Sintomas de ‘long COVID’ podem estar associados ao nervo vago
DATA
14/02/2022 12:24:22
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Jornal Médico
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Sintomas de ‘long COVID’ podem estar associados ao nervo vago

Um estudo piloto que vai ser apresentado em abril mostrou que alguns dos sintomas relacionados com a ‘long COVID’ podem estar associados aos efeitos do coronavírus SARS-Cov-2 no nervo vago, um dos nervos multifuncionais mais importantes do corpo.

O nervo vago, que se estende do cérebro ao tronco e atinge o coração, pulmões, intestinos e vários músculos, é responsável, entre muitas outras funções, pelo controlo da frequência cardíaca, da fala, do movimento dos alimentos pelos intestinos e sudorese.

Os autores da investigação indicaram que a disfunção do nervo vago (VND), motivada pelo SARS-CoV-2, pode explicar alguns sintomas da ‘long COVID’, em que os infetados continuam a apresentar sintomas debilitantes graves por mais de seis meses, sendo que entre os sintomas estão a disfonia, disfagia, tontura, taquicardia, pressão arterial baixa e diarreia.

O que foi descoberto até agora aponta para “a disfunção do nervo vago como uma característica fisiopatológica central da COVID-19 persistente”, sublinharam os autores do estudo, em nota enviada pela Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (SEMCEI).

“A maioria dos indivíduos com COVID-19 persistente que apresentavam sintomas de disfunção do nervo vago apresentava uma série de alterações estruturais e/ou funcionais significativas e clinicamente relevantes no nervo vago, incluindo o seu espessamento, problemas de deglutição e sintomas de respiração prejudicada”, acrescentam.

A equipa de investigação realizou uma avaliação piloto abrangente ao nervo vago, através de exames de imagem e funcionais, em mais de 348 pacientes com ‘long COVID’, dos quais 228 (66%) apresentavam pelo menos um sintoma sugestivo de VND.

A investigação, que está a decorrer e ainda a recrutar pacientes, iniciou-se com a análise das primeiras 22 pessoas com sintomas de VND (10% do total) atendidas na clínica para ‘long COVID’, do Hospital Universitário Germans Trias i Pujol em Badalona, entre março e junho de 2021.

Do primeiro grupo, “20 (91%) eram mulheres com média de idade de 44 anos e os sintomas mais frequentes relacionados com o VND foram diarreia (73%), taquicardia (59%), tontura, disfagia e disfonia (45% cada um dos sintomas) e hipotensão ortostática (14%)”. Já 86% dos pacientes apresentaram pelo menos três sintomas relacionados com o VND e 27% apresentaram anormalidades do nervo vago no pescoço, incluindo espessamento e aumento da ecogenicidade, indicando alterações inflamatórias reativas leves.

O estudo assinalou ainda que “46% apresentaram curvas diafragmáticas achatadas, o que se traduz em respiração anormal, e 63% tiveram redução das pressões inspiratórias máximas, o que demonstra fraqueza dos músculos respiratórios”.

O teste padrão para medir a função da voz registou anormalidades em 08 de 17 (47%) casos, sendo que 07 destes 08 (88%) apresentaram disfonia.

Liderado por Lourdes Mateu do Hospital Universitário Germans Trias i Pujol em Badalona, Espanha, será apresentado no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, que se realiza em Lisboa entre 23 e 26 de abril.

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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