Pedidos de apoio financeiro das famílias com crianças com cancro aumentaram na pandemia
DATA
14/02/2022 14:14:18
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Jornal Médico
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Pedidos de apoio financeiro das famílias com crianças com cancro aumentaram na pandemia

A pandemia fez com os pedidos de apoio económico das famílias com crianças com cancro aumentassem, uma situação que se tem mantido e que levou a associação Acreditar a estender em 60% o apoio social logo no primeiro ano.

A diretora-geral da Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, Margarida Cruz, contou à Lusa, que a organização, que no ano passado ajudou quase duas mil famílias, começou a ter cada vez mais pedidos de apoio económico.

“Nós reforçámos em 2020 o orçamento, divergindo das atividades que não íamos fazer por causa da pandemia, como as saídas e os encontros de famílias (…), e reorganizámos tudo para apoio social. No primeiro ano da pandemia, aumentámos em quase 60% a verba para apoio social e gastámo-la toda”, adiantou, frisando que esta é uma realidade que se tem mantido e que o valor do apoio económico direto às famílias já ronda os 300 mil euros.

“Para uma associação que não é grande (…) é significativo. Nós neste momento já vamos em cerca de 300 mil euros em apoio económico direto às famílias, sem contar com a entrega de bens materiais”, sublinhou

A responsável contou que, com a pandemia, a Associação teve de reformular todo o apoio que entregava em bens alimentares, que deixaram de ser entregues diretamente. “Percebemos rapidamente que isso era uma forma de promover um contacto com as pessoas, que estávamos a promover a circulação de pessoas, quando elas queriam era circular o mínimo possível”.

Os dados indicam que, só em 2021, a Acreditar ajudou 1.911 famílias, com apoio emocional e psicológico, económico, material e escolar, sendo que no ano anterior tinham sido 1.520 famílias.

Margarida Cruz salientou ainda o impacto psicológico nestas famílias. “Os nossos voluntários deixaram de poder estar dentro dos hospitais e as famílias ficaram mais isoladas, com a criança em tratamento e a mãe e pai igualmente internados no hospital, para a acompanhar, e sem poder ser revezados ou ter quaisquer contactos com o exterior, ou vistas”, explicou.

Para responder a esta fragilidade, a Acreditar lançou no ano passado consultas de apoio psicológico às famílias. A ideia é “ajudá-las a reformular-se (...). É apoio garantido durante algum tempo, de modo a que possam fortalecer-se psicologicamente e encarar a vida de forma o mais positiva possível”.

“Antes dávamos apoio emocional pois sentíamos que os serviços nos hospitais garantiam o apoio psicológico, mas, com a pandemia, sentimos que, com toda a boa vontade, isso não chegava e era preciso reforçar”, disse a responsável.

“Como também trabalhámos a questão do luto parental e estivemos ainda mais próximos das famílias que perderam filhos, sentimos que também estas tinham necessidade de reforço no apoio psicológico, às vezes ao longo de um período ainda relativamente extenso”, acrescentou.

Com a impossibilidade de os voluntários estarem nos hospitais, a associação encontrou forma de fazer chegar toda a informação às famílias, através de montras digitais nos hospitais.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
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É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.