esta é uma viagem fascinante, e estamos ansiosos por ver o que vamos encontrar a seguir”, conclui. 

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.