Ordem dos Médicos aponta para a  falta de especialistas em várias áreas durante o verão
DATA
20/06/2022 11:05:53
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Jornal Médico
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Ordem dos Médicos aponta para a falta de especialistas em várias áreas durante o verão

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos encara o verão como uma época problemática, pois considera que “as carências não estão apenas na obstetrícia''. Nos próximos meses poderão não existir “ortopedistas, anestesistas, pediatras”, entre outros, conduzindo o SNS a uma situação de rutura.

“Não me parece haver na próxima semana tantos hospitais, ao mesmo tempo com tantos serviços em risco de rutura, agora teremos julho e agosto, para a frente (…) e era importante perceber como é que vai ser o verão, em toda as especialidades e não apenas nesta”, afirmou Alexandre Valentim Lourenço, numa visita ao Serviço de Urgência de Obstetrícia.

Apelando a “mudanças estruturais", o presidente acrescenta ainda que para garantir a fixação dos médicos é preciso existir uma “boa retribuição” para os profissionais e assegurar que podem ser “felizes a trabalhar”.

Alexandre Lourenço também alerta para o facto de “as empresas de tarefeiros que contrataram médicos já reformados (...) ou que se voluntariaram, pelos valores de empresas tarefeiros para substituir e manter este sistema aberto” são como “um penso rápido, um remendo que impede as mudanças estruturais”.

A comissão de acompanhamento criada em resposta à crise nos serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia já tem reunião marcada com a ministra da Saúde e com as administrações regionais de saúde (ARS).

A“prioridade” da comissão “é arranjar soluções para o verão”, mas ao mesmo tempo e já que está a lidar com “estes problemas agudos” terá também de começar “a pegar nos problemas mais estruturais e tentar alterações aí, porque senão está apenas a reagir e não a planear”.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.